Foto: Darci Bergmann, 09/05/2010
16 janeiro, 2013
A BELA E HISTÓRICA ARQUITETURA DE SÃO BORJA
Foto: Darci Bergmann, 09/05/2010
29 fevereiro, 2012
ORIGEM E EVOLUÇÃO DA VIDA: ESTUDOS E PERCEPÇÕES NA SALA DE AULA

Por Melissa Bergmann e Jarbas Felicio Cardoso*
Responder às indagações dos alunos sobre as questões da evolução da vida não é tarefa simples para os professores, em especial os da escola básica, principalmente com relação à evolução humana. A compreensão do surgimento da vida e da di versidade biológica requer o entendimento dos mecanismos evolutivos ao longo de bilhões de anos. A evolução biológica deveria permear todos os conteúdos de Biologia, mas ao invés disso, os conteúdos são trabalhados de forma estanque e se m inter-relação. Em geral, o primeiro ano do ensino médio tem como temas as teorias da origem da vida, evolução e citologia, sendo a ecologia, a diversidade dos seres vivos e a genética tratados nos anos posteriores.
A ordem dos conteúdos pode variar de escola para escola e de região para região. Quando se inicia o estudo da célula (citologia), os livros didáticos abordam a evolução dos primeiros seres vivos unicelulares até os pluricelulares, mostrando o aumento da complexidade das células procariotas em relação às eucariotas. Os alunos passam a ter uma noção da diversidade biológica a nível celular. O maior confronto, entretanto, se dá na abordagem das hipóteses da origem da vida e nas teorias da evolução. Em um interessante trabalho sobre a concepção de evolução, Zaikowskietal (2008), nos Estados Unidos, argumentam sobre a importância da história das ciências e a evolução das ideias de filósofos e cientistas de várias épocas. Segundo eles, a primeira coisa que pensam os estudantes quando ouvem a palavra “evolução” é na evolução bio lógica, que por sua vez não é bem compreendida. Os estudantes compreendem melhor a ev olução biológica quando a evolução é apresentada em um contexto mais amplo, que integra conceitos de física, química e biologia.
É importante explorar não só a evolução do universo, do sistema solar e da vida na Terra, mas também a evolução do conhecimento na perspectiva dos cientistas em cada campo, percebendo como esse conhecimento influiu na “evolução” do entendimento dos processos da natureza.
Aprofundar concepções baseadas no senso comum sobre a evolução dos seres vivos é algo que merece consideração por parte dos professores. Considerar as ideias prévias e avaliar o aprendizado, envolvendo os alunos em diferentes situações de pesquisa e atividades em grupos, podem ser ferramentas interessantes no estudo das teorias evolutivas. Assim, essa pesquisa foi conduzida no intuito de avaliar as percepções de alunos de uma escola pública do município de Giruá, RS, buscando compreender como eles interpretam a questão evolutiva dos seres vivos. Para tanto, procurou-se verificar a percepção dos estudantes da 4ª série do Ensino Fundamental e o aprendizado de estudantes da primeira série do Ensino Médio sobre origem e evolução da vida. Para continuar lendo...
