05 novembro, 2007

A filosofia moral de Kant


Por Anthony Kenny
Universidade de Oxford

Assim como a primeira Crítica estabeleceu criticamente os princípios sintéticos a priori da razão teórica, a Fundamentação da Metafísica dos Costumes (1785) estabelece criticamente os princípios sintéticos a priori da razão prática. Trata-se de uma breve e eloquente apresentação do sistema moral de Kant.

Na moral, o ponto de partida de Kant é o de que o único bem irrestrito é uma vontade boa. Talento, carácter, autodomínio e fortuna podem ser usados para alcançar maus fins; até mesmo a felicidade pode corromper. O que constitui o bem de uma vontade boa não é o que esta alcança; a vontade boa é um bem em si e por si.

Ainda que por um desfavor especial do destino, ou pelo apetrechamento avaro duma natureza madrasta, faltasse totalmente a esta boa vontade o poder de fazer vencer as suas intenções, mesmo que nada pudesse alcançar a despeito dos seus maiores esforços, e só afinal restasse a boa vontade […] ela ficaria brilhando por si como uma jóia, como coisa que em si tem o seu pleno valor.

Não foi para procurar a felicidade que os seres humanos foram dotados de vontade; para isso, o instinto teria sido muito mais eficiente. A razão foi-nos dada para originar uma vontade boa não enquanto meio para outro fim qualquer, mas boa em si. A vontade boa é o mais elevado bem e a condição de possibilidade de todos os outros bens, incluindo a felicidade.

Que faz, pois, uma vontade ser boa em si? Para responder a esta questão, temos de investigar o conceito de dever. Agir por dever é exibir uma vontade boa face à adversidade. Mas temos de distinguir entre agir de acordo com o dever e agir por dever. Um merceeiro destituído de interesse pessoal ou um filantropo que se deleite com o contentamento alheio podem agir de acordo com o dever. Mas acções deste tipo, por melhores e por mais agradáveis que sejam não têm, de acordo com Kant, valor moral. O nosso carácter só mostra ter valor quando alguém pratica o bem não por inclinação mas por dever — quando, por exemplo, um homem que perdeu o gosto pela vida e anseia pela morte continua a dar o seu melhor para preservar a sua própria vida, de acordo com a lei moral.

A doutrina de Kant é, a este respeito, completamente oposta à de Aristóteles, que defendia não serem as pessoas realmente virtuosas desde que o exercício da virtude fosse contra a sua natureza; a pessoa verdadeiramente virtuosa gosta decididamente de praticar actos virtuosos. Para Kant, por outro lado, é a dificuldade de praticar o bem que é a verdadeira marca da virtude. Kant dá-se conta de ter estabelecido padrões intimidadores de conduta moral — e está perfeitamente disposto a considerar a possibilidade de nunca ter havido, de facto, uma acção levada a cabo unicamente com base na moral e em função do sentido do dever.

O que é, pois, agir por dever? Agir por dever é agir em função da reverência pela lei moral; e a maneira de testar se estamos a agir assim é procurar a máxima, ou princípio, com base na qual agimos, isto é, o imperativo ao qual as nossas acções se conformam. Há dois tipos de imperativos: os hipotéticos e os categóricos. O imperativo hipotético afirma o seguinte: se quisermos atingir determinado fim, age desta ou daquela maneira. O imperativo categórico diz o seguinte: independentemente do fim que desejamos atingir, age desta ou daquela maneira. Há muitos imperativos hipotéticos porque há muitos fins diferentes que os seres humanos podem propor-se alcançar. Há um só imperativo categórico, que é o seguinte: "Age apenas de acordo com uma máxima que possas, ao mesmo tempo, querer que se torne uma lei universal".

Kant ilustra este princípio com vários exemplos, dos quais podemos mencionar dois. O primeiro é este: tendo ficado sem fundos, posso cair na tentação de pedir dinheiro emprestado, apesar de saber que não serei capaz de o devolver. Estou a agir segundo a máxima "Sempre que pensar que tenho pouco dinheiro, peço dinheiro emprestado e prometo pagá-lo, apesar de saber que nunca o devolverei". Não posso querer que toda a gente aja segundo esta máxima, pois, nesse caso, toda a instituição da promessa sucumbiria. Assim, pedir dinheiro emprestado nestas circunstâncias violaria o imperativo categórico.

Um segundo exemplo é este: uma pessoa que esteja bem na vida e a quem alguém em dificuldades peça ajuda pode cair na tentação de responder "Que me interessa isso? Que todos sejam tão felizes quanto os céus quiserem ou quanto o conseguirem; não o prejudicarei, mas também não o ajudo". Esta pessoa não pode querer que esta máxima seja universalizada porque pode surgir uma situação na qual ela própria precise do amor e da simpatia de outras.

Estes casos ilustram duas maneiras diferentes a que o imperativo categórico se aplica. No primeiro caso, a máxima não pode ser universalizada porque a sua universalização implicaria uma contradição (se ninguém cumprir as suas promessas, as próprias promessas deixam de existir). No segundo caso, a máxima pode ser universalizada sem contradição, mas ninguém poderia racionalmente querer a situação que resultaria da sua universalização. Kant afirma que os dois casos correspondem a dois tipos diferentes de deveres: deveres estritos e deveres meritórios.

Nem todos os exemplos de Kant são convincentes. Ele defende, por exemplo, que o imperativo categórico exclui o suicídio. Mas, por mais que o suicídio seja um mal, nada há de autocontraditório na perspectiva do suicídio universal; e uma pessoa suficientemente desesperada pode considerá-lo um fim a desejar piedosamente.

Kant oferece uma formulação complementar do imperativo categórico. "Age de tal modo que trates sempre a humanidade, quer seja na tua pessoa quer na dos outros, nunca unicamente como meios, mas sempre ao mesmo tempo como um fim." Kant pretende, apesar de não ter convencido muitos dos seus leitores, que este imperativo é equivalente ao anterior e que permite retirar as mesmas conclusões práticas. Na verdade, é mais eficaz do que o anterior para expulsar o suicídio. Tirar a nossa própria vida, insiste Kant, é usar a nossa própria pessoa como um meio de acabar com o nosso desconforto e angústia.

Como ser humano, afirma Kant, não sou apenas um fim em mim mesmo, sou um membro do reino dos fins — uma associação de seres racionais sob leis comuns a todos. A minha vontade, como se disse, é racional na medida em que as suas máximas puderem transformar-se em leis universais. A conversa desta afirmação diz que a lei universal é a lei feita por vontades racionais como a minha. Um ser racional "só está sujeito a leis feitas por si mesmo e que, no entanto, sejam universais". No reino dos fins, todos somos igualmente legisladores e súbditos. Isto faz lembrar a vontade geral de Rousseau.

Kant conclui a exposição do seu sistema moral com um panegírico à dignidade da virtude. No reino dos fins, tudo tem um preço ou uma dignidade. Se algo tem um preço, pode ser trocado por qualquer outra coisa. O que tem dignidade é único e não pode ser trocado; está além do preço. Há dois tipos de preços, afirma Kant: o preço venal, que está relacionado com a satisfação da necessidade; e o preço de sentimento, relacionado com a satisfação do gosto. A moralidade está para lá e acima de ambos os tipos de preço.

