30 setembro, 2007

Percepção

Por Melissa Bergmann

O significado originário do termo percepção expressa a apreensão de um determinado objeto real. Para Kant (2000), o conhecimento empírico (a posteriori) prevê o contato com um objeto real (sensação). Essa sensação é possível devido à receptividade do sujeito para captar as representações dos objetos. Após a sensação, o indivíduo passaria a pensar o objeto, isto é, passaria ao entendimento. Dessa forma, a percepção seria “a consciência empírica”, em que há simultaneamente sensação, estando também relacionada a ela o ato judicativo (juízo).
Outro conceito de percepção é a designação mais específica desse processo, que se constitui em uma operação determinada do homem em suas relações com o ambiente. É a interpretação dos estímulos e a construção de seus significados. Essa definição expressa a utilização do termo percepção pelas teorias psicológicas. A percepção, de acordo com essas correntes, é um processo baseado na totalidade, não existindo sensações elementares na composição de um objeto. Outro grupo de teorias dá maior importância aos fatores e às condições subjetivas. Entre seus proponentes, Dewey e Bentley propõem que “a natureza da percepção deriva da situação total em que está inserida e tem suas raízes tanto na experiência passada do indivíduo quanto de suas expectativas de futuro” (ABBAGNANO, 2000). Nesse caso, a percepção seria um processo ativo e seletivo.
De acordo com Bergson (1999), a percepção mede nossa ação virtual sobre as coisas, limitando-se aos objetos que influenciam nossos órgãos, onde os estímulos recebidos relacionam-se com a complexidade motora de nosso corpo, estabelecendo ações possíveis. A percepção está relacionada à ação, ao movimento, e o papel da memória é o de evocar as percepções passadas análogas à presente, buscando a decisão mais útil. Conforme Merleau-Ponty (1999), a consciência confronta as recordações com os dados presentes, retendo somente aqueles que se harmonizam com elas.
A composição do mundo “verdadeiro” é dada pela percepção, através das semelhanças e contigüidades. Segundo Bergson (1999), percebemos as semelhanças antes dos indivíduos que se assemelham, o todo antes das partes. Vamos do todo às partes, num trabalho de decomposição. Para Merleau-Ponty (1999), a percepção não é facultativa enquanto a vida está integrada à nossa existência concreta num determinado ambiente humano ou físico. Além da distância física que existe entre nós e todas as coisas, a distância vivida mede, a cada momento, a “amplidão” de nossa vida.
“É percebido tudo aquilo que faz parte de meu ambiente, e meu ambiente compreende tudo aquilo cuja existência ou inexistência, cuja natureza ou alteração contam para mim praticamente” (MERLEAU-PONTY, 1999). O autor afirma ainda que o percebido pode ser uma “unidade de valor” presente praticamente. Bergson (1999) também fala do útil, colocando-nos a oscilação de nossa vida psicológica entre as funções sensório-motoras e à vida imaginativa. A consciência atual aceita a cada instante o útil, e rejeita momentaneamente o supérfluo. Portanto, a consciência atual é a materialização das antigas percepções que se organizam na percepção atual, e que se direcionam à ação.
“Meu presente [percepção] é aquilo que me interessa, o que vive para mim, o que me impele à ação, enquanto meu passado [lembrança] é essencialmente impotente” (Bergson, 1999).

__________
in: Bergmann, M. Análise da percepção ambiental da população ribeirinha do rio Santo Cristo e de estudantes e professores de duas escolas públicas, município de Giruá, RS. Dissertação (Mestrado em Ecologia), Instituto de Biociências, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2007.

29 setembro, 2007

As ilusões e o nada



Por Tom Morris


Platão criou uma imagem memorável para as falsas crenças e ilusões de que não raro sofremos. Ele escreveu que somos todos como habitantes de uma caverna, acorrentados ao solo, olhar voltado para sombras que percorrem uma parede, sombras que tomamos por realidades.
O primeiro homem a escapar da caverna da ilusão em que, segundo Platão, vivemos é o filósofo, aquele dentre nós que consegue perceber que vivemos, de certa forma, vidas de ilusão, aprisionados por sombras e correntes que não foram criadas por nós. Ao voltar à caverna com seu estranho relato de outras realidades, ele será aclamado por alguns e vaiado por outros. Tendemos a nos acomodar às nossas ilusões. Assim, somos facilmente ameaçados por quaisquer relatos estranhos de realidades maiores. Mas o verdadeiro filósofo tenta libertar o máximo de companheiros cativos, para que vivam nas realidades mais amplas e brilhantes que residem além dos estreitos limites de suas percepções costumeiras.
Esta é uma imagem viva da derradeira tarefa da filosofia. Sua meta é libertar-nos da ilusão e ajudar-nos a captar as realidades mais fundamentais.
Sob que ilusões você está vivendo agora? Que coisas você valoriza sem realmente terem a importância que você lhes atribui? Que coisas realmente valiosas você pode estar ignorando? Que suposições você faz sobre sua vida que podem se basear em aparências, em vez de realidades? A maioria das pessoas está acorrentada por todo tipo de ilusão. A filosofia, quando bem praticada, pretende nos ajudar a romper esses grilhões.
* * *
Um de meus mestres favoritos em Yale foi Paul Holmer, professor de teologia filosófica na Divinity School. Lembro-me de uma aula — acho que foi sobre o pensamento de Sören Kierkegaard — em que ele contou uma história bem pessoal sobre sua casa de campo em um lago de Minnesota. A casa ficava em uma ilha, no fim do mundo. Ele contou que, em noites de céu claro, adorava sair bem tarde, entrar em um pequeno barco e remar certa distância no lago. Depois ele parava, deitava-se no casco e ficava contemplando o céu. Milhares de estrelas cintilavam e tremulavam para ele contra a tela de fundo negra. Ele absorvia tudo aquilo e se sentia subjugado pela incrível maravilha daquilo tudo. O mundo, este universo, essa localização improvável de uma consciência tão pequena e intensamente curiosa, em meio a tudo isso, para refletir filosoficamente sobre o porquê e o como.
Ele contou que ficava sempre impressionado com a mera improbabilidade de toda essa existência, essa vasta extensão de ser. Ele se sentia dominado pela questão cosmológica: por que existe algo em vez de nada?
____________
Tom Morris Texto retirado de Filosofia para Dummies, de Tom Morris (tradução de Ivo Korytowski, Rio de Janeiro: Editora Campus, 2000)