31 julho, 2011
A filosofia faz-se pensando
http://criticanarede.com/fil_fazsepensando.html
Paulo Jorge Domingues de Sousa
Terminei o ano lectivo de 1999/2000 pensando que as aulas expositivas não funcionam bem com o 10.º ano da Introdução à Filosofia. Os alunos foram recebidos na disciplina com uma abordagem teórica que a tornou enfadonha e desmotivante, comprometendo tanto a adesão às actividades da aula como a compreensão profunda e intuitiva daquilo que é a filosofia e de quais são os horizontes que ela nos abre, enquanto pensamento crítico interessado em melhorar a nossa compreensão do mundo e de nós próprios. Caí no erro de falar sobre a filosofia, a partir de fora, e poucas vezes a pus em prática. Os resultados foram maus. Com este tipo de trabalho e de resultados, de modo algum se justifica a inclusão da Filosofia no conjunto das disciplinas de formação geral, dando lugar a aulas enfadonhas que ensinam pouco ou nada que se aproveite e que constitui apenas perda de tempo e de energias. Mea culpa. Das conversas que tive com os outros colegas que leccionaram o 10.º ano durante este ano lectivo, deduzi que algo semelhante se passou com as suas turmas. ... Veja mais aqui
15 julho, 2011
17ª CRE Realiza o I Curso de Formação Continuada para Profissionais da Educação
Acontecerá também, no dia 18, o I Colóquio Sobre Formação Continuada de Trabalhadores em Educação, evento esse desenvolvido em parceria com instituições de ensino superior da Região, Cpers e outras CREs e visa proporcionar o debate e a reflexão de 16 áreas de ensino.
02 abril, 2011
01 abril, 2011
Secretário da Educação do RS visita Santa Rosa
Em Santa Rosa, nesta sexta feira, secretário da Educação do RS, Jose Clovis de Azevedo anunciou concurso para o 2º Semestre de 2011, como demais ações do Governo. Infraestrutura, formação de professores e fundamentos pedagógicos serão as ações principais da Seduc.
O secretário participou também de uma reunião com os dirigentes das instituições de ensino superior da Região. Ficou acertado que as instituições públicas e comunitárias irão elaborar uma proposta em conjunto para a formação de professores.
Ainda na palestra com lideranças políticas de toda a região, diretores e professores de escolas o secretário fez críticas o GEEMPA por afirmar que alfabetiza crianças em um mês. Segundo o Secretário é preciso respeitar o ritmo intelectual de cada criança. Está sendo pensado o ciclo de alfabetização para crianças de 6, 7 e 8 anos. Nesse período deve ser respeitado o percurso da alfabetização de cada estudante. No final do ciclo os estudantes devem sair alfabetizados. "O Estado não pode terceirizar serviços que lhe é de sua obrigação. É papel da Secretaria da Educação desenvolver e apresentar propostas de alfabetização à sociedade gaúcha", afirma Azevedo.
04 abril, 2010
Conferência Nacional de Educação - CONAE 2010
Entre plenárias e discussões sobre a Educação, estiveram reunidos no Ministério de Educação para tratar sobre o PAR com a chefe de gabinete da Secretaria de Educação Básica professora Godiva de Vasconcelos a secretária Fátima Ehlert, Ana Cristina, Jarbas Felicio e o secretário de educação de Porto Xavier professor Edio Eckerleben.
Por Jarbas Felício Cardoso,
Sandra Pimmel e Ana Cristina Duarte.
Organizada pelo MEC e desenvolvida em três etapas: municipal, regional e estadual, no ano de 2009; a Etapa Nacional da Conferência Nacional de Educação - CONAE teve seu desfecho entre os dias 28 de março a 01 de abril, em Brasília/DF. No decorrer de suas etapas contou com a participação de mais de 400 mil pessoas da sociedade civil, que além de estudar, debater e propor emendas sobre educação tiveram a responsabilidade de aprovar o documento referência que é composto por cinco eixos temáticos: EIXO I - Papel do Estado na Garantia do Direito à Educação de Qualidade: Organização e Regulação da Educação Nacional; EIXO II - Qualidade da Educação, Gestão Democrática e Avaliação; EIXO III - Democratização do Acesso, Permanência e Sucesso Escolar; EIXO IV - Formação e Valorização dos Profissionais da Educação; EIXO V - Financiamento da Educação e Controle Social; EIXO VI - Justiça Social, Educação e Trabalho: Inclusão, Diversidade e Igualdade.