A "moralidade, e a humanidade enquanto capaz de moralidade, são as únicas coisas que têm dignidade. A destreza e a diligência no trabalho têm um preço venal; a argúcia de espírito, a imaginação viva e as fantasias têm um preço de sentimento; pelo contrário, a lealdade nas promessas, o bem querer fundado em princípios (e não no instinto) têm um valor intrínseco." As palavras de Kant ecoaram ao longo do século XIX e ainda emocionam muitas pessoas hoje em dia.

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Retirado de História Concisa da Filosofia Ocidental, de Anthony Kenny (Temas e Debates, 1999).

In.: http://www.criticanarede.com

A final o que são valores?


Por Carlos Fontes


Quando decidimos fazer algo, estamos a realizar uma escolha. Manifestamos certas preferências por umas coisas em vez de outras. Evocamos então certos motivos para justificar as nossas decisões.
Fatos e valores
Todos estes motivos podem ser apoiados em fatos, mas têm sempre implícitos certos valores que justificam ou legitimam as nossas preferências.
Exemplo:
O dia 04 de novembro de 2007 foi o dia mais importante da semana, era um domingo.
Facto: O dia 04 de novembro de 2007 foi efetivamente um domingo.
Valor implícito: O domingo como o dia mais importante entre os dias da semana
Fato
Um fato é algo que pode ser comprovado, sobre o qual podemos dizer que a afirmação é verdadeira ou falsa. Os fatos são igualmente susceptíveis de gerarem consensos universais.

ValorPodemos definir os valores partindo das várias dimensões em que usamos:
a) os valores são critérios segundo os quais valorizamos ou desvalorizamos as coisas;
b) Os valores são as razões que justificam ou motivam as nossas ações, tornando-as preferíveis a outras.
Os valores reportam-se, em geral, sempre a ações, justificam-nas.
Exemplo: Participar numa manifestação a favor do povo timorense,pode significar que atribuímos à Solidariedade uma enorme importância. A solidariedade é neste caso o valor que justifica ou explica a nossa ação.
Ao contrário dos factos, os valores apenas implicam a adesão de grupos restritos. Nem todos possuímos os mesmos valores, nem valorizamos as coisas da mesma forma.
Tipos de valoresOs valores não são coisas nem simples ideias que adquirimos, mas conceitos que traduzem as nossas preferências. Existe uma enorme diversidade de valores, podemos agrupá-los quanto à sua natureza da seguinte forma:
Valores éticos: os que se referem às normas ou critérios de conduta que afetam todas as áreas da nossa atividade. Exemplos: Solidariedade, Honestidade, Verdade, Lealdade, Bondade, Altruísmo...
Valores estéticos: os valores de expressão. Exemplo: Harmonia, Belo, Feio, Sublime, Trágico.
Valores religiosos: os que dizem respeito à relação do homem com a transcendência. Exemplos: Sagrado, Pureza, Santidade, Perfeição.
Valores políticos: Justiça, Igualdade, Imparcialidade, Cidadania, Liberdade.
Valores vitais: Saúde, Força.
Hierarquização dos ValoresNão atribuímos a todos os nossos valores a mesma importância. Na hora de tomar uma decisão, cada um de nós, hierarquiza os valores de forma muito diversa. A hierarquização é a propriedade que tem os valores de se subordinarem uns aos outros, isto é, de serem uns mais valiosos que outros. As razões porque o fazemos são múltiplas.
Exemplo:
A maioria da população mundial continua a passar graves carências alimentares. Todos os anos morrem milhões de pessoas por subnutrição. Não é de querer que hierarquia dos seus valores destas pessoas a satisfação das suas necessidades biológicas não esteja logo em primeiro lugar.

Polaridade dos Valores
Os nossos valores tendem a organizar-se em termos de oposições ou polaridades. Preferimos e opomos a Verdade à Mentira, a Justiça à Injustiça, o Bem ao Mal, a beleza à fealdade, a generosidade à mesquinhes. A palavra valor costuma apenas ser aplicada num sentido positivo. Embora o valor seja tudo aquilo sobre o qual recaia o ato de estima positiva ou negativamente. Valor é tanto o
Bem, como o Mal, o Justo como Injusto..