Fonte: criticanarede.com

13 junho, 2007

Semana do Irmão Pedro


Ocorre na Escola Técnica Irmão Pedro, Bairro Floresta, Porto Alegre, entre os dias 18 e 23 deste mês a Semana do Irmão Pedro. O evento é alusivo às comemorações do aniversário da Escola que, neste ano, está comemorando seus 45 anos de atividade. Entre seus serviços prestados à comunidade a escola possui três cursos Técnicos: Curso Técnico em Publicidade, Curso Técnico em Secretariado e Curso Técnico em Contabilidade. A Escola possui também o Curso de Ensino Médio.
O evento que ocorre durante toda a semana terá várias atividades que serão desenvolvidas entre professores e alunos:

► Gincana
► Palestras
► Oficinas ( Arte e graffiti, literatura, Hip Hop, cinema)
► Competição Esportiva
► Festa Junina

Quem tiver interesse ou quiser saber mais sobre a Semana do Irmão Pedro pode ligar para a Escola, o fone é 3395-1001.

04 junho, 2007

PROUNI



Inscrições para o PROUNI encerram dia 7 Junho. Veja como e quem pode se inscrever no link abaixo.

07 maio, 2007

Será que o corpo fala?




O corpo fala e realiza negócios

Melhore seu atendimento, compreenda os sinais do corpo
Saber se comunicar é de grande importância e um fator de sucesso no mundo dos negócios. O uso de gestos e o tipo de comportamento é algo muito interessante a observar no cotidiano.
Deve-se compreender que a comunicação vai além de aspectos verbais, dado que os aspectos não-verbais apresentam coisas que sequer imaginamos.
Para descobrir os sinais que estão além das palavras, basta um pouco de observação no comportamento das pessoas e de seus impulsos naturais diante de determinadas situações.
Neste contexto, ganha particular sentido a linguagem corporal, dado que ela pode dizer muita coisa sobre a pessoa com quem você está conversando.
Visualize a cena: mãos estendidas, com as palmas para cima.
Você acha que elas podem significar um pedido de "me dá isto, venha comigo" ou coisa do gênero?
É lógico que sim!
Numa conversa, por exemplo, as pessoas podem falar uma coisa e pensar em outra; podem contar algo e você não consegue definir se realmente isto é mentira ou verdade. Saiba que o corpo não mente!
As pessoas sim, mas o corpo não.
Imagine uma pessoa com o rosto abaixado: a imagem é de submissão, ao contrário daquela pessoa que apresenta o rosto levantado, transmitindo domínio.
A base teórica da divisão do corpo humano nas três partes citadas é objeto do livro "O corpo fala: a linguagem silenciosa da comunicação não- verbal", de Pierre Weil e Roland Tmpakow (Editora Vozes, 1986, 292p.). Também os exemplos apresentados a seguir são originários deste livro, com pequenas adaptações.
O gesto de cruzar os braços pode ser uma barreira corporal que as pessoas constróem diante de quem estão conversando, podendo significar um tipo de proteção. Além disto, significa também que quem está cruzando os braços, dependendo da situação, não deseja mudar de opinião e não quer aceitar o que estão lhe falando. Em momentos de tensão, a mão direita expressa os sinais da razão, enquanto a esquerda os sinais de emoção.
Diante de questões difíceis e que sugerem insegurança, por exemplo, uma pessoa pode simular uma tosse e colocar a mão na boca, puxar com insistência o colarinho da camisa e até gesticular as mãos, de forma desordenada.
Juntar as pontas dos dedos enquanto alguém está falando significa concentração no discurso. Ainda com relação às mãos, um cumprimento feito com ela, de maneira frouxa, significa pouco envolvimento na relação.
Levantar as sobrancelhas pode traduzir surpresa, espanto e alegria, ao passo que sobrancelhas abaixadas representam concentração, reflexão e seriedade.
Bater os pés no chão com freqüência pode ser um sinal de irritação, insegurança ou ansiedade. Lábios presos entre os dentes traduzem uma manifestação de não querer se comunicar ou não participar de discussões.
Numa conversa, sentado à mesa com alguém, se você deixar sua pasta ou bolsa de trabalho no colo transmitirá a sensação de que está inseguro. Mexer no queixo é um sinal de pensamento sobre algo que foi proposto.
Quando uma pessoa está sentada e inclinada para trás, a imagem que ela transmite é de estar relaxando ou descansando. Quando a pessoa está sentada e mantém o pé ancorado, pode-se entender que ela teima em manter o seu ponto-de-vista e não está disposta a mudar de opinião. A forma como alguém senta pode representar interesse ou desinteresse.
Estes foram apenas alguns sinais sobre como o corpo humano fala. No mundo dos negócios, saber decifrar tais sinais pode ajudar a fechar um negócio, por exemplo. Afinal, como Wiel e Tompakow defendem em seu livro, "pela linguagem do corpo, você diz muitas coisas aos outros. E eles têm muitas coisas a dizer para você". Pense nisto!
_______________
**************************
Gestos
Ouço e aprovo -
A cabeça pende e o olhar é amistoso, mostrando atenção e aprovação (mão no queixo é sinal de aprovação)
Estou atento - Os olhos atentos e o corpo inclinado para a frente indicam atenção e interesse (sombrancelhas levantadas demonstram interesse)
Este é o meu ponto de vista - Gestos enfáticos com as mãos são uma forma de reforçar a mensagem verbal (mãos gesticulam para dar ênfase)
Não estou bem certo disso - Morder a caneta indica a necessidade de cuidado e atenção. Demonstra, ainda, medo e insegurança (o olhar de viés aumenta a incerteza)
Preciso de conforto - Uma mão afaga o pescoço e a outra abraça a cintura, indicando a necessidade de reafirmação (os braços apegam-se ao corpo, como forma de autoconsolo)
Dúvidas e mais dúvidas - Massagear a região entre os olhos (fechados) revela conflito interno em relação ao que está sendo dito (olhos fechados e sobrancelhas franzidas expressam dúvida)
Leia o Clássico: O Corpo Fala de Weil, Pierre; Tompakow, Roland da editora Vozes.