Além de ser um dos primeiros municípios do Estado a realizar a etapa municipal, Giruá teve sua participação na etapa estadual com a representação de quatro delegados da Secretaria Municipal de Educação de nosso município: a Secretária de Educação e Cultura, Fátima Anise Rodrigues Ehlert, representando os gestores, o Assessor Pedagógico, Jarbas Felicio Cardoso, representando os trabalhadores em educação e a Supervisora da SMEC, Ana Cristina Czegelski Duarte, representando o Conselho Municipal de Educação e também, de Giruá, a Técnica da SEMA e Bióloga, Melissa Bergmann, representando o segmento pais. Através do processo de votação entre na Etapa Estadual, foram eleitos delegados do Estado: a Secretária Fátima, o Assessor Jarbas e a supervisora Ana Cristina, que representaram com demais delegados, o Estado do Rio Grande do Sul, em Brasília.
A CONAE Nacional representa um marco histórico para a educação nacional; participaram deste evento cerca de 3000 mil pessoas, dentre elas representantes de educadores, gestores, empresários, estudantes e pais, de todo o Brasil, para discutir o Plano Nacional de Educação que irá nortear as ações da educação no país nos próximos dez anos.
Além de reunir representantes do Brasil , observadores e pesquisadores de outros países da América Latina puderam participar do evento e das plenárias que tratavam da aprovação do documento final, a CONAE ficou marcada também por ser um espaço do exercício da democracia que se materializou em colóquios, seminários, palestras, plenárias, debates e shows culturais, todos sendo ministrados por grandes nomes da intelectualidade do país, dentre eles o Ministro da Educação, Fernando Haddad, o Senador Cristovan Buarque, o escritor e poeta Ariano Suassuna e outros. O ponto alto do encerramento foi a presença do Excelentíssimo Senhor Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. Parabéns aos giruaenses participantes da CONAE.
30 maio, 2009
O conceito de meio ambiente II

Fazendo uma abordagem sobre o conceito de meio ambiente podemos afirmar que os significados das palavras “meio” e “ambiente” referem-se a variadas questões. Tradicionalmente, a palavra “meio” tem conotação advinda do conhecimento científico experimental, mais relacionada ao sentido de substância. O termo “ambiente” fora utilizado em épocas passadas como “circunstâncias”, isto é, como os fatores circundantes que influiriam na vida dos seres vivos. A expressão “meio ambiente”, portanto, é mais restritiva do que “ambiente”, referindo-se ao “meio” "circundante”.
O meio ambiente é considerado como um lugar determinado ou percebido, onde ocorre interação entre os elementos naturais e sociais. Essa interação implica processos de criação cultural e tecnológica e processos históricos e sociais de transformações do meio natural e construído. Por isso, pensar o meio ambiente é pensar a natureza e os espaços modificados pela ação humana. É considerar a importância das matas e da biodiversidade, mas também valorizar o ambiente urbano.
Na próxima semana vivenciaremos a Semana Mundial do Meio Ambiente e, portanto, tal conceito exige de nós, seres livres e conscientes, uma reflexão sobre nossa condição com relação ao que nos circunda. Cabe no mínimo o questionamento: será que estamos de fato cuidando de nosso meio ambiente?
Por que secam as fontes

Na atualidade, em Giruá, nos deparamos com uma estiagem que para muitos pode parecer normal. Mesmo assim, o número de famílias do interior do município que se encontram sem água para beber em suas propriedades é estarrecedor. Nunca houve, por exemplo, necessidade de a prefeitura levar água para residências do meio rural. Cabe a nós nos questionarmos sobre tais fatos. Por que estão secando nossas fontes de água? Será que dentro dessa “normalidade” de escassez das chuvas não está acrescida também a intervenção de nossas ações?
O Brasil é um país rico em águas superficiais e subterrâneas para consumo humano. Comparativamente, Giruá não difere de tal posição. Com altitude entre 300-400 metros, é local de afloramento de muitas nascentes. Entretanto, a alteração dos ambientes pode estar modificando os ciclos hídricos. O solo, com pouca ou desprovido de qualquer vegetação, já não retém a água das chuvas, que carrega consigo parte do material superficial, ocasionando erosão e assoreamento nos rios.