04 novembro, 2007

A ética de Kant



Por James Rachels

Como muitos outros filósofos, Kant pensava que a moralidade pode resumir-se num princípio fundamental, a partir do qual se derivam todos os nossos deveres e obrigações. Chamou a este princípio «imperativo categórico». Na Fundamentação da Metafísica dos Costumes (1785) exprimiu-o desta forma:
Age apenas segundo aquela máxima que possas ao mesmo tempo desejar que se torne lei universal.
No entanto, Kant deu igualmente outra formulação do imperativo categórico. Mais adiante, na mesma obra, afirmou que se pode considerar que o princípio moral essencial afirma o seguinte:
Age de tal forma que trates a humanidade, na tua pessoa ou na pessoa de outrem, sempre como um fim e nunca apenas como um meio.
Os estudiosos têm-se perguntado desde então por que razão pensava Kant que estas duas regras são equivalentes. Parecem exprimir concepções morais diferentes. Serão, como Kant pensava aparentemente, duas versões da mesma ideia básica, ou são simplesmente ideias diferentes? Não nos vamos deter nesta questão. Vamos, em vez disso, concentrar-nos na crença de Kant de que a moralidade exige que tratemos as pessoas «sempre como um fim e nunca apenas como um meio». O que significa exactamente isto, e que razão há para pensar que é verdade?
Quando Kant afirmou que o valor dos seres humanos «está acima de qualquer preço» não tinha em mente apenas um efeito retórico, mas sim um juízo objectivo sobre o lugar dos seres humanos na ordem das coisas. Há dois factos importantes sobre as pessoas que apoiam, do seu ponto de vista, este juízo.
Primeiro, uma vez que as pessoas têm desejos e objectivos, as outras coisas têm valor para elas em relação aos seus projectos. As meras «coisas» (e isto inclui os animais que não são humanos, considerados por Kant incapazes de desejos e objectivos conscientes) têm valor apenas como meios para fins, sendo os fins humanos que lhes dão valor. Assim, se quisermos tornar-nos melhores jogadores de xadrez, um manual de xadrez terá valor para nós; mas para lá de tais objectivos o livro não tem valor. Ou, se quisermos viajar, um carro terá valor para nós; mas além de tal desejo o carro não tem valor.
Segundo, e ainda mais importante, os seres humanos têm «um valor intrínseco, isto é, dignidade», porque são agentes racionais, ou seja, agentes livres com capacidade para tomar as suas próprias decisões, estabelecer os seus próprios objectivos e guiar a sua conduta pela razão. Uma vez que a lei moral é a lei da razão, os seres racionais são a encarnação da lei moral em si. A única forma de a bondade moral poder existir é as criaturas racionais apreenderem o que devem fazer e, agindo a partir de um sentido de dever, fazê-lo. Isto, pensava Kant, é a única coisa com «valor moral». Assim, se não existissem seres racionais a dimensão moral do mundo simplesmente desapareceria.
Não faz sentido, portanto, encarar os seres racionais apenas como um tipo de coisa valiosa entre outras. Eles são os seres para quem as meras «coisa» têm valor, e são os seres cujas acções conscientes têm valor moral. Kant conclui, pois, que o seu valor tem de ser absoluto, e não comparável com o valor de qualquer outra coisa.
Se o seu valor está «acima de qualquer preço», segue-se que os seres racionais têm de ser tratados «sempre como um fim e nunca apenas como um meio». Isto significa, a um nível muito superficial, que temos o dever estrito de beneficência relativamente às outras pessoas: temos de lutar para promover o seu bem-estar; temos de respeitar os seus direitos, evitar fazer-lhes mal, e, em geral, «empenhar-nos, tanto quanto possível, em promover a realização dos fins dos outros».
Mas a ideia de Kant tem também uma implicação um tanto ou quanto mais profunda. Os seres de que estamos a falar são racionais, e «tratá-los como fins em si» significa respeitar a sua racionalidade. Assim, nunca podemos manipular as pessoas, ou usá-las, para alcançar os nossos objectivos, por melhores que esses objectivos possam ser. Kant dá o seguinte exemplo, semelhante a outro que utiliza para ilustrar a primeira versão do seu imperativo categórico: suponha que precisa de dinheiro e quer um empréstimo, mas sabe que não será capaz de devolvê-lo. Em desespero, pondera fazer uma falsa promessa de pagamento de maneira a levar um amigo a emprestar-lhe o dinheiro. Poderá fazer isso? Talvez precise do dinheiro para um propósito meritório — tão bom, na verdade, que poderia convencer-se a si mesmo de que a mentira seria justificada. No entanto, se mentisse ao seu amigo, estaria apenas a manipulá-lo e a usá-lo «como um meio».
Por outro lado, como seria tratar o seu amigo «como um fim»? Suponha que dizia a verdade, que precisava do dinheiro para um certo objectivo mas não seria capaz de devolvê-lo. O seu amigo poderia, então, tomar uma decisão sobre o empréstimo. Poderia exercer os seus próprios poderes racionais, consultar os seus próprios valores e desejos, e fazer uma escolha livre e autónoma. Se decidisse de facto emprestar o dinheiro para o objectivo declarado, estaria a escolher fazer seu esse objectivo. Dessa forma, o leitor não estaria a usá-lo como um meio para alcançar o seu objectivo, pois seria agora igualmente o objectivo dele. É isto que Kant queria dizer quando afirmou que «os seres racionais […] têm sempre de ser estimados simultaneamente como fins, isto é, somente como seres que têm de poder conter em si a finalidade da acção».
A concepção kantiana da dignidade humana não é fácil de entender; é provavelmente a noção mais difícil discutida neste livro. Precisamos de encontrar uma forma de tornar a ideia mais clara. Para isso, analisaremos com algum detalhe uma das suas aplicações mais importantes. Isto pode ser bem melhor do que uma discussão teórica árida. Kant pensava que se tomarmos a sério a ideia da dignidade humana seremos capazes de entender a prática da punição de crimes de uma forma nova e reveladora. (...)

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Tradução de F. J. Azevedo Gonçalves Excerto retirado de Elementos de Filosofia Moral, de James Rachels (Lisboa: Gradiva, 2004)
in.: criticanarede.com · ISSN 1749-8457Direitos reservados. Não reproduza sem citar a fonte.Termos de utilização:
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Ética é uma das disciplinas da Filosofia



Por Pedro Galvão

Disciplina tradicional da filosofia, também conhecida por filosofia moral, que enfrenta o problema de saber como devemos viver.

A área da ética que lida com este problema da forma mais directa é a ética normativa. A ética normativa ocupa-se em grande medida de dois problemas mais específicos: 1) O que é agir de uma forma moralmente acertada? 2) O que torna boa ou valiosa a vida de uma pessoa? Ao tentar responder a esta perguntas, os filósofos propõem, respectivamente, teorias da obrigação e teorias do VALOR. As primeiras só floresceram a partir do séc. XVIII e exprimem-se em princípios, como o IMPERATIVO CATEGÓRICO de KANT, que nos proporcionam um padrão para determinar aquilo que é moralmente obrigatório ou permissível fazer. Há dois tipos fundamentais de teoria da obrigação. Quem, como MILL, HARE ou SINGER, defende uma ÉTICA CONSEQUENCIALISTA, pensa que para determinar o que devemos ou podemos fazer precisamos apenas de avaliar as consequências dos nossos actos: a melhor opção ética é sempre aquela que dará origem aos melhores resultados. Quem, como Kant, defende uma ÉTICA DEONTOLÓGICA, julga que a nossa prioridade enquanto agentes morais é evitar realizar certos tipos de actos — ou, como dizem alguns deontologistas, respeitar certos DIREITOS.

O interesse pelas teorias do valor remonta à Antiguidade. Filósofos como ARISTÓTELES, bem como os representantes do EPICURISMO, do ESTOICISMO e de outras escolas, esforçaram-se por compreender o que é ter uma vida boa. Grande parte do debate sobre esta questão constitui-se a partir de duas perspectivas contrárias: enquanto alguns autores defendem que temos uma vida boa na medida em que conseguimos satisfazer os nossos desejos, outros pensam que aquilo que torna a nossa vida boa é a presença de certos bens que têm valor independentemente de serem desejados, como o conhecimento, a amizade e a apreciação da beleza. Entre os filósofos que subscrevem esta segunda perspectiva, encontramos os defensores do HEDONISMO, que pensam que na verdade há um único bem fundamental: o prazer.

O desenvolvimento da ética normativa conduziu, há algumas décadas, ao aparecimento de outra área da filosofia moral — a ÉTICA APLICADA. Nesta área discute-se o que é obrigatório ou permissível fazer pensando em certos problemas morais concretos que dividem as pessoas. Discute-se, por exemplo, em que circunstâncias é permissível uma mulher fazer um aborto, se a pena de morte é errada, se as pessoas devem ter o direito de usar armas, até que ponto é aceitável o uso de animais em experiências científicas e que tipo de conduta é apropriado durante uma guerra. Um segmento importante da ética aplicada, no qual se incluem algumas destas questões, é a BIOÉTICA.

A METAÉTICA é a terceira área principal da filosofia moral, distinguindo-se das outras duas não só por ser mais abstracta (ver ABSTRACTO/CONCRETO), mas também por não possuir um carácter normativo (ver NORMATIVO/DESCRITIVO). Nesta área, o objectivo não é saber o que devemos fazer ou valorizar, isto é, não é defender determinados juízos morais — na metaética discute-se antes o que querem dizer os nossos juízos morais e como podemos avaliá-los. Ver CONTRATUALISMO, ÉTICA DAS VIRTUDES.

Leituras
Singer, Peter, Ética Prática (Lisboa: Gradiva, 2000).