29 março, 2007

A Sua Opinião!!!

Olá,
Fico feliz ao perceber que os alunos vêm até o Blog Mora na Psicologia. Peço a estes que até aqui chegaram... que entrem também no Blog Extemporâneo. Gostaria que opinassem sobre a última postagem que lá está. É sobre nossa escola Irmão Pedro.
Das imagens que estão lá, qual vc gosta mais??? Opine!!!!
Abração Jarbas.

26 março, 2007

A experiência de Pavlov: condicionamento do cachorro


Tente condicionar o cachorrinho de Pavlov. Será que vc consegue? Tente aqui!!!

Subjetividade, Imaginários e Utopias



Por Euclides André Mance (1)Curitiba, maio de 1994

1. Subjetividade: Individualidade e Singularidade
Normalmente, entende-se por sujeito o indivíduo que é capaz de agir por si mesmo, isto é, capaz de pensar, decidir e atuar conforme a sua própria decisão. Sendo assim, a subjetividade engloba todas as peculiaridades imanentes à condição de ser sujeito envolvendo as capacidades sensoriais, afetivas, imaginativas e racionais de tal pessoa.
Na verdade toda pessoa é uma complexa unidade natural e cultural. Mais que um corpo com funções biológicas e psicológicas com capacidades de transformar o seu meio pelo trabalho e pela linguagem, o ser humano é uma unidade de necessidades, desejos, sentimentos, angústias, temores, imaginários, racionalidades e paixões. Da mesma forma como não podemos considerar o homem apenas como um animal racional, também não podemos reduzir a subjetividade a uma dimensão meramente cognitiva, a uma consciência, desconsiderando todas as demais facetas da complexa interioridade de cada um.
Essa subjetividade é uma espécie de argila que vai sendo modelada sob a cultura dominante em cada sociedade. Quando nascemos não somos sujeitos de nossa vida, mas sim "objeto de cuidados" de nossos pais e somente aos poucos vamos aprendendo a viver com mais independência e autonomia, sempre relativas. Nesse processo de construção de nossa personalidade aprendemos uma língua, hábitos e costumes, incorporamos padrões de comportamento e valores, de apreciação estética do que é belo e feio, enfim, nos formamos (e somos formados) segundo as referências ou códigos, de uma certa cultura -- é muito diferente nascermos no Brasil, em Ruanda, no Japão ou na Suíça. Tais elementos que incorporamos ou que nos formam advém das várias experiências de sociabilidade pelas quais passamos: nossa família, a escola, nossos colegas e amigos, a comunidade local, a igreja e, especialmente de maneira cada vez mais significativa, os meios de comunicação social. A mídia nos apresenta padrões estéticos, éticos e políticos. Ela nos traz informações selecionadas de todo o mundo a qualquer instante. Funcionando sob a lógica do acúmulo de capital, como empresa que deve ser rentável, através dos diversos canais de rádio, televisão e outros meios de publicidade utilizam-se recursos psicológicos, pedagógicos e estéticos sob estratégias de marketing, a fim de atingir a subjetividade do espectador, criar-lhe desejos, anseios, angustias e movê-lo a todo custo a consumir os produtos que as empresas anunciam em uma guerra de concorrências, a fazê-lo optar politicamente por aqueles que manterão intocados os interesses das próprias elites que detém os controles dos próprios meios de comunicação de massa.
Com a mundialização dos mercados e com as novas tecnologias -- especialmente na área de informática e todas as interfaces com mecanismos de comunicação de massas (como a computação gráfica, por exemplo, capaz de criar fantásticas realidades imaginárias) -- o mundo assiste a reordenação do capitalismo em escala planetária, configurando-se não apenas como um modo de produção econômico que vai rompendo cada vez mais -- sob sua lógica do acúmulo privado -- as estruturas políticas que limitam-lhe os movimentos de expansão e concentração, mas especialmente como um modo de produção de subjetividades em escala mundial. Não apenas é preciso modelar as subjetividades de uma parcela da população mundial para que possam produzir sob novos e complexos processos produtivos, mas também é necessário modelar as subjetividades dos que possuem recursos para consumir aquilo que é produzido. Assim, um mesmo produto de uma mesma marca é vendido na maior parte do mundo e em cada país manipulam-se subjetividades para que este produto seja desejado e consumido.
Com o advento dos aglomerados humanos em metrópoles e megalópoles, com o adensamento urbano gerando um verdadeiro formigueiro de milhões de pessoas estranhas que se cruzam pelas ruas com faces desconhecidas, absortas em seus próprios problemas e horários, cumprindo seus ciclos de trabalho, estudo, lazer ou a margem de tais processos na angústia de encontrar um rumo para a vida , emerge um fenômeno determinante na vida da maioria: a cultura de massas. As antigas balizas de formação da subjetividade como a família ou a vizinhança, a igreja ou a escola, vão perdendo cada vez mais espaço para os meios de comunicação de massa: os desenhos, filmes, novelas, peças publicitárias, "games" e outros produtos semióticos. As festas que marcavam os ciclos da vida comunitária são cada vez menos freqüentes e mais impessoais, motivadas geralmente mais pelo lucro para realizar alguma obra do que pela vivência de um momento estético e criativo singular, afetivo e autêntico; as famílias não mais se visitam, como outrora; quando pais e filhos se reúnem em casa, algumas poucas horas por dia no início da noite, normalmente dialogam pouco, e o fazem assistindo televisão. A comoção das crianças por Xuxa ou da população em geral pela morte de Airton Senna, evidencia de maneira gritante como as subjetividades são afetadas pela comunicação de massas.
