Quando
professor de uma escola técnica, na cidade de Porto Alegre/RS, trabalhei com a cadeira
chamada Psicologia da Comunicação e Ética. Nessa atividade, uma das perguntas
que os alunos e alunas sempre faziam era: professor como devo me comportar numa
entrevista de emprego? Essa indagação era sempre desafiadora. Primeiro porque
também não tinha experiência em psicologia e em recursos humanos, segundo,
porque percebia haver uma confiança muito grande daqueles jovens estudantes na
figura do professor de psicologia.
O
objetivo curricular da cadeira de Psicologia da Comunicação e Ética era
desenvolver conhecimento conceitual básico sobre as principais abordagens
clássicas da psicologia, ou melhor, era provocar no aluno ou aluna a
compreensão das principais correntes de pensamento que compõem a psicologia, por
exemplo, a Psicanálise, a Teoria da Gestalt, o Behaviorismo e o Humanismo. Num
segundo momento trabalhava-se a questão da ética. Tudo correlacionado em
discussões com a formação proporcionada pelos cursos técnicos que a cadeira
atendia. Nesse caso, atendia alunos e alunas dos cursos técnicos em publicidade
e propaganda, contabilidade e secretariado. Entre as discussões sobre
psicologia e comportamento ético surgiam de forma natural a indagação sobre
como se comportar numa entrevista de emprego. Algo muito natural e oportuno daqueles
jovens que procuravam naquele meio a qualificação e a oportunidade de inserção no
mercado de trabalho.
Mas
afinal como comportar-se numa entrevista de emprego? Voltando a angustia do
professor e dos estudantes. Do professor, pois como já afirmado, não se tinha
experiência nesse campo de recursos humanos. Dos estudantes porque era também
uma necessidade de obter a informação para conquistar uma vaga de emprego. Todos
as noites quando o professor regressava das aulas para casa procurava respostas
de como contribuir com aqueles jovens de forma concreta e dentro de suas
capacidades.
Quem
é da área da educação sabe que não existem fórmulas mágicas, prontas para
aprendizagem, por outro lado, sabe que o esforço, o trabalho e a persistência
são respostas para muitas coisas. Ao chegar em casa, o professor fazia muita
pesquisa bibliográfica e leituras sobre o tema. Também conversava com amigos
psicólogos para ver o que se exigia, qual era o método, o que realmente contava
para o sucesso em uma entrevista de emprego, tudo para que seus os alunos
tivessem sucesso.
Com
o tempo constatou-se o óbvio, isto é, que numa entrevista de emprego também não
existem fórmulas mágicas, e há um conjunto de fatores que influenciam. Por
exemplo, do lado de quem busca um emprego o requisito básico é a formação e a
capacidade técnica, a habilidade de transmitir a sua aptidão e motivação ao
emprego que se está a candidatar. Pesa muito o autoconhecimento. Do lado de
quem contrata, depende de qual perfil profissional a empesa procura contratar, por
exemplo, se é uma pessoa de perfil mais extrovertido, comunicativo o que geralmente
é dotado de grande carisma e poder de persuasão, liderança. Ou uma pessoa mais
centrada, mais analista, detalhista e meticulosa. Há também a influência
até do profissional recrutador.
Atualmente,
na internet, encontram-se muitas dicas de professionais da área orientando de
como se comportar numa entrevista de emprego. Nessas dicas é importante prestar
atenção no que é o básico, isto é, o cuidado com o horário, de chegar no tempo certo
da entrevista, nem muito antes e muito menos atrasado; ter conhecimento sobre a
empresa, quem são os dirigentes, qual o ramo, os valores da empresa, sua missão
e visão, sobre o profissional que ela está à procura; vestir-se adequadamente
ao cargo; no momento da entrevista demonstrar interesse, ter cuidado com a
forma de se expressar, com uso de gírias (dependendo do cargo); procurar ser
objetivo e claro nas respostas, isso
contribui para demonstrar que o candidato tem domínio e conhecimento sobre a área.
Com
o passar o do tempo, percebi ser útil aqueles jovens estudantes, não necessariamente
pelas dicas básicas que se encontra na internet de como se comportar no momento
de uma entrevista de emprego, mas sim pela formação que se foi desenvolvendo ao
longo da cadeira, do autoconhecimento que a própria leitura de psicologia lhes causou,
da reflexão ética e da importância que é agir e procurar agir de forma correta,
tanto no dia-a-dia, como nas atividades profissionais. Afinal o que mais pesa numa
entrevista de emprego são as competências e habilidades técnicas, os valores
humanistas e éticos que se constituem em uma pessoa, isso tanto no percurso
profissional como na vida como um todo.
Jarbas Cardoso é professor, tem experiência em gestão
pública. Atualmente reside em Coimbra, onde cursa seu mestrado em Inovação e
Empreendedorismo Social.

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