Relevantes ecossistemas são também as áreas alagadas, como os banhados, que apresentam flora e fauna características, e são funcionalmente importantes como reservatórios de água. São responsáveis pela atenuação de cheias e atuam na recarga e descarga de águas subterrâneas. Os banhados, no entanto, estão ameaçados no Rio Grande do Sul pelas drenagens (retirada de água) para diversos fins. Isso compromete o armazenamento de água no subsolo.
Embora não existam estudos concludentes sobre a crise da água que vive nossa região, faz-se necessário e com urgência fazermos uma reflexão sobre nossas ações. Ou achamos uma solução para conciliar produção e respeito aos ecossistemas ou nos encaminharemos para uma situação calamitosa em que nossas fontes de água cada vez mais irão sucumbir.
13 março, 2009
IGREJA E PATRIARCADO


Por Luciano Gonçalves Soares*
Recentemente assistimos à notícia de excomunhão de uma criança de 11 anos e de sua mãe em Pernambuco. A criança fora estuprada e corria risco de morte. Paira sobre o risco de morte da menina, a causa primacial de mãe e filha serem mulheres e pobres, portanto vítimas da prepotência do poder masculino, que traduz nas relações sexuais as posições de poder socieconômico ao longo da História. O bispo pernambucano José Gomes Sobrinho, ao excomungar as mulheres pobres vítimas de uma violência antes de mais nada patriarcal, não exprobrou com a mesma pena o estuprador, alegando que para a Igreja Católica o aborto é mais grave do que o estupro. Não é bem assim.
Quem conhece a história das igrejas, e a forma como a Igreja Católica adquiriu e manteve o predomínio sobre as consciências humanas por longos anos no Ocidente, não podia esperar outra decisão do bispo de Olinda. Toda igreja é um sujeito situado historicamente, e por isso analisável nas relações que mantém com os grupos humanos e nos posicionamentos a respeito da igualdade ou desigualdade entre os grupos.
Ora, os povos europeus e americanos que sofreram influência ideológica católica não conheceram harmonia nas relações humanas. Pelo contrário, a história ocidental assinala-se por lutas de classes com interesses econômicos antagônicos e inconciliáveis. A maneira como esses antagonismos se resolveram foi a violência: a guerra, o extermínio de povos americanos, a destruição de línguas, culturas e identidades dos grupos de pessoas vencidas e a submissão, econômica antes de tudo, total dos derrotados. Os humanos vencedores justificavam-se ideologicamente, com a atribuição de sua vitória a entidades divinas, sobrenaturais.
Nesse contexto a Igreja Católica Romana surgiu. Roma foi a sede de um dos maiores impérios político-econômicos que houve na História. O predomínio das opiniões e doutrinas do bispo de Roma sobre os de outras capitais importantes para o Cristianismo, como Istambul, Cartago e Antioquia deve-se unicamente ao prestígio geoeconômico dos poderosos ligados ao bispado de Roma durante toda a Idade Média, a ponto de a Igreja Católica formar um Estado – o Vaticano.
Portanto, qual foi a orientação ideológica que o Vaticano imprimiu ao Cristianismo? A justificação dos poderosos com os quais entretinha interesses. Os bispos de Roma coroavam e abençoavam os reis da Europa ocidental, e as monarquias desse lado europeu pagavam, na forma de tributos ao Papa, a pompa vaticana. Que esperar das encíclicas senão a legitimação do status?
Tal legitimação revestiu-se da bênção divina ao patriarcado, regime social em que a autoridade máxima pertence aos homens que exercem as decisões políticas e econômicas, e exigem a obediência dos homens socialmente subalternos, das crianças e das mulheres. Por não exercerem a guerra e as atividades que enriqueciam – e que eram e são a motivação de todas as guerras – as mulheres e as crianças foram destinadas à obediência masculina, a qual se devia no lar ao marido e pai, esteio econômico da família, mas principal e realmente aos homens que de fato exerciam o poder político e econômico sobre o seu marido e pai.