Em geral, é sob a lógica dominante do capital através das suas diversas semióticas -- isto é, das diversas linguagens particulares que compõem signos dominantes e que sobrecodificam os códigos de compreensão de mundo e de comportamento nos diversos âmbitos da vida de cada um -- difundidas através da mídia, que as subjetividades passam por um processo de individualização. Traduzindo isso em termos mais simples e menos precisos, por exemplo, sob a lógica do acúmulo ou desfrute do capital é preferível ter amigos, namorar ou casar com quem é rico. Assim, os códigos ou parâmetros a partir dos quais se define quem deve ser meu amigo ou meu esposo ficam sobrecodificados pelos códigos do capital. Sob tais códigos deve-se valorizar quem possui a roupa da moda, objetos que confiram prestígio ou comportamentos similares aos dos arquétipos apresentados pela mídia em suas peças publicitárias, filmes, novelas, etc. Mas tal processo é muito mais profundo que aparentemente parece ser. Quando depois de muitas lutas de um movimento de moradia, por exemplo, uma comunidade de favelados conquista a terra e as pessoas dividem os lotes fazendo cercas e muros, deixando de participar da Associação de Moradores -- preocupando-se agora exclusivamente com sua vida privada -- percebe-se que de fato aquele terreno é compreendido apenas sob a lógica da propriedade privada e não como um signo de solidariedade, de valorização da ação coletiva.
Assim, sob a cultura de massas ocorre um processo de individualização em que a subjetividade é modelada sob forte pressão da lógica do capital através de diversas linguagens especialmente difundidas através da mídia. Cada pessoa é instigada a sair da indiferença da multidão, a distinguir-se dos demais, a individuar-se, a não ser apenas mais um na massa amorfa, mas ser alguém especial, cultivar a sua individualidade, destacar-se dos demais. Tal diferenciamento, entretanto, deve se realizar conforme as referências estabelecidas pelas linguagens dominantes, pelos balizamentos propostos pelo sistema vigente através de seus inúmeros equipamentos e meios de modelizar a subjetividade. Assim, por exemplo, a busca da fama, do poder, do sucesso, materializada na riqueza e no status acaba sendo tomada como sentido da individualização das pessoas. A massificação e individualização sob os códigos do capital são os dois elementos contraditórios de um mesmo processo histórico-existencial dos que vivem sob as complexas relações atuais, especialmente nos aglomerados urbanos.
Em contraposição a esse processo de individualização, podemos considerar os processos de subjetivação ou singularização. Trata-se aqui de processos interpessoais em que as pessoas, contrariando lógicas do capital e subvertendo suas semióticas, dão vazão criativa à sua subjetividade. Processos deste tipo ocorrem em inúmeros relacionamentos afetivos, comunitários, em determinados tipos de movimentos sociais, que desenvolvem experiências estéticas e éticas singularizantes que resgatam a centralidade da realização humana na convivência fraterna entre as pessoas, no face-a-face, na solidariedade, no carinho, na ternura e na justiça. Desenvolvendo processos de interação comunicativa sob diversas linguagens -- cantos, danças, ritos, dramatizações, bate-papos, etc... -- despertam uma subjetividade adormecida ou reprimida que aflora como consciência da sua própria dignidade e que descobre como sentido da vida o desejo da relação autêntica com os demais. O processo de subjetivação necessita também de linguagens mediadoras que vão do diálogo a inumeráveis linguagens, sejam das liturgias, dos partidos, as palavras de ordem do movimento social, os gestos de acolhida e saudação, a afirmação de outros padrões éticos e projetos políticos. A subjetivação é uma espécie de revolução do cotidiano que subverte lógicas de discriminação, dominação e opressão, resgata a valorização da palavra de todos, inclusive da criança e do ancião, na formação das decisões coletivas. Assim, sob as dinâmicas desse desejo alterativo, do desejo de que cada humano possa ser realmente outro em sua criatividade e acolhido com atenção e carinho em uma convivência fraterna, é que se sobrecodificam as demais linguagens e práticas que promovem um processo de subjetivação, singularização ou revolução molecular como é definido por alguns autores.