Retirado de Dicionário Escolar de Filosofia, org. por Aires Almeida (Lisboa: Plátano, 2003)
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in.: http://www.criticanarede.com

01 novembro, 2007

MÊMNON OU A SABEDORIA HUMANA

Voltaire
Um dia Mêmnon concebeu o insensato projeto de ser perfeitamente sábio. Não existe ninguém a quem alguma vez não tenha passado pela cabeça esta loucura. Mêmnon disse consigo mesmo:
- Para ser muito sábio, e por conseguinte muito feliz, basta não ter paixões; e nada mais fácil, como se sabe. Antes de tudo, não amarei jamais mulher alguma, pois, vendo uma beleza perfeita, direi com os meus botões: - Essas faces um dia se cobrirão de rugas; esses belos olhos ficaram avermelhados em redor; esse colo redondo se tornará chato e pendente; essa bela cabeça ficará calva. - Ora, basta-me vê-la agora com os mesmos olhos com que a verei então, e seguramente esta cabeça não fará a minha andar à roda. Em segundo lugar, serei sóbrio. Não terá efeito sobre mim a tentação da boa mesa, dos vinhos deliciosos, a sedução da sociedade; bastará que eu me representa a conseqüência dos excessos - cabeça pesada, estômago embrulhado, a perda da razão, da saúde e do tempo - e então ... (c o n t i n u a)

31 outubro, 2007

Distinção entre Moral e Ética



Sempre procuro distinguir o termo moral de ética. Penso que ao longo da história da filosofia tal distinção não possa ser tão segura. Podemos perceber que em algumas obras sobre o assunto, filósofos usaram indistintamente tais termos para fazer referência a mesma problemática. Em minhas aulas procuro fazer a distinção de ambos.

Nesse sentido defino moral como sendo valores (certo e errado, bem e mal) que vigoram como permitido e ou proibido, ou melhor, valores que são praticados nos costumes de uma sociedade. São valores positivados no direito e na cultura de determinado grupo de indivíduos em um espaço e tempo. Vou clarificar o raciocino da seguinte forma:


No Brasil entre o período colonial até o final do Império, era considreado “normal” e portanto permitido o uso do trabalho escravo como força de produção. Neste período havia argumentos que fundamentavam a validade de tais práticas. Estas, portanto eram consideradas como lícitas.
Outro exemplo, agora em tempo atual, é a produção e abatimento (sacrifício, morte) em grande escala, por parte dos humanos, de outros mamíferos (como bovinos e ovinos) para fins alimentícios. Tal comportamento é exercido por argumentos que fundamentam o consumo de carne, por parte dos humanos, de outros seres. Não quero entrar aqui na defesa de consumir ou não carne, nem tão pouco tomar partido na defesa de práticas de alimentação vegetariana, ou de toda a dor que um bovino sente ao ser sacrificado, não. Quero é mostrar, que em sociedade, existem sempre valores que norteiam nossas ações e, por vez, esses sob a ótica do bem ou do mal permitem ou não tais ações.

Quanto a definição do termo ética, penso que esse é firmado sob reflexão. Reflexão que se faz de valores estabelecidos em sociedade e nossos comportamentos. Dessa forma, ética vem a ser consciência, e o uso desta por parte do individuo a si e também aos outros. Essa reflexão é (ou deve ser) acompanhada de atitudes e ações do indivíduo que a faz. Tal reflexão considera a consciência que o indivíduo tem de si, sobre seus impulsos, suas inclinações e paixões e os demais membros da sociedade, procurando guiá-lo para a boa ação, tanto para o agente como para os demais indivíduos.

Podemos afirmar, portanto, que ética é reflexão e ação sobre a moral. Comportar-se eticamente é pensar e agir de forma autônoma, esta voltada sempre para o meu bem e o do outrem.

Abraços, Jarbas Cardoso.

29 outubro, 2007

Sobre ética


Neste, e ao longo do próximo mês, pretendo postar aqui assuntos relacionados à ética. A intenção é provocar no leitor a reflexão sobre o tema, da mesma forma que contribuir para o enriquecimento de insumos norteadores (sempre para melhor) de suas ações em sociedade. A final, ao dialogarmos sobre ética, não há como desvincular esta de nossos comportamentos, ou melhor, de nossas atitudes e ações com relação a nós mesmos e aos outros.
Como o tema será desenvolvido em três cursos (Publicidade, Secretariado e Contabilidade) penso que quando necessário for, postarei no blog (em separado) os assuntos, ou melhor, ora no espaço destinado a publicidade e ora destinado a assuntos específicos do secretariado e contabilidade.
É claro que a ética deve ser pratica sempre, independente da situação ou momento.
Portanto ao longo do curso pretendo trazer para a discussão em sala de aula ou neste espaço (para aqueles que se aventurarem) temas como:

Fundamentos da ética

Ética deontológica

Ética Utilitarista

Relativismo Moral

Códigos de Ética

Penso que tais assuntos, se bem trabalhados, possam nos trazer respostas para perguntas do tipo:
O que é ética? Existe ética ou existem éticas? É importante saber sobre ética? Qual a diferença entre ética e moral? Como podemos guiar nossas ações de forma correta? Existem leis universais para nossas ações? Os fins justificam os meios? E a questão da divindade?
Abraços, Jarbas Felicio.

