24 agosto, 2006

Psicologia humanística III - Carl Rogers e a Terapia centrada no Cliente (Contabilidade e Secretariado)


“Todos têm o potencial de crescer e a oportunidade de seguir em direção à auto-atualização”

O segundo grande expoente da psicologia humanística foi Carl Rogers (1902-1987), criador da terapia centrada no cliente, abordagem que encontrou grande número de adeptos entre os psicólogos clínicos dos anos 60 e 70. (Goodwin, p. 457). Sua teoria é fruto direto de sua própria história de vida. Rogers foi produto de um ambiente familiar altamente controlado, mas que, no entanto o trabalho e o empenho pessoal eram muito valorizados.
A essência da terapia centrada no cliente proposta por Rogers é simples. Primeiro, sintoniza aos ideais fundamentais da psicologia humanística, ele rejeitava a idéia de que era preciso mergulhar no passado do cliente para que a terapia surtisse efeito. Segundo, ele achava que se o terapeuta conseguisse criar o ambiente terapêutico certo, o cliente poderia assumir o controle da própria vida e crescer rumo à auto-atualização. (Goodwin, p. 459). (...)

TRECHO DE FONTE ORIGINAL
Rogers sobre a Criação de um Ambiente Terapêutico
Deparar-me com uma pessoa preocupada, conflituosa, que busca e espera encontrar ajuda, sempre constituiu para mim um grande desafio. Terei o conhecimento, os recursos, a força psicológica, a capacidade – terei seja o que for que precise para poder ajudar essa pessoa?
Há mais de 25 anos, venho tentando satisfazer esse desafio. Ele me fez buscar inspiração em cada elemento de minha formação: os rigorosos métodos de medição da personalidade do Teacher's College, columbia; os insights e métodos psicanalíticos freudianos do Insitute for Guidance, onde trabalhei como residente; os contínuos avanços no campo da psicologia clínica, que tenho acompanhado de perto; [...] e outros recursos demasiado numerosos para mencionar. Porém, acima de tudo, isso tem representado uma aprendizagem e contínua, não só com a minha própria experiência, mas também com a de meus colegas do Counseling Center, na medida do nosso esforço para descobrir, pela experiência direta, meios eficazes de trabalhar com pessoas em dificuldades. [...] (pp.31-32)

Ao descrever a sua filosofia fundamental da terapia, Rogers mostra como gradualmente se distanciou do modelo psiquiátrico do médico especialista que dirige o curso do tratamento para o paciente:
Uma forma concisa de descrever a mudança que ocorreu em mim é dizer que, nos meus primeiros anos de carreira, eu me perguntava: “Como posso tratar, curar ou mudar essa pessoa?” Agora eu reformularia essa pergunta da seguinte maneira: “Como posso fornecer uma relação que essa pessoa possa usar para seu próprio crescimento pessoal?”
Foi com a reformulação dessa pergunta que percebi que tudo o que aprendi é aplicável a todas as minhas relações humanas, e não apenas no trabalho com clientes que têm problemas. É por essa razão que acho possível que aquilo que aprendi e que para mim tem sentido tenha também algum sentido para você na sua experiência, já que todos nós estamos envolvidos em relações
humanas. [...] (p.32).