2. Imaginários, utopias e realidades virtuais
A informação e os sistemas de signos organizados para transmitir a cultura entre os homens, de uma geração a outra, sempre desempenharam um papel fundamental na totalidade da vida de todos os povos, desde os mais primitivos até a civilização contemporânea. A relação entre saber e poder, informação e economia é tão inseparável quanto a vida humana dos códigos lingüísticos e todos os outros códigos a partir deles construídos: éticos, religiosos, políticos, econômicos, estéticos, etc. Contudo, o papel da informação, da comunicação e criação de signos na vida das sociedades nunca foi tão explorado e desenvolvido como nos dias atuais, especialmente em razão do desenvolvimento de equipamentos que possibilitaram interações instantâneas sob os mais variados códigos comunicacionais. A relação do homem com os signos é um vastíssimo campo que continua sendo explorado contemporaneamente por um conjunto de reflexões interdisciplinares.
A interação da subjetividade com os signos -- sejam letras escritas, logomarcas de produtos ou partidos , símbolos religiosos, peças publicitárias, enfim, elementos semióticos sob qualquer linguagem -- é simultaneamente estética e cognitiva. É uma interação estética em dois sentidos: porque envolve uma percepção sensível dos signos e porque suscita disposições afetivas, conscientes ou não, no receptor. É uma interação cognitiva pois resulta em um conceito ou noção que engloba um significado produzido pela comunicação envolvendo também, em graus variados, os aspectos perceptuais e afetivos envolvidos no processo. Assim, a interação com o signo da Coca-Cola, com sua logomarca, é tanto cognitiva como estética. Os afetos envolvidos são modelizados pela mídia sob a linguagem das campanhas de publicidade, esteticamente bem elaboradas, que atuando sobre a subjetividade do espectador mobilizam o desejo de consumir o produto. Este processo de produção de significados que se associam à maioria dos elementos presentes no cotidiano das pessoas, ocorre não apenas com os produtos que são apresentados para o consumo, mas em relação, por exemplo, às obras de administrações que são apresentadas como signos de competência dos governantes -- agenciando a satisfação por ter escolhido o governante certo, ou o desejo de nele votar na próxima eleição--, ou ainda em relação às greves dos trabalhadores que são apresentadas como signos de baderna e vadiagem, de quem quer trabalhar pouco e ganhar muito, etc.
Na individualização capitalista ocorre a modelização da subjetividade em seus aspectos estéticos e cognitivos em meio a um processo de alienação generalizada. A sensibilidade é mutilada seja porque os pobres e miseráveis trabalham em situações desumanas e não tem condições de moradia e alimentação saudáveis, afetando-se seus sentidos, impossibilitando o desenvolvimento de suas capacidades estéticas e afetivas, seja, por outro lado, pela exposição da subjetividade a produtos semióticos como filmes, novelas e noticiários que geram indiferença aos sofrimentos dos demais ou o refinamento das necessidades e desejos das classes médias e elites sob a lógica do consumismo em que o autêntico sentido da vida humana é desviado para a posse e a fruição de objetos e acontecimentos, enfim para a realização do ideal apresentado de individualização humana sob os marcos capitalistas.
Quando um conjunto de signos constituídos a partir de diversas interações familiares, religiosas, escolares, de trabalho, de consumo, da mídia, etc, se articulam -- de maneira coerente ou não -- referindo-se a realidades efetivas ou imaginárias como se elas fossem a realização de tais signos, então estamos diante do fenômeno da realidade virtual. Tudo se passa como se objetos, circunstâncias e comportamentos ganhassem uma outra dimensão de realidade, vivendo as pessoas em uma ilusão como se ela fosse a realidade efetiva. A realidade virtual é construída pela conferência de sentidos e significações que se articulam em um imaginário, produzindo a ilusão de se estar presente em uma realidade que efetivamente não existe, comportando-se o sujeito perante tais realidades como se elas existissem. O imaginário é percebido como real. Assim, a convulsão nervosa de um jovem sob os gritos do pastor é vivenciada pelos demais como a presença do demônio; a morte de um piloto de fórmula um é vivenciada por multidões como uma tragédia nacional; o inseticida fabricado à base de piretrina, por que é extraído de flores como diz a propaganda, é tido por inofensivo à saúde; a propaganda de Curitiba faz crer que ela é a "Capital Ecológica" quando cerca de 10% de seus habitantes vive em condições de subabitação, a maioria morando em mais de 200 favelas situadas, grande parte, à beira de esgotos que correm a céu aberto, onde crianças catam latas para trocar em "programas ecológicos" de troca de lixo por alimento. Quando se compra a margarina Doriana porque inconscientemente se deseja a família feliz semioticamente a ela associada pela propaganda, compra-se primeiramente um signo mágico que tem na margarina apenas seu suporte objetivo. Como alguns jovens de favela que economizam o dinheiro de seu trabalho para comprar a calça e o tênis da moda que exibirão na danceteria no sábado à noite, como que vivendo um momento de magia, em que parecem realizar uma condição de ser aquilo que não são, porque possuem alguns signos que sob a gramática da propaganda somente são usados por pessoas especiais, com destaque social.
Assim os imaginários são construídos pela composição de inúmeros signos vinculando afetos e sentidos. Todas as pessoas possuem seus imaginários, cujos signos se articulam das maneiras mais diversas. Em meio a esse conjunto de cognições, sentidos e afetos, pela interação com a realidade efetiva ou pela interação com a realidade virtual, as pessoas vão construindo sua personalidade, sendo determinadas por aspectos econômicos, políticos, religiosos, etc. Podemos dizer que cada ser humano articula seus desejos, sonhos, esperanças e projetos sob uma utopia. A utopia de cada um é justamente aquilo que cada qual quer realizar em sua vida particular, um norte da existência pessoal. A utopia pessoal está sempre marcada pelo processo de individualização ou subjetivação e compõem elementos do imaginário pessoal, sob cujos signos encontram-se disposições afetivas modelizadas ou não sob os códigos do capital que sobrecodificam diversas linguagens em uma sociedade capitalista. Toda utopia emerge como uma certa negação da realidade presente efetiva, e se volta para a sua transformação, a fim de realizar os desejos utópicos.
Ora, sendo a dimensão utópica uma característica própria a todas as subjetividades humanas, o sistema capitalista se especializa em manipulá-la a fim de realizar seus objetivos intervindo ao âmbito mais íntimo da vida privada. O capitalismo que é responsável pela realidade de pobreza e angústia em que vive a maioria da população, é também o grande provedor de ilusões e fantasias, promovendo a construção de utopias alienadas e alienantes pelos indivíduos sempre insatisfeitos. Apresentando ideologicamente um projeto de sociedade em que todos podem ascender segundo seus méritos, qualidades e empenhos, o capitalismo propõe -- em geral -- que as pessoas não aceitem viver na pobreza, mas que, pelo contrário tenham como utopia particular subir na vida. Poder , luxo, fama e riquezas são elementos que, fazem parte, em alguma medida, das utopias veladas da massa alienada, cujos arquétipos se identificam com personagens fictícios e vitoriosos apresentados pela mídia como modelos de realização pessoal. Tais utopias compõem anseios, desejos e aspirações que mobilizam a práxis pessoal a fim de realizar os objetivos últimos formulados utopicamente. Como não se pode impedir que os indivíduos construam utopias e reprimi-las não significa destrui-las, as semióticas do capital modelizam as subjetividades de maneira que seus desejos, aspirações, anseios, sejam orientados a práticas que não só favoreçam o acúmulo de capital das elites e a sua manutenção nos postos do poder político, como permaneçam dentro códigos e limites que o próprio sistema impõe. Assim, para subir de nível ou na luta por realizar alguns pequenos desejos deve-se respeitar os limites válidos para todos, isto é, os mecanismos de acesso à propriedade privada, o respeito à lei em geral, etc. Desta forma, as utopias tanto podem ser potencialmente revolucionárias, singularizantes, elementos de subjetivação, como também podem ser conservadoras, gestadas em processos de individualização, embora sempre emerjam da negação da realidade imediata e cotidiana das pessoas que as elaboram e componham elementos que possuem significações peculiares pela articulação que mantém em seus imaginários.