22 outubro, 2007

Para entender a pós-modernidade



Por RAYMUNDO DE LIMA*
A idéia de "pós-modernismo" surgiu pela primeira vez no mundo hispânico, na década de 1930, uma geração antes de seu aparecimento na Inglaterra ou nos EUA. Perry Anderson, conhecido pelos seus estudos dos fenômenos culturais e políticos contemporâneos, em "As Origens da Pós-Modernidade" (1999), conta que foi um amigo de Unamuno e Ortega, Frederico de Onís, que imprimiu o termo pela primeira vez, embora descrevendo um refluxo conservador dentro do próprio modernismo. Mas coube ao filósofo francês Jean-François Lyotard, com a publicação "A Condição Pós-Moderna" (1979), a expansão do uso do conceito.
Em sua origem, pós-modernismo significava a perda da historicidade e o fim da "grande narrativa" - o que no campo estético significou o fim de uma tradição de mudança e ruptura, o apagamento da fronteira entre alta cultura e da cultura de massa e a prática da apropriação e da citação de obras do passado.
A densa obra de Frederic Jameson(1) "Pós-Modernismo" (1991), enumera como ícones desse movimento: na arte, Andy Warhol e a pop art, o fotorrealismo e o neo-expressionismo; na música, John Cage, mas também a síntese dos estilos clássico e "popular" que se vê em compositores como Philip Glass e Terry Riley e, também, o punk rock e a new wave"; no cinema, Godard; na literatura, William Burroughs, Thomas Pynchon e Ishmael Reed, de um lado, "e o nouveau roman francês e sua sucessão", do outro. Na arquitetura, entretanto, seus problemas teóricos são mais consistentemente articulados e as modificações da produção estética são mais visíveis.
Jameson aponta a imbricação entre as teorias do pós-modernismo e as "generalizações sociológicas" que anunciam um tipo novo de sociedade, mais conhecido pela alcunha "sociedade pós-industrial". Ele argumenta que "qualquer ponto de vista a respeito do pós-modernismo na cultura é ao mesmo tempo, necessariamente, uma posição política, implícita ou explícita, com respeito à natureza do capitalismo multinacional em nossos dias".
Vale observar que Perry Anderson, ao ser convidado a fazer a apresentação do livro de Jameson, terminou escrevendo o seu próprio “As origens da pós-modernidade”, constituindo assim uma espécie de ‘introdução’ ao conceito. Nele diz que o modernismo era tomado por imagens de máquinas [as indústrias] enquanto que o pós-modernismo é usualmente tomado por “máquinas de imagens” (p.105) da televisão, do computador, da Internet e do shopping centers. A modernidade era marcada pela excessiva confiança na razão, nas grandes narrativas utópicas de transformação social, e o desejo de aplicação mecânica de teorias abstratas à realidade. Jameson observa que “essas novas máquinas podem se distinguir dos velhos ícones futuristas de duas formas interligadas: todas são fontes de reprodução e não de ‘produção’ e já não são sólidos esculturais no espaço. O gabinete de um computador dificilmente incorpora ou manifesta suas energias específicas da mesma maneira que a forma de uma asa ou de uma chaminé” (citado por Anderson, p.105).
Para Gianni Vattino (2001)
“a chamada "pós-modernidade" aparece como uma espécie de Renascimento dos ideais banidos e cassados por nossa modernidade racionalizadora. Esta modernidade teria terminado a partir do momento em que não podemos mais falar da história como algo de unitário e quando morre o mito do Progresso. É a emergência desses ideais que seria responsável por toda uma onda de comportamentos e de atitudes irracionais e desencantados em relação à política e pelo crescimento do ceticismo face aos valores fundamentais da modernidade. Estaríamos dando Adeus à modernidade, à Razão (Feyerabend) Quem acredita ainda que "todo real é racional e que todo real é racional"(Hegel)? Que esperança podemos depositar no projeto da Razão emancipada, quando sabemos que se financeiro submetido ao jogo cego do mercado? Como pode o homem ser feliz no interior da lógica do sistema, onde só tem valor o que funciona segundo previsões, onde seus desejos, suas paixões, necessidades e aspirações passam a ser racionalmente administrados e manipulados pela lógica da eficácia econômica que o reduz ao papel de simples consumidor”.
O pensador brasileiro Sérgio Paulo Rouanet no seu estudo “As origens do Iluminismo” (1987) oportunamente observa que o prefixo pós tem muito mais o sentido de exorcizar o velho (a modernidade) do que de articular o novo (o pós-moderno). Ou seja, o que há é uma “consciência de ruptura”, que o autor não considera uma “ruptura real”. Rouanet escreve:
“depois da experiência de duas guerras mundiais, depois de Aushwitz, depois de Hiroshima, vivendo num mundo ameaçado pela aniquilação atômica, pela ressurreição dos velhos fanatismos políticos e religiosos e pela degradação dos ecossistemas, o homem contemporâneo está cansado da modernidade. Todos esses males são atribuídos ao mundo moderno. Essa atitude de rejeição se traduz na convicção de que estamos transitando para um novo paradigma. O desejo de ruptura leva à convicção de que essa ruptura já ocorreu, ou está em vias de ocorrer (...). O pós-moderno é muito mais a fadiga crepuscular de uma época que parece extinguir-se ingloriosamente que o hino de júbilo de amanhãs que despontam. À consciência pós-moderna não corresponde uma realidade pós-moderna. Nesse sentido, ela é um simples mal-estar da modernidade, um sonho da modernidade. É literalmente, falsa consciência, porque consciência de uma ruptura que não houve, ao mesmo tempo, é também consciência verdadeira, porque alude, de algum modo, às deformações da modernidade”.
(...)
Alguns sintomas no sujeito pós-moderno