Esse último parágrafo toca num tema que permeia muitos dos escritos de Rogers. Embora estivesse desenvolvido sua abordagem terapêutica no contexto da terapeuta que tenta ajudar o cliente, ele achava que ela era igualmente útil para qualquer tipo de relacionamento humano. Conforme você verá, ele se detém nesse tema adiante no ensaio. Mas antes ele aborda o ponto principal, inicialmente formulado como uma hipótese geral, explicando cada um dos três componentes da hipótese:
Posso formular a hipótese geral numa oração da seguinte maneira: se eu conseguir estabelecer um certo tipo de relação, a pessoa descobrirá em si mesma a capacidade de usar essa relação para crescer, promovendo então a mudança e o desenvolvimento pessoal.
A Relação
Mas qual o sentido desses termos? Tomarei cada uma das três orações que compões esse período e tentarei explicar o sentido que elas têm para mim. Que tipo específico de relação é esse que eu gostaria de estabelecer?
Eu descobri que quando mais autêntico eu for no relacionamento, mais útil ele se torna. Isso significa que tenho de ter consciência de meus próprios sentimentos, [...] em vez de demonstrar exteriormente de meus próprios sentimentos, [...] em vez de demonstrar exteriormente uma atitude e, na verdade, ter outra no nível mais [...] profundo. Ser autêntico implica também a disposição de ser e manifestar, nas minhas palavras e no meu comportamento, os vários sentimentos e atitudes que há em mim. Só assim é que a relação pode ser real, e a realidade parece ser uma condição de profunda importância. Apenas se eu lhe der a realidade autêntica que há em mim é que o outro poderá buscar em si mesmo a realidade que há nele. [...]
A segunda condição é a seguinte: verifico que quanto maiores forem a
estima e a aceitação que eu der a esse indivíduo, mais estarei criando uma relação que ele possa usar. Com aceitação, refiro-me a uma consideração afetuosa por ele como uma pessoa cujo é inquestionável, não importa quais sejam seus problemas, seu comportamento e seus sentimentos. [...] Isso implica a aceitação e o interesse pelas suas atitudes no momento, independentemente de serem positivas e negativas e do quanto possam contradizer outras atitudes que ele adotou no passado. Essa aceitação de cada aspecto flutuante dessa outra pessoa torna essa relação uma relação de afeto e segurança para ela, e a segurança de ser estimado e valorizado como pessoa é um elemento muito importante numa relação de ajuda.
Além disso, acho que a relação é significativa na medida em que sinto
um desejo contínuo de compreender – uma empatia
sensível diante de cada sentimento e cada coisa que o meu cliente me comunica no momento. A aceitação não significa muito se não envolver a compreensão. Apenas quando eu entendo os sentimentos e pensamentos que lhe parecem tão horríveis, ou fracos, ou sentimentais ou bizarros; apenas quando eu os vir como você os vê e aceitar você e eles é que você se sentirá realmente livre para explorar todos os recônditos e rincões aterradores e geralmente inacessíveis de sua experiência interior. (pp. 33-34)


Esses três atributos constituem a essência da terapia centrada no cliente. A função do terapeuta não é diagnosticar e tratar, mas sim criar uma atmosfera saudável, no qual o cliente possa começar a mudar. Primeiro, o terapeuta deve ser autentico, o que implica que próprio deve ter saúde emocional. Embora Rogers não o diga, essa autenticidade também permita ao terapeuta servir de modelo para o tipo de saúde emocional buscado pelo cliente. Segundo, o terapeuta deve mostrar o que Rogers em outra parte chamou de olhar positivo incondicional. Ele implica a aceitação do valor da pessoa pelo simples fato de ser um ser humano. Em termos práticos, representa evitar rótulos. Por exemplo, certa vez em um fita em que Rogers conversava com um adolescente que havia uma série de problemas. O garoto, muito defensivamente, começa a conversa dizendo que imaginava Rogers devia ter muita experiência no trabalho com delinqüentes. Rogers, muito calmamente, simplesmente disse que preferia pensar nele como “Mike”. A mensagem era: o garoto era uma pessoa, e não o rótulo “delinqüente”. O terceiro componente de uma relação eficaz entre terapeuta e cliente, a empatia, decorre da proposição filosófica humanística de que a realidade é a realidade conforme percebida e vivida pela pessoa. Portanto, para compreender alguém, é preciso tentar compreender como essa pessoa vê as coisas. Rogers reconhecida a impossibilidade de compreender inteiramente outra pessoa, mas o que contava era o esforço. Esse esforço abrangia a principal técnica terapêutica usada por Rogers, a reflexão: tomar algo dito pelo cliente e verbalizá-lo de tal forma que ele conclua que “esse terapeuta entende o que eu estou dizendo”. Como exemplo, vejamos esta transcrição de uma sessão de terapia com Rogers:

Cliente: Eu acho que, do ponto de vista prático, se poderia dizer que o que eu devia estar fazendo é resolver alguns [...] problemas do dia-a-dia. E, no entanto, [...] o que eu estou tentando fazer é resolver [...] outra coisa que é muito [...] mais importante que os pequenos problemas do dia-a-dia.
Terapeuta: Imagino se isso iria distorcer o que você quer dizer: que, de um ponto de vista realista, você devia empregar o seu tempo refletindo sobre certos problemas específicos. Mas você se pergunta se não está em busca do seu eu total e se isso não será mais importante que a solução dos problemas do dia-a-dia.
Cliente: Acho que é isso. Acho que é isso, sim. É provavelmente o que eu queria dizer.

Se consegue estabelecer ambiente terapêutico apropriado, o terapeuta obtém bons resultados, segundo Rogers. E ele foi muito claro quanto à certeza que tinha disso:
[...] Eu diria então que quando tenho em mim as atitudes que descrevi e quando o outro pode até certo ponto vivenciar essas atitudes, acredito que a mudança e o desenvolvimento pessoal invariavelmente ocorrerão – e eu só usei a palavra “invariavelmente” depois de uma longa e atenta consideração.
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Fonte:
GOODWIN, C. James. História da psicologia moderna. Trad. de Marta Rosas. São Paulo: Cultrix, 2005. Pp. 457-462.
Digitação de ? (Aluna da Turma 612 - Secretariado)

23 agosto, 2006

A nova cultura do desejo II [Diagnóstico do consumidor. (Publicidade)]

“A busca por opiniões é nobre; mas tanto as perguntas quanto as respostas são perigosamente deficientes.”

Segundo Melinda Davis, em A nova cultura do desejo, capitulo 10, as tradicionais técnicas de pesquisa de mercado (quantitativas) deixaram de ser precisas perante a nova revolução cultural que ocorreram nas últimas décadas. Para ela “a busca por opiniões é nobre; mas tanto as perguntas quanto as respostas são perigosamente deficientes.” Isso porque:
Primeiro: o próprio consumidor já está condicionado a responder segundo um modelo tradicional do tipo: bolo é úmido. Mamãe é boa. Natural é melhor. O sistema bancário é confiável. Cerveja é para rapazes. Tecnologia é avançada. Toddynho é para crianças. O marketing está prisioneiro de sua própria linguagem.
Segundo: somos todos mentirosos (afirma ela), tanto profissionais de marketing, como consumidores ao responderem aos questionários, metem. Ninguém é mais dono da verdade, não existe um único detentor da verdade, a verdade precisa ser construída.

Exemplo de diagnóstico apresentado por Davis:

"Esse trabalho invariavelmente conduz a uma nova forma de identificar o “consumidor alvo”. A população que estamos tratando pode ser ressegmentada, não demograficamente, ou segundo seu relacionamento com um produto ou aspecto, mas por suas queixas centrais sobre a vida, e sua estratégia central para lidar com essa queixa. Por exemplo, para uma empresa de seguro-saúde, precisamos ver as usuárias atuais de, digamos, terapia de reposição hormonal. Começaríamos com grupos focais nos quais conversaríamos sobre questões não relativas a cuidados de saúde, mas às vidas das mulheres que usam ou podem um dia vir usar essa terapia. Desenvolveríamos um relacionamento pessoal com nossas pareceristas. Promoveríamos grupos de fusão não apenas com ginecologistas e outros médicos de cuidados preventivos, mas também, digamos, com diretores de spas de saúde, editores de revistas, autores, participantes de grupos de outo-ajuda para mulheres, agentes de viagens, consultores financeiros, compradores pessoais, farmacêuticos, acadêmicos investigando questões de auto-imagem feminina, psicoterapeutas, mulheres roteiristas de programas humorísticos de televisão, e mulheres cientistas pesquisando questões de saúde feminina. Onde ocorrem convergências de noções sobre as questões mais importantes no coração e na mente dessa consumidora? Tendo por base essas emoções, identificaríamos novas segmentações do grupo de consumo alvo, determinadas não por questões de produto, mas por questões de vida. Como a forma de como moldarmos nossa transação com essa consumidora afeta as questões maiores? Esta visão da consumidora conduz a segmentações anticonvencionais. Por exemplo, as consumidoras potenciais para companhias de seguro-saúde seriam identificadas não por “estado de doença” ou “sintomatologia” – digamos, mulheres de cinqüenta e tantos anos com problemas de artrite – mas pela auto-imagem das vitimas de artrite ao lidar com seu estado de espírito. Neste modo, as consumidoras alvo seriam identificadas com “as Melindrosas”, “as Frágeis”, “as Solucionadoras de Problemas Hiper-racionais”, as “Caçadoras do Bem-Estar”, ou as “Curandeiras Pelo Prazer”, um novo tipo de identificação de necessidade do consumidor que aborda não o problema funcional, mas o estado de espírito. Todo o marketing, neste modelo, segue o protocolo de primeiro diagnosticar o estado de espírito, e então proceder o tratamento." (Davis, p. 261 a 262)