3. Dominação Cultural: Subjetividade e Realidade Virtual
Como vimos a subjetividade de cada pessoa que cresce sob uma cultura capitalista em maior ou menor medida é modelizada sob os seus códigos de valor de uso e troca, em função dos giros do capital graças à sua conversibilidade em equivalentes econômicos e semióticos. Tal conversibilidade ocorre, por exemplo, quando o capital é gasto em uma peça publicitária, que por sua vez gera um desejo de consumo que move o público a comprar o produto e consumi-lo, possibilitando assim mais lucro ao empresário. A conversibilidade em diversos equivalentes semióticos ocorre, também, quando se converte o capital em títulos e papéis e em outros signos sob contratos em linguagens jurídicas que convencionam a correção dos valores de tais papéis sob signos de taxas emitidas por aqueles que terão reconhecidamente o direito de determiná-las, possibilitando que o valor de troca real de tais papéis aumente em relação aos produtos efetivos.
Os signos também possuem valor de uso e troca, como outras mercadorias. Assim, por exemplo, usar um calçado é uma necessidade do atual modo de vida de nossas sociedades. Contudo os fabricantes de tênis, por exemplo, produzirão peças publicitárias para mover as subjetividades a comparem seu produto. Não basta, entretanto, agenciar nos jovens o desejo de adquirir um tênis, pois se assim fosse a compra de qualquer tênis realizaria tal desejo. É preciso criar um signo que distinga o tênis de determinada empresa dos produtos similares do demais concorrentes. A interação que o jovem terá com aquele signo é simultaneamente estética e cognitiva, isto é, há uma interação perceptiva e afetiva com o signo resultando em alguma noção ou conceito que se articula com os demais signos de seu imaginário. A propaganda cuidará então da riqueza perceptiva de tal signo sob uma peça publicitária, para que ele não se confunda com nenhum outro signo de nenhum outro produto, ou pelo contrário, para que tal confusão realmente ocorra para levar o consumidor, por exemplo, a comprar amido de milho da Arisco ou invés de Maisena. Contudo a atenção especial é dada à dimensão afetiva em relação ao signo. Todo signo aponta para alguma coisa que não é ele próprio, mas o que ele significa. Ora a marca do tênis -- como todos os signos -- possui uma função polissêmica, isto é, pode significar mais de um significado. Assim, o signo do tênis apontará não apenas para um calçado mas para um conjunto de qualidades e fascinações que ele enquanto signo sobrecodificará. Na peça publicitária aparecerão jovens alegres, bonitos, sensuais, que causam impressão nos colegas e que são socialmente reconhecidos, merecedores de um destaque especial, por possuírem aquele produto. Na propaganda, quando caminham ou correm eles não passam desapercebidos em meio à massa, como se fossem qualquer um, mas entram evidência. São diferentes. Para o espectador aquele tênis é mais que um calçado é um signo que possui uma identidade própria e que em seu imaginário aparece como uma mediação para alcançar destaque, reconhecimento dos amigos, envolvimentos sensuais. Muitas vezes isto aparece manifestamente na própria peça publicitária: "Se alguém lhe oferecer flores no elevador, isto é Impulse! "; "Use avanço que elas avançam !"; "Com Doriana, os elogios são para você !"... O componente afetivo é cada vez mais determinante na escolha do produto, especialmente quando os similares tem as mesmas qualidades objetivas e preços semelhantes. É por isso que, por exemplo, as mesmas empresas de sabonetes e dentifrícios, colocam no mercado várias marcadas de sabonetes e cremes dentais para os diversos segmentos do público consumidor que variam em poder aquisitivo e em imaginários. A modelização da subjetividade para que encontre naquele signo uma satisfação virtual de seus desejos é elemento imprescindível para o acúmulo de capital pelas empresas, que concorrem no mercado. Quando o signo já passou a fazer parte do imaginário como mediação para a realização de afetos, a publicidade em muitos casos deixa de lado o próprio produto para fazer propaganda apenas do próprio signo: como algumas peças publicitárias do "M 2.000", dos cigarros "Hollywood", etc. Assim, o signo tem uma função de uso: não é qualquer tênis que pode garantir o reconhecimento social e a satisfação psicológica de possui-lo. Mesmo que outro produto tenha todas as qualidades objetivas similares, ele é suporte de um outro signo, possui uma outra marca, não cumpre a mesma função no imaginário. Quem compra o tênis em função do signo, a rigor não compra o tênis, mas o signo. Ao consumir o signo visando satisfazer seus anseios subjetivos, considerando no objeto as propriedades virtuais a ele associadas o indivíduo realiza o consumo virtual. Em sua roda de amigos, em cujo imaginário a posse daquele signo deve conferir um caráter de destaque social ao seu possuidor, aquele jovem viverá a fantasia de ser mais especial que os outros e receberá objetivamente o reconhecimento pelos demais.
Muitas vezes é difícil, até mesmo aos mais atentos, escapar da confusão entre realidade efetiva e virtual.
(...)
________________________________________
Notas:
1 Texto apresentado em seminário preparativo à Semana Social da CNBB, realizado em Curitiba em maio de 1994.
In:
http://www.milenio.com.br/mance/Imaginarios.htm, em 18/03/2007.
Postei somente parte do artigo. O artigo completo está no site acima.