Rouanet se arrisca em fazer uma psicopatologização ao considerar, primeiro, o moderno essencialmente como contraditório. É na modernidade que Freud e depois mais radicalmente W. Reich, ambos estabelecem a conexão repressão sexual e enfermidades mentais. Segundo, a sociedade pós-moderna irá favorecer o surgimento de um hedonismo socializado pela mídia e, de certa forma, respondida pela própria sociedade como sintoma “sociedade espetáculo” (Debord).
Na sociedade ocidental pós-moderna a visibilidade de cenas tende a ser obscena, quando exclui a dimensão da subjetividade e da privacidade das pessoas. Ou seja, anula-se a dimensão do privado, tornando “tudo” público, do cotidiano dos ansiosos por fama dos ex-anônimos do programa televisivo Big Brother, aos já famosos da revista Caras, e, também, o ritual histérico dos evangélicos, dos carismáticos e islâmicos, que se oferecem para serem vistos pela televisão seduzindo todos com suas “justas causas”, aos miseráveis igualmente noticiados e fotografados decorrentes de algum fato jornalístico.
Os sintomas de obscenidade da era moderna de exploração sexual ou de exploração do trabalho, operavam sempre no oculto, eram marginalizadas aos subterrâneos da vida social. Os dispositivos ideológicos de manutenção das cosias como estavam, eram a opressão social, a repressão psíquica e o trabalho ideológico de recondução da libido para fins de trabalho ou exploração industrial; hoje, na sociedade pós-moderna, reforçando o que foi dito acima, operam mecanismos de promoção da visibilidade do que era privado, como se decretasse o fim do segredo ou o fim da intimidade.
A doença da era moderna era a histeria, onde ocorria a teatralização do sujeito incapaz de suportar tanta repressão, originada no conflito endopsíquico. Freud funda a psicanálise graças às histéricas que lhe insinuam um gozo impossível. O mal-estar da cultura pós-moderna é mais complexo, os sintomas subjetivos se pulverizaram no disfarce coletivo, parecendo que “estamos todos bem”, tal como auto-enganava o personagem de Marcelo Mastroianni, no filme italiano de mesmo nome. O mal-estar pós-moderno é visível e trivial, expressado na linguagem do cotidiano do trabalho compulsivo, muitas vezes vendido como se fosse “lazer” ou “ócio criativo”, que gera stress, a perversão, a depressão, a obesidade, o tédio.
Em termos de patologia social, a modernidade fez surgir coisas contraditórias como indústrias e a atitude liberal, a ciência, a tecnologia, a multiplicação da população pobre e de guerras racionais. A pós-modernidade marca o declínio da Lei-do-Pai, cujo efeito mais imediato no social é a anomia, onde a perversão se vê livre para se manifestar em diversas formas, como na violência urbana, no terrorismo, nas guerras ideologicamente consideradas “justas”, “limpas” ou “cirúrgicas”. A razão cínica é cada vez mais instrumentalizada. Isto é, não basta ser transgressivo, ou perverso-imoral, é preciso se construir uma justificativa “moral” para atos imorais ou perversos. Zizek (2004) cita o escabroso caso dos necrófilos, nos EUA, que se julgam no “direito” de fazer sexo com cadáveres. Ou seja, qualquer cadáver é “um potencial parceiro sexual ideal de sujeitos ‘tolerantes’ que tentam evitar toda e qualquer forma de molestamento: por definição, não há como molestar um cadáver”.
Na pós-modernidade a perversão e o estresse são sintomas resultados da falta-de-lei, da falta-de-tempo, e da falta-de-perspectiva de futuro, porque tudo se desmoronou (do muro de Berlin a crença nos valores e na esperança). “Tudo se tornou demasiadamente próximo, promíscuo, sem limites, deixando-se penetrar por todos os poros e orifícios”, diz Zizek.
Nossa sociedade é regida mais do que pela ânsia de “espetáculo”; existe a ânsia de prazer a qualquer preço, não made in id [Isso] mas made in Superego. O superego pós-moderno “tudo vale” e “tudo deve porque pode”. Todos se sentem na obrigação de se divertir, de “curtir a vida adoidado” e de “trabalhar muito para ter dinheiro ou prestígio social”, não importando os limites de si próprio e dos outros. As pessoas se sentem no dever de se vender como se fosse um prazer, de fazer ceia de natal em casa à meia noite, de comemorar o gol que todo mundo está comemorando, de curtir o carnaval nos 3 ou 4 dias, de seguir uma religião, de usar celular sem motivo concreto, de gastar o dinheiro que não têm, de trepar toda noite porque todos dão a impressão de fazê-lo, de fazer cursos e mais cursos, ascender na empresa, escrever mil e um artigos por ano na universidade, enfim, todos parecem viver na “obrigação” de se cumprir uma ordem invisível, e de ser visivelmente feliz e vencedor. O senhor invisível que no manda é o superego pós-moderno; “ele manda você sentir prazer naquilo que você é obrigado a fazer”. E, ai daquele que não consegue, ou que se nega seguir a moral de rebanho, pagará de três modos: será estigmatizado pelos seus pares (“Ele quebrou o código, é um traidor do super-ego pós-moderno!”), ou pagará com um terrível sentimento de culpa ou, ainda, sofrerá os sintomas de uma doença psicossomática.
Não é sem motivo que os lugares de trabalho em que a competição é mais acirrada, onde não existem limites definidos entre trabalho, estudo e lazer, que encontramos pessoas queixosas, infelizes, freqüentemente visitando os médicos e hospitais. Se a modernidade prometia a felicidade através do progresso da ciência ou de uma revolução, a pós-modernidade promete um nada que pretende ser o solo para tudo.
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* Psicanalista, Professor do Departamento de Fundamentos da Educação (UEM) e doutorando na Faculdade de Educação (USP)
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Notas
(1) Perry Anderson considera Jameson um sujeito bem à esquerda de qualquer das fuguras incluídas nesse levantamento [p.77].
(2) Anderson, 1999: p. 77.
(3) Cf.: Japiassu, 2001.
(4) Japiassu (op. cit, p. 167 e 182-3) observa que a crença da marcha ascendente da humanidade em direção a um telos (fim), têm inspiração num desígnio traçado e querido por Deus para o bem da humanidade. A idéia de progresso (característica do Ocidente a partir do iluminismo e da Revolução Francesa) remonta às nossas fontes judaico-cristãs. A maioria de outras civilizações vive sem a idéia de progresso. Algumas chegam mesmo a recusar toda crença na historicidade. Para o hiduísmo, por exemplo, o homem não sai do eterno retorno. Para o budismo, o sujeito deve libertar-se dos acontecimentos, portanto da História. O mesmo se aplica ao sujeito da história, por exemplo, para o taoísmo “o único desejo autorizado é não ter desejos” (Cf.: Lao Tsé, em Tao te king) .
(5) Notem que essas ações antigamente – e ainda hoje - são criticadas pela esquerda marxista como “filantropista”, “reformista”, etc.
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Referências bibliográficas
ANDERSON, P. As Origens da Pós-Modernidade. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1999.
CARDOSO, C. F. Paradigmas rivais na história atual. In: Educação & Sociedade, n. 47, abril/ 1994, pp. 61-72.
GHIRALDELLI JR, P. A pedagogia marxista brasileira e o “esgotamento das energias utópicas da sociedade do trabalho”: um caso de não enfrentamento. In: Educação e razão histórica. São Paulo: 1994.
JAPIASSU, H. Desistir do pensar? Nem pensar! São Paulo: Letras & Letras, 2001.
ROUANET, S.P. As razões do iluminismo. São Paulo: C. Letras, 1987, pp. 229-77.
SAVIANI, D. O debate teórico e metodológico no campo da história e sua importância para a pesquisa educacional. In: História e história da educação. Campinas, 1997.
________. Educação e questões da atualidade. São Paulo: Cortez-Tatu, 1992.
VATTINO, V. O fim da modernidade. São Paulo: Martins Fontes, 2001?
ZIZEK, S. O superego pós-moderno. In: Folha S.Paulo – cad. Mais!, 23/05/2003.
________. A paixão na era da crença descafeinada. In: Folha S. Paulo-Mais!, 14/mar/2004, p. 13-15.
________. Eles não sabem o que fazem. O sublime objeto da ideologia. Rio: J. Zahar, 1992.

30 setembro, 2007

O conceito de meio ambiente

Por Melissa Bergmann
A questão ambiental se remete a uma questão de interesse humano e social, onde o ser humano é direta ou indiretamente afetado pelas alterações do meio ambiente. Esta é, portanto, uma questão que não se refere apenas à vida de seres animais, vegetais e microrganismos em seu ambiente natural (BRANCO, 2001). Fazendo uma abordagem sobre o conceito de meio ambiente, Branco (2001) discute os significados das palavras “meio” e “ambiente”. A palavra “meio” teria uma conotação mais de substância do que de entorno. Cunhada por Claude Bernard, a expressão “meio interno” foi utilizada para significar a substância em que estão banhadas as células em um organismo. Desta forma, o termo “meio” tradicionalmente tem uma conotação bioquímica e físico-química. A expressão “meio ambiente”, portanto, é mais restritiva do que “ambiente”, referindo-se ao “meio” "circundante”. O autor relata a ausência do termo “ambiente” ou correlato nos precursores da ciência ecológica. Lamarck, em sua teoria transformista, baseada na ação do meio sobre os indivíduos, utilizou o termo “circunstâncias” em referência aos fatores circundantes (ambientais) que influiriam na vida e na evolução dos seres vivos. Haeckel, o fundador da ciência ecológica, definiu a ecologia como a “ciência das relações do organismo com o ambiente”. Darwin, por sua vez, enfatiza as “condições de existência” como princípio da seleção natural. Os naturalistas contemporâneos de Humboldt (séc. XIX) consideravam o ambiente como “coincidente” com a distribuição das espécies, porém inativo sobre ela. O ambiente começa a passar de inativo a algo ativo, atuante sobre a distribuição e evolução das espécies, a partir da Revolução Francesa, onde se aboliu a idéia do determinismo social e político, influindo também nas idéias sobre o determinismo biológico e à inação do meio ambiente.
A partir da noção de Bernard sobre a homeostase, surgiu o entendimento da integração dos seres vivos com o ambiente que os cerca como um sistema, movimentado por fluxos de energia. Nesta perspectiva, os organismos não podem mais ser dissociados das “circunstâncias” que os cercam. Os organismos são parte integrante do ambiente, e o ambiente é constituído pelo próprio sistema. O ambiente “circundante”, portanto, deixa de existir. Porém, ao se inserir o homem social no (eco) sistema, Branco (2001) observa que o “ambiente exterior” volta a existir, pois ele não possui um nicho ecológico definido e seu habitat integra elementos que não pertencem à natureza. O meio ambiente torna-se objeto de ação antrópica, onde as ações de manutenção do equilíbrio homeostático passam a ser voluntárias e objeto da ética ambiental. O homem tem dependência mediata em relação ao meio ambiente, assim como a dependência das células de Bernard em relação ao meio interior.
Essa dualidade homem-natureza parece estar presente na perspectiva ecológica clássica, onde o ambiente é constituído pelos “arredores de um organismo, incluindo as plantas, os animais e os micróbios com os quais interagem” (RICKLEFS, 2001), não havendo relação ao ambiente modificado pelo ser humano. Entretanto, os ambientes que as atividades humanas dominam ou produzem, como os espaços urbanos e as áreas cultivadas, vêm sendo englobados como sistemas ecológicos (RICKLEFS op cit.).
Para Reigota (1994), meio ambiente é a noção de um lugar determinado ou percebido, onde os elementos naturais e sociais encontram-se em relações dinâmicas e em interação. Estas relações implicam processos de criação cultural e tecnológica e processos históricos e sociais de transformação do meio natural e construído.
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in: Bergmann, M. Análise da percepção ambiental da população ribeirinha do rio Santo Cristo e de estudantes e professores de duas escolas públicas, município de Giruá, RS. Dissertação (Mestrado em Ecologia), Instituto de Biociências, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2007.