A finalidade ideológica do Vaticano, no seio da família, era, e não mudou, aconselhar a obediência ao pai e marido, para ir pro céu. Quem desobedece ao patriarcado, ofende a Deus, e a essas mulheres e crianças rebeldes estava, e continua sendo, destinado o inferno. Por isso, pela legitimação do patriarcado, o Vaticano – Estado e órgão oficial da Igreja Católica – sempre se manteve omisso à violência doméstica, que é antes de tudo a violência legitimada pelas relações socieconômicas do patriarca sobre os seus subalternos.
Ao excomungar as vítimas do estupro em Olinda, por causa do aborto, e absolver pela omissão o estuprador, o bispo de Olinda foi absolutamente fiel à orientação do Vaticano, que não mudou: a finalidade da Igreja Católica é legitimar as relações de poder. No seio da família, tais relações se traduzem pela legitimidade do macho da casa em estuprar as fêmeas.
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* Professor de Língua Portuguesa na Faculdade Batista Pioneira de Ijuí
Professor de Língua Portuguesa e de Literatura no Instituto João XXIII – Giruá -RS
26 setembro, 2008
Nota ao leitor do Blog Mora na Psicologia.

Por fim, quero informar aos muitos que aqui chegam que, se não este ano, então no próximo, estarei retomando a idéia do blog Mora na Psicologia. Pretendo dar mais ênfase a conteúdos sobre Filosofia e Sociologia, pois é sobre estas duas áreas que estou desenvolvendo minhas atividades pedagógicas junto de meus novos alunos no Instituto Estadual de Educação João XXIII de Giruá, RS. Solobrás Consultoria Ambiental
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Jarbas Felicio Cardoso
20 fevereiro, 2008
Schopenhauer, mulheres e vontade de viver

Por Jarbas Felicio
Tenho andado ocupado, lendo Schopenhauer e, ao contrário do que se possa imaginar, tais leituras tem sido boas, fizeram-me pensar sobre n questões. Por exemplo, cheguei a conclusão sobre o motivo dele não gostar das mulheres, na verdade penso que o que mais deveria irritá-lo era a forma como as mulheres se portavam, ou de como se deixavam manipular e dominar. Tal realidade fez com que ele pensa-se nas mulheres como bestas. Não que ele não gostasse de mulheres, pelo que me consta na literatura, deveria gostar. O fato é que ele condenava a forma de ser das mulheres, como afirmei acima, penso que ele não suportava ver a exploração dessas. Ele não deveria admitir que seres dotados de igual inteligência, assim como o gênero oposto, deixavam-se simplesmente tornar-se meros objetos de reprodução e de fins voltados para a questão simplista de sexualidade. Se Schopenhauer vive-se nos dias atuais, creio que seria um feminista, um defensor das mulheres.
Dia desses, olhando o carnaval e vendo uma mulher gabar-se de estar desfilando com o menor tapa-sexo, (esta foi tratada como a “mulher do boi” por seu assistente ao colocar o dito tapa-sexo), percebi que algumas coisas não foram alteradas com relação à época de Schopenhauer. As mulheres de hoje, em grande número, continuam portando-se como no passado, pegando para si, o papel de meros objetos da exploração simplória sobre a sexualidade. Devo admitir que achei interessante a indumentária da mulher participante do carnaval, o que não gostei foi da forma como esta deixou ser tratada na totalidade. Há outros argumentos sobre essa questão dos quais defendo e que me fazem não me contradizer sobre a exploração sexual. Como não sou feminista, não vou aprofundar-me nesta questão. Vou deixar essa parte para as mulheres ou feministas.