22 março, 2007

Um clássico comercial brasileiro


Prenda a atenção do seu público

Liderança.

Se você não gosta de receber sermões, os outros também não. Faça melhor, envolva seus ouvintes em um bom diálogo.
ROLY GRIMSHAW*


Recentemente, o parceiro de uma companhia de acionistas estava lamentando o irritante número de candidatos que fizeram discursos para um contrato de auditoria com a sua empresa. Durante a primeira apresentação, um dos auditores discursou em tom monótono, dando informações já sabidas ou, pior, irrelevantes. Na segunda exibição, a equipe mostrou slides e vídeos divertidos, mas tudo pareceu artificial e falso - qualidades que não eram desejadas para um cargo de auditor.


Encerrado o processo, o que havia com as apresentações dos auditores que, ao final, ele contratou? O diagnóstico foi que o discurso dessas pessoas parecia ter sido feito de forma honesta, por profissionais competentes e que só foram lá para conversar. O grupo não fez exatamente uma exibição, mas colocou as questões que envolviam os negócios da empresa em um tom de conversa informal. Além disso, os integrantes mostraram como poderiam oferecer ajuda para solucionar problemas. Ficou a impressão de que o grupo de auditores já trabalhava para ele. E foi esse o resultado, de fato.

Ao analisar o trabalho do grupo Kingstree, o time vencedor, descobre-se que diálogo é a chave para envolver ouvintes, dar credibilidade e também inspirar confiança durante uma palestra, independentemente se a apresentação é para um pequeno ou grande grupo. Esse tipo de abordagem constrói um estilo único para o apresentador, tão personalizado como uma impressão digital. Além disso, remete a certas características de conversação que são comuns para todas as pessoas, proporcionando uma estrutura que pode ainda aumentar o impacto do discurso.

Abordagem com risco

Infelizmente, os antigos conselhos que são dados durante a preparação de discursantes ou oradores falham quase sempre em uma área crítica. O orador freqüentemente usa um modelo de abordagem em que tenta imitar renomados comunicadores.

Pensam assim: Ronald Reagan e Winston Churchill eram grandes oradores, então para eu ser um grande comunicador, tenho de ser como eles. O que só os levam à artificialidade.

Uma outra técnica que geralmente se utiliza é a identificação das características de um bom apresentador, ou seja, o ensinamento do que ele deve ou não fazer. Para isso, inicialmente, a pessoa é filmada durante a sua performance. Depois, é orientada em alguns quesitos como postura, relaxamento, entonação de voz e contato visual com o público.

Quando a pessoa é filmada novamente, os resultados são melhores: o desempenho fica mais disciplinado, e o orador fala com mais animação e variedade.

Porém, esse tipo de abordagem também pode conduzir à falta de naturalidade. Imagine esse cenário. O orador chega na sala de conferência, encontra os organizadores - alguns que ele já conhece e outros que são apresentados pela primeira vez. A poucos minutos de sua palestra, cria uma primeira impressão nos participantes. O apresentador troca diálogos, coloca algumas idéias, relata questões e relaciona anedotas no seu próprio estilo. Seus gestos não são planejados, seu sorriso não é forçado e sua entonação também não é imposta.

Porém, quando o apresentador vai para o palanque ou fica à frente do público, age de uma forma completamente distinta, criando assim uma falsa e plástica imagem. Essa atitude acaba o desfavorecendo e abalando a sua credibilidade, justamente para aquelas pessoas que ele já havia conquistado anteriormente.

* Roly Grimshaw é diretor do The Kingstree Group, uma Consultoria de Comunicação estabelecida em Londres

_____________________

In: Zero Hora, em 22/03/2007

18 março, 2007

Lei Geral da Micro e Pequenas Empresas prevê mais agilidade para abertura e fechamento de empresas