Percepção

Por Melissa Bergmann

O significado originário do termo percepção expressa a apreensão de um determinado objeto real. Para Kant (2000), o conhecimento empírico (a posteriori) prevê o contato com um objeto real (sensação). Essa sensação é possível devido à receptividade do sujeito para captar as representações dos objetos. Após a sensação, o indivíduo passaria a pensar o objeto, isto é, passaria ao entendimento. Dessa forma, a percepção seria “a consciência empírica”, em que há simultaneamente sensação, estando também relacionada a ela o ato judicativo (juízo).
Outro conceito de percepção é a designação mais específica desse processo, que se constitui em uma operação determinada do homem em suas relações com o ambiente. É a interpretação dos estímulos e a construção de seus significados. Essa definição expressa a utilização do termo percepção pelas teorias psicológicas. A percepção, de acordo com essas correntes, é um processo baseado na totalidade, não existindo sensações elementares na composição de um objeto. Outro grupo de teorias dá maior importância aos fatores e às condições subjetivas. Entre seus proponentes, Dewey e Bentley propõem que “a natureza da percepção deriva da situação total em que está inserida e tem suas raízes tanto na experiência passada do indivíduo quanto de suas expectativas de futuro” (ABBAGNANO, 2000). Nesse caso, a percepção seria um processo ativo e seletivo.
De acordo com Bergson (1999), a percepção mede nossa ação virtual sobre as coisas, limitando-se aos objetos que influenciam nossos órgãos, onde os estímulos recebidos relacionam-se com a complexidade motora de nosso corpo, estabelecendo ações possíveis. A percepção está relacionada à ação, ao movimento, e o papel da memória é o de evocar as percepções passadas análogas à presente, buscando a decisão mais útil. Conforme Merleau-Ponty (1999), a consciência confronta as recordações com os dados presentes, retendo somente aqueles que se harmonizam com elas.
A composição do mundo “verdadeiro” é dada pela percepção, através das semelhanças e contigüidades. Segundo Bergson (1999), percebemos as semelhanças antes dos indivíduos que se assemelham, o todo antes das partes. Vamos do todo às partes, num trabalho de decomposição. Para Merleau-Ponty (1999), a percepção não é facultativa enquanto a vida está integrada à nossa existência concreta num determinado ambiente humano ou físico. Além da distância física que existe entre nós e todas as coisas, a distância vivida mede, a cada momento, a “amplidão” de nossa vida.
“É percebido tudo aquilo que faz parte de meu ambiente, e meu ambiente compreende tudo aquilo cuja existência ou inexistência, cuja natureza ou alteração contam para mim praticamente” (MERLEAU-PONTY, 1999). O autor afirma ainda que o percebido pode ser uma “unidade de valor” presente praticamente. Bergson (1999) também fala do útil, colocando-nos a oscilação de nossa vida psicológica entre as funções sensório-motoras e à vida imaginativa. A consciência atual aceita a cada instante o útil, e rejeita momentaneamente o supérfluo. Portanto, a consciência atual é a materialização das antigas percepções que se organizam na percepção atual, e que se direcionam à ação.
“Meu presente [percepção] é aquilo que me interessa, o que vive para mim, o que me impele à ação, enquanto meu passado [lembrança] é essencialmente impotente” (Bergson, 1999).

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in: Bergmann, M. Análise da percepção ambiental da população ribeirinha do rio Santo Cristo e de estudantes e professores de duas escolas públicas, município de Giruá, RS. Dissertação (Mestrado em Ecologia), Instituto de Biociências, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2007.

29 setembro, 2007

As ilusões e o nada



Por Tom Morris


Platão criou uma imagem memorável para as falsas crenças e ilusões de que não raro sofremos. Ele escreveu que somos todos como habitantes de uma caverna, acorrentados ao solo, olhar voltado para sombras que percorrem uma parede, sombras que tomamos por realidades.
O primeiro homem a escapar da caverna da ilusão em que, segundo Platão, vivemos é o filósofo, aquele dentre nós que consegue perceber que vivemos, de certa forma, vidas de ilusão, aprisionados por sombras e correntes que não foram criadas por nós. Ao voltar à caverna com seu estranho relato de outras realidades, ele será aclamado por alguns e vaiado por outros. Tendemos a nos acomodar às nossas ilusões. Assim, somos facilmente ameaçados por quaisquer relatos estranhos de realidades maiores. Mas o verdadeiro filósofo tenta libertar o máximo de companheiros cativos, para que vivam nas realidades mais amplas e brilhantes que residem além dos estreitos limites de suas percepções costumeiras.
Esta é uma imagem viva da derradeira tarefa da filosofia. Sua meta é libertar-nos da ilusão e ajudar-nos a captar as realidades mais fundamentais.
Sob que ilusões você está vivendo agora? Que coisas você valoriza sem realmente terem a importância que você lhes atribui? Que coisas realmente valiosas você pode estar ignorando? Que suposições você faz sobre sua vida que podem se basear em aparências, em vez de realidades? A maioria das pessoas está acorrentada por todo tipo de ilusão. A filosofia, quando bem praticada, pretende nos ajudar a romper esses grilhões.
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Um de meus mestres favoritos em Yale foi Paul Holmer, professor de teologia filosófica na Divinity School. Lembro-me de uma aula — acho que foi sobre o pensamento de Sören Kierkegaard — em que ele contou uma história bem pessoal sobre sua casa de campo em um lago de Minnesota. A casa ficava em uma ilha, no fim do mundo. Ele contou que, em noites de céu claro, adorava sair bem tarde, entrar em um pequeno barco e remar certa distância no lago. Depois ele parava, deitava-se no casco e ficava contemplando o céu. Milhares de estrelas cintilavam e tremulavam para ele contra a tela de fundo negra. Ele absorvia tudo aquilo e se sentia subjugado pela incrível maravilha daquilo tudo. O mundo, este universo, essa localização improvável de uma consciência tão pequena e intensamente curiosa, em meio a tudo isso, para refletir filosoficamente sobre o porquê e o como.
Ele contou que ficava sempre impressionado com a mera improbabilidade de toda essa existência, essa vasta extensão de ser. Ele se sentia dominado pela questão cosmológica: por que existe algo em vez de nada?
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Tom Morris Texto retirado de Filosofia para Dummies, de Tom Morris (tradução de Ivo Korytowski, Rio de Janeiro: Editora Campus, 2000)