Não sei por que escrevi sobre mulheres, na verdade o que mais tem me chamado a atenção nas leituras em Schopenhauer é sua descrição sobre a existência humana. E agora de forma mais aprofundada, estou compreendo o porquê das suas afirmações, tipo: viver é sofrer. Quando lia esse tópico, em qual ele argumenta sobre o viver e querer viver, lembrei-me de realidades existenciais das quais me deparo em meu eu e no de outras pessoas.
Somos na verdade criaturas que nunca estamos completamente satisfeitas, sempre estamos querendo. Há uma aspiração contínua em querer. Eis aí a origem de todo o sofrer humano. A tese schopenhaueriana do querer difere de tantas outras por relacionar a constante insatisfação humana a uma fonte de origem inorgânica, de uma “essência íntima da vida universal” que se transforma também orgânica. A origem do querer humano não se encontra na questão externa, cultural e, sim, na constituição do próprio ser. Ela se faz orgânica e por sua força de vontade se manifesta á luz de nossa consciência. Toda vez que tal força de vontade se depara com algum obstáculo gera, portanto o bloqueio da satisfação, e dessa forma o sofrimento. A questão do viver e querer viver é infindável com relação ao sofrimento, pois, se estivermos tristes e insatisfeitos com algo, na media que essa tristeza é superada, outra e de igual característica surge, fazendo desta forma com que o sofrimento nunca (ou por curtos momentos) deixe de se fazer presente em nossa existência. Tal problemática do sofrer constante já vem codificada em nosso ser orgânico e se faz sentir (entender) no homem em sua representatividade conceitual que desenvolvemos sobre as coisas. E é justamente por possuirmos o entendimento das coisas é que somos os entes que mais sofrem com tal realidade.
A saída para tal sofrimento, que nunca cessa em nosso ser, está na recusa do querer, afirma Schopenhauer. É a recusa da vontade (natureza, ou então, manifestação desta em nós para se manter sempre viva, sempre renovada). Essa negação da vontade, (em nós a vontade se manifesta sob a forma p.ex., de desejo, sexo, reprodução), é na verdade trágica, funciona tipo uma anestesia que precisamos dar em nossas vidas com relação ao nosso querer, resumindo essa questão em uma palavra, ataraxia (outra hora explico melhor).
Penso que enquanto não fizermos a tal da ataraxia, a sugestão para encontrarmos um pouco de trégua do sofrer é, segundo o próprio Schopenhauer, aproveitar de forma lenta estes raros momentos de satisfação. São exatamente esses os responsáveis por materializar em nosso espírito o que compreendemos por felicidade.
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Ainda estou trabalhando no texto.
18 fevereiro, 2008
Uma reflexão sobre as ciências humanas e o mercado de trabalho
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In: http://portal.filosofia.pro.br/blog.html
04 dezembro, 2007
Estudos sobre ética (resumo)
Deontologia - Do grego δέον, dever + λόγος, tratado. O termo deontologia refere-se ao ramo da ética cujo objeto de estudo são os fundamentos do dever e as normas morais.
Para deontologia nem só as consequências das nossas ações as tornam certas ou erradas. Muitas ações são intrinsecamente erradas, ou seja, erradas independentemente das suas conseqüências. Podemos dizer, aliás, que todos temos de respeitar certos deveres que proíbem a realização dessas ações.
Imperativo categórico kantiano - É um dever fundamentado pela conhecida máxima “aja de modo que queiras que a tua lei se torne universal”.
Para Kant, o ato moral seria então a ação conforme este dever expresso na máxima. Ou melhor, seria agir de acordo com o dever, por dever, sem qualquer outro tipo de inclinação senão o próprio ato. A ação boa em si mesma, independente dos fins, é o que distingue fundamentalmente o utilitarismo da ética kantiana.