No Canadá, são necessários dois dias e dois procedimentos para abrir uma empresa; no Brasil são 17 processos obrigatórios e pelo menos 70 dias
Um dos maiores entraves para o crescimento econômico do País e da iniciativa privada nacional é a burocracia, um dos fatores que mais contribuem para o chamado 'custo Brasil'. Para o dono de uma micro e pequena empresa, a burocracia é sentida e sofrida desde o início.
A abertura de um empreendimento em nosso País é um processo que demanda mais tempo que deveria. Em média, 152 dias, segundo uma pesquisa do Banco Mundial; 70, por um levantamento do Sebrae em São Paulo. Para se ter uma idéia, em um país como o Canadá são necessários dois dias e apenas dois procedimentos - no Brasil são 17 processos obrigatórios.
"Há exigências burocráticas excessivas, custosas, e que agora a legislação tenta melhorar", admite Paulo Melchor, consultor do Sebrae em São Paulo. A Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas prevê diversos avanços nesse capítulo, embora algumas partes ainda aguardem regulamentação, ou seja, precisam de ajustes e a adoção de normas técnicas definidas para entrarem em vigor definitivamente.
A lei prevê, por exemplo, um cadastro único para que o empresário não tenha que apresentar diversas vias para abrir uma empresa. O sistema já funciona experimentalmente em São Paulo e na Bahia, com o empresário ao mesmo tempo conseguindo a inscrição estadual na Secretaria de Fazenda e o CNPJ, via internet.
O texto final da lei traz outra mudança prática, que entrará em vigor em breve. Em seu artigo 6º, está escrito que "os requisitos de segurança sanitária, metrologia, controle ambiental e prevenção contra incêndios, para os fins de registro e legalização de empresários e pessoas jurídicas, deverão ser simplificados, racionalizados e uniformizados". Se uma empresa tiver baixo grau de risco em sua atividade, o empresário não precisará de vistoria para conseguir alvará de funcionamento. Até junho, os órgãos responsáveis deverão já ter definido os critérios de definição de baixo risco.
Se essa norma já estivesse em vigor, o empreendimento de Lenice Blanco Pereira não teria sido tão prejudicado. Quando abriu a farmácia de produtos dermatológicos Belle Farma, em 2004, ela fez todos os procedimentos corretamente. Em uma semana, com a ajuda de um contador, já tinha CNPJ e havia pagado todas as taxas. Tudo pronto, imóvel alugado, faltava um engenheiro da prefeitura fazer a vistoria para que Lenice obtivesse o alvará de funcionamento. O papel, que também permitia comprar dos fornecedores, acabou demorando oito meses.
"Fiquei com a empresa parada, pagando aluguel e todas as contas. Nos primeiros meses difíceis, não tinha capital de giro porque havia gastado tudo logo no início", afirma Lenice, que emprega também sua irmã e dois filhos.
Outro dado importante no que concerne à desburocratização é que aberturas, alterações e baixas na constituição de uma empresa ocorrerão "independente da regularidade de obrigações tributárias, previdenciárias ou trabalhistas", como está no texto da lei. Ou seja, o empresário poderá encerrar uma empresa e passar suas dívidas com o governo para as pessoas físicas dos sócios. A certidão de "inexistência de condenação criminal" também não é mais necessária na abertura de empresa.
Planejamento
Enquanto as mudanças previstas na lei não chegam, o que o empresário deve fazer é se informar sobre todos os procedimentos e documentos necessários para abrir ou fechar uma empresa antes de começar o processo. "Muitas vezes leva tanto tempo porque os empresários deixam de apresentar uma série de documentos, não se programam na hora de abrir o negócio. Mas, isso é o primeiro passo, faz parte do planejamento da empresa. Quando o empreendedor começa sem levantar esses dados, já começa mal", alerta Melchor.
A Lei Geral prevê a criação de um portal na internet que centralize informações e procedimentos necessários para a abertura de empresas. Nesse sentido, a lei encoraja a criação de agências que reúnam as entidades necessárias para a abertura de empresa em um só lugar.
Com certeza, a legislação federal vai trazer o debate para os municípios. A facilitação de procedimentos para a abertura de empresas é de interesse nacional", afirma Melchor. Lenice cobra essas mudanças. “Tem que dar condições para funcionar direito, para aí sim gerar emprego e renda", acredita.

Saiba mais sobre a Lei Geral aqui!!

______________

Imagens subliminares impactam o cérebro

Quando se trata de imagens subliminares, longe dos olhos não significa longe da mente. Embora as imagens ou mensagens sejam invisíveis, e as pessoas não tenham consciência de que as viram, elas captam a atenção do cérebro em um nível subconsciente, dizem pesquisadores.As descobertas de cientistas do University College de Londres sugerem que a publicidade subliminar, que emprega imagens ou mensagens para influenciar os consumidores, deixam um impacto no cérebro.
OAS_AD('x96');
- Esta é a primeira vez que se demonstra que o cérebro pode prestar atenção a coisas das quais nós nem sequer tomamos consciência - disse em entrevista o Dr. Bahado Bahrami, chefe da equipe.Os pesquisadores empregaram uma técnica de escaneamento chamada MRI para registrar a atividade cerebral de voluntários aos quais foram mostradas imagens e depois se pediu que desempenhassem tarefas. Os cientistas constataram que o cérebro responde a imagens tênues, embora o espectador não tenha consciência de ter visto as imagens.Para Bahrami, a descoberta aponta para o tipo de influência que a publicidade subliminar pode exercer sobre o cérebro.Os cientistas pediram a voluntários que usassem óculos com lentes filtradas para azul e vermelho e lhes apresentaram uma imagem tênue de objetos do cotidiano a um olho e uma imagem forte em lampejos contínuos para o outro. A imagem forte encobriu totalmente a imagem tênue. Também se pediu aos voluntários que realizassem tarefas mentais simples e mais difíceis ao mesmo tempo.Durante as tarefas mais fáceis, os cérebros dos voluntários captaram os estímulos subliminares, mas, nas tarefas mais difíceis, o MRI não registrou atividade cerebral, porque o cérebro bloqueou a entrada das imagens subliminares.- O que comprovamos é que podemos receber do córtex visual (do cérebro) respostas confiáveis que correspondem a imagens tênues, mesmo que os sujeitos não enxerguem essas imagens - disse Bahrami. - Essas reações se reduzem quando os sujeitos estão ocupados fazendo algo difícil.
__________________



14 março, 2007

Por Seções


O Blog Mora na Psicologia está mudando. Para ficar mais objetivo, estou organizando este por seções. As seções estão sendo organizadas conforme as disciplinas que trabalho nos cursos técnicos do I.P.
Psicologia da comunicação para a publicidade. Relações Humanas e Ética para a Contabilidade e Relações Humanas para o Secretariado. Desde já observar que, nesta primeira fase os cursos de contabilidade e secretariado terão conteúdos semelhantes na matéria de R.H. Porém, ao longo do ano, tais conteúdos serão diferenciados com Ética para a Contabilidade e Relações Públicas para o Secretariado.

Abraços, Jarbas Felicio Cardoso.

12 março, 2007

E-mail

Olá,

criei um e-mail aberto para todos, conteúdos e textos interessantes enviarei para o reverido. O e-mail é: moranapsicologia@gmail.com , a senha eu digo na aula.

Abraços, Jarbas.