Fonte: criticanarede.com

13 junho, 2007

Semana do Irmão Pedro


Ocorre na Escola Técnica Irmão Pedro, Bairro Floresta, Porto Alegre, entre os dias 18 e 23 deste mês a Semana do Irmão Pedro. O evento é alusivo às comemorações do aniversário da Escola que, neste ano, está comemorando seus 45 anos de atividade. Entre seus serviços prestados à comunidade a escola possui três cursos Técnicos: Curso Técnico em Publicidade, Curso Técnico em Secretariado e Curso Técnico em Contabilidade. A Escola possui também o Curso de Ensino Médio.
O evento que ocorre durante toda a semana terá várias atividades que serão desenvolvidas entre professores e alunos:

► Gincana
► Palestras
► Oficinas ( Arte e graffiti, literatura, Hip Hop, cinema)
► Competição Esportiva
► Festa Junina

Quem tiver interesse ou quiser saber mais sobre a Semana do Irmão Pedro pode ligar para a Escola, o fone é 3395-1001.

04 junho, 2007

PROUNI



Inscrições para o PROUNI encerram dia 7 Junho. Veja como e quem pode se inscrever no link abaixo.

07 maio, 2007

Será que o corpo fala?




O corpo fala e realiza negócios

Melhore seu atendimento, compreenda os sinais do corpo
Saber se comunicar é de grande importância e um fator de sucesso no mundo dos negócios. O uso de gestos e o tipo de comportamento é algo muito interessante a observar no cotidiano.
Deve-se compreender que a comunicação vai além de aspectos verbais, dado que os aspectos não-verbais apresentam coisas que sequer imaginamos.
Para descobrir os sinais que estão além das palavras, basta um pouco de observação no comportamento das pessoas e de seus impulsos naturais diante de determinadas situações.
Neste contexto, ganha particular sentido a linguagem corporal, dado que ela pode dizer muita coisa sobre a pessoa com quem você está conversando.
Visualize a cena: mãos estendidas, com as palmas para cima.
Você acha que elas podem significar um pedido de "me dá isto, venha comigo" ou coisa do gênero?
É lógico que sim!
Numa conversa, por exemplo, as pessoas podem falar uma coisa e pensar em outra; podem contar algo e você não consegue definir se realmente isto é mentira ou verdade. Saiba que o corpo não mente!
As pessoas sim, mas o corpo não.
Imagine uma pessoa com o rosto abaixado: a imagem é de submissão, ao contrário daquela pessoa que apresenta o rosto levantado, transmitindo domínio.
A base teórica da divisão do corpo humano nas três partes citadas é objeto do livro "O corpo fala: a linguagem silenciosa da comunicação não- verbal", de Pierre Weil e Roland Tmpakow (Editora Vozes, 1986, 292p.). Também os exemplos apresentados a seguir são originários deste livro, com pequenas adaptações.
O gesto de cruzar os braços pode ser uma barreira corporal que as pessoas constróem diante de quem estão conversando, podendo significar um tipo de proteção. Além disto, significa também que quem está cruzando os braços, dependendo da situação, não deseja mudar de opinião e não quer aceitar o que estão lhe falando. Em momentos de tensão, a mão direita expressa os sinais da razão, enquanto a esquerda os sinais de emoção.
Diante de questões difíceis e que sugerem insegurança, por exemplo, uma pessoa pode simular uma tosse e colocar a mão na boca, puxar com insistência o colarinho da camisa e até gesticular as mãos, de forma desordenada.
Juntar as pontas dos dedos enquanto alguém está falando significa concentração no discurso. Ainda com relação às mãos, um cumprimento feito com ela, de maneira frouxa, significa pouco envolvimento na relação.
Levantar as sobrancelhas pode traduzir surpresa, espanto e alegria, ao passo que sobrancelhas abaixadas representam concentração, reflexão e seriedade.
Bater os pés no chão com freqüência pode ser um sinal de irritação, insegurança ou ansiedade. Lábios presos entre os dentes traduzem uma manifestação de não querer se comunicar ou não participar de discussões.
Numa conversa, sentado à mesa com alguém, se você deixar sua pasta ou bolsa de trabalho no colo transmitirá a sensação de que está inseguro. Mexer no queixo é um sinal de pensamento sobre algo que foi proposto.
Quando uma pessoa está sentada e inclinada para trás, a imagem que ela transmite é de estar relaxando ou descansando. Quando a pessoa está sentada e mantém o pé ancorado, pode-se entender que ela teima em manter o seu ponto-de-vista e não está disposta a mudar de opinião. A forma como alguém senta pode representar interesse ou desinteresse.
Estes foram apenas alguns sinais sobre como o corpo humano fala. No mundo dos negócios, saber decifrar tais sinais pode ajudar a fechar um negócio, por exemplo. Afinal, como Wiel e Tompakow defendem em seu livro, "pela linguagem do corpo, você diz muitas coisas aos outros. E eles têm muitas coisas a dizer para você". Pense nisto!
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Gestos
Ouço e aprovo -
A cabeça pende e o olhar é amistoso, mostrando atenção e aprovação (mão no queixo é sinal de aprovação)
Estou atento - Os olhos atentos e o corpo inclinado para a frente indicam atenção e interesse (sombrancelhas levantadas demonstram interesse)
Este é o meu ponto de vista - Gestos enfáticos com as mãos são uma forma de reforçar a mensagem verbal (mãos gesticulam para dar ênfase)
Não estou bem certo disso - Morder a caneta indica a necessidade de cuidado e atenção. Demonstra, ainda, medo e insegurança (o olhar de viés aumenta a incerteza)
Preciso de conforto - Uma mão afaga o pescoço e a outra abraça a cintura, indicando a necessidade de reafirmação (os braços apegam-se ao corpo, como forma de autoconsolo)
Dúvidas e mais dúvidas - Massagear a região entre os olhos (fechados) revela conflito interno em relação ao que está sendo dito (olhos fechados e sobrancelhas franzidas expressam dúvida)
Leia o Clássico: O Corpo Fala de Weil, Pierre; Tompakow, Roland da editora Vozes.