Utilitarismo - (ética utilitarista) pode ser caracterizada por aquilo que se denomina como princípio da utilidade, ou melhor, uma ação é útil e, portanto, justa, ética e correta, quando traz mais felicidade do que sofrimento aos atingidos. Deste modo, o prejuízo de alguns poderia ser justificado pelo benefício de outros, desde que estes estivessem em maior número (cálculo de maximização do bem).
O relativismo moral - A moral é uma criação de cada sociedade, e é inevitável refletir os padrões de cultura da sociedade que lhe deu origem. Ou seja, define uma moral própria e característica.
Se os valores morais fossem objetivos, não dependeriam de nenhum ponto de vista particular.
Portanto, os valores morais não são objetivos.
Ética empresarial - Diz respeito a como deve o lucro ser concebido no contexto mais amplo da produtividade e da responsabilidade social, e como podem as grandes empresas, enquanto comunidades complexas, servir tanto os seus empregados como a sociedade na qual se encontram.
Sua primeira tarefa é abrir caminho por entre alguns mitos e metáforas altamente incriminatórios que, mais do que esclarecer, obscurecem o espírito subjacente que torna a atividade empresarial possível.
Resumo e foto por Jarbas Felicio Cardoso.
20 novembro, 2007
Ética e violência
Quando acompanhamos a história das idéias éticas, desde a Antiguidade clássica (greco-romana) até nossos dias, podemos perceber que, em seu centro, encontra-se o problema da violência e dos meios para evitá-la, diminuí-la, controlá-la. Diferentes formações sociais e culturais instituíram conjuntos de valores éticos como padrões de conduta, de relações intersubjetivas e interpessoais, de comportamentos sociais que pudessem garantir a integridade física e psíquica de seus membros e a conservação do grupo social.Evidentemente, as várias culturas e sociedades não definiram e nem definem a violência da mesma maneira, mas, ao contrário, dão-lhe conteúdos diferentes, segundo os tempos e os lugares. No entanto, malgrado as diferenças, certos aspectos da violência são percebidos da mesma maneira, nas várias culturas e sociedades, formando o fundo comum contra o qual os valores éticos são erguidos. Fundamentalmente, a violência é percebida como exercício da força física e da coação psíquica para obrigar alguém a fazer alguma coisa contrária a si, contrária aos seus interesses e desejos, contrária ao seu corpo e à sua consciência, causando-lhe danos profundos e irreparáveis, como a morte, a loucura, a auto-agressão ou a agressão aos outros.
Quando uma cultura e uma sociedade definem o que entendem por mal, crime e vício, circunscrevem aquilo que julgam violência contra um indivíduo ou contra o grupo. Simultaneamente, erguem os valores positivos – o bem e a virtude – como barreiras éticas contra a violência.
Em nossa cultura, a violência é entendida como o uso da força física e do constrangimento psíquico para obrigar alguém a agir de modo contrário à sua natureza e ao seu ser. A violência é a violação da integridade física e psíquica, da dignidade humana de alguém. Eis por que o assassinato, a tortura, a injustiça, a mentira, o estupro, a calúnia, a má-fé, o roubo são considerados violência, imoralidade e crime.
Considerando que a humanidade dos humanos reside no fato de serem racionais, dotados de vontade livre, de capacidade para a comunicação e para a vida em sociedade, de capacidade para interagir com a Natureza e com o tempo, nossa cultura e sociedade nos definem como sujeitos do conhecimento e da ação, localizando a violência em tudo aquilo que reduz um sujeito à condição de objeto. Do ponto de vista ético, somos pessoas e não podemos ser tratados como coisas. Os valores éticos se oferecem, portanto, como expressão e garantia de nossa condição de sujeitos, proibindo moralmente o que nos transforme em coisa usada e manipulada por outros.
A ética é normativa exatamente por isso, suas normas visando impor limites e controles ao risco permanente da violência.
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in.: Convite à Filosofia, de Marilena Chaui. Ed. Ática, São Paulo, 2000.