Técnicas de diagnóstico (as sugestões são minhas e foram feitas a partir de minha análise sobre o texto):

1-Diagnóstico de consumo por análise de comportamento: vivência, dinâmicas interpessoais, imagens, filmagens...
2-Mesas-redondas ( ao estilo das sessões de psicoterapia de grupo). A discussão deve ser feita sem referência direta do produto investigado.
3- Grupo focal ( laboratório para estudar dinâmica do comportamento). Discussão e coleta de opinião sobre produto específico.
4- Colaboração de grupos de consumidores especiais (os antenados) que possuem o cuidado de observar e compreender seu próprio comportamento e de companheiros. Observação e introspecção.
5- Grupos de fusão (coleta de opiniões de especialistas de diferentes categorias que possuem relacionamento com o consumidor ou produto alvo).

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DAVIS, Melinda. A nova cultura do desejo: os segredos sobre o que move o comportamento humano do século XXI. Rio de Janeio: Afiliada, 2002.

18 agosto, 2006

A nova cultura do desejo I (Publicidade)

“Por que desejamos as coisas que desejamos e fazemos as coisas que fazemos?”
O livro A nova cultura do desejo: os segredos sobre o que move o comportamento humano do século XXI, de Melinda Davis, foi para mim uma das melhores leituras que fiz neste ano (até agora). Neste livro a autora procura elucidar sobre o frenesi, a imagética e porque não “esquizofrênica” realidade atual, é claro, somado a estas questões existenciais há uma relação sugestiva com o mundo das vendas e do marketing. Davis afirma que hoje vivemos na era da imagem e da valorização da representatividade em detrimento do real (fenômeno chamado no livro de "desrealização") e são esses os motivos pelos quais as pessoas agora se preocupam muito mais com a sua saúde e conforto psíquicos do que físicos. Para Davis é exatamente este último ponto que precisa ser mais bem compreendido e explorado pelos "sedutores do mundo" através de criteriosos exames e planos.
A profética autora também tece críticas a uma forma (que segundo a mesma é) ultrapassada de fazer marketing.
De aspecto pragmático, futurista e de leitura formidável o livro torna-se obrigatório para quem quer entender melhor o mundo das vendas, da subversão, da imposição de percepções e exploração dos desejos.
Abaixo segue um resumo sobre o livro que retirei do site:

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Os mestres Yoda vêm aí

Melinda Davis (The Next Group), consultora e futurista norte-americana, falou sobre O Consumidor e a Nova Cultura do Desejo. De acordo com ela, o mundo mudou radicalmente. Os consumidores mudaram e suas percepções também não são mais as mesmas, e o excesso de informações e estímulos do que Melinda chama de "era imagética" vem deixando as mentes das pessoas de toda parte em "estado de emergência". Ela descreveu a angústia e os temores que estão afligindo o "estado de espírito" e mudando os desejos e, conseqüentemente, os padrões e a cultura de consumo. "A avalanche de publicidade e de notícias ruins que as pessoas recebem diariamente está causando essas mudanças. Os profissionais de marketing precisam compreendê-las para ser bem-sucedidos neste século 21", disse Melinda. Esta é a base de sua teoria, batizada de A Nova Cultura do Desejo, que começou a ser pesquisada em 1996 e virou livro, cuja versão em português foi lançada em agosto no Brasil pela Editora Record.
Segundo ela, essa mudança no comportamento está obrigando todos os profissionais de marketing a repensar sua abordagem. "O mundo deixou um pouco o seu lado físico e passou a ser mais imaginativo por conta de todos os estímulos digitais recebidos diariamente. As percepções estão mais sensíveis do que nunca", disse. Segundo a teoria da Nova Cultura do Desejo, os primeiros profissionais de marketing surgiram na era das cavernas e tinham o papel de meros vendedores. A primeira grande mudança no perfil desses profissionais teria ocorrido após a Segunda Guerra Mundial, com o surgimento da televisão e o desejo de esquecer os horrores do conflito. "Eles passaram a ter de entreter seu público para poder vender seus produtos. Patrocinavam programas e novelas que levavam o nome de seus produtos", disse ela.
Com o boom digital dos meios de comunicação e o efeito CNN de globalização do noticiário, somado à intensificação do bombardeio publicitário, Melinda diz que as pessoas passaram a ficar mais angustiadas por não dar conta do volume de estímulos e sofreram mudanças em seu estado de espírito. Se antes as pessoas falavam "eu não quero" ou "quero fazer sexo", Melinda diz que esses bordões viraram "eu não quero enlouquecer" e "eu quero prazer". A futurista revela que o resultado desse "novo estado de espírito" é a busca por curandeiros. "Os produtos precisam oferecer a elas esse alívio espiritual e algum prazer. Isso porque o consumo tende a ser a principal válvula de escape para essas angústias que descrevi", teoriza Melinda. Ela citou exemplos de peças publicitárias que já adotam essa linha como a Air France, com uma linha Zen; e a alemã Lufthansa que usa Buda em sua comunicação.
O clímax da Nova Cultura do Desejo é a busca por gurus em todas as decisões, especialmente as de compra. O mestre Yoda, guru dos cavaleiros Jedi na saga cinematográfica Guerra nas Estrelas, foi o modelo escolhido por Melinda Davis para simbolizar essa personalidade que, segundo ela, vai referendar marcas e produtos no futuro. "Ele é tipo de pessoa que, do alto, vai olhar para tudo e todos e determinar o que deve ser consumido por seus seguidores. Acredito que as marcas que não estiverem vinculadas a algum Yoda tendem a desaparecer em 20 anos", arriscou Melinda. Para ela, as personalidades atuais que se encaixam na sua definição de guru Yoda são o empresário britânico Richard Branson, presidente do grupo Virgin; e a apresentadora norte-americana Oprah Winfrey, que tem um programa de TV e uma revista com seu nome. No Brasil, Melinda acredita que o presidente Lula tenha o perfil de um Yoda. "Ele é o símbolo da classe trabalhadora e acredito que seja muito popular por isso", disse.
"Não apenas pessoas, mas também algumas marcas vão se tornar Yoda", comenta a consultora. Citando um exemplo prático, Melinda diz que no futuro serão comuns guarda-chuvas de produtos das mais variadas marcas referendados por um ícone Yoda. "Podemos ter, por exemplo, Apple Cola by Coca-Cola, ou Apple airlines by Lufthansa, ou Apple chocolates by Nestlé e assim por diante", profetiza. Outra tendência que ela apontou é a do tribalismo, que tende a unir pessoas com perfis semelhantes. O exemplo citado por Melinda foi uma água mineral (Dosani), lançada pela Coca-Cola nos EUA, direcionada ao público afro-americano: "É um sucesso de vendas, algo que não seria possível usando a marca Coca-Cola".
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DAVIS, Melinda. A nova cultura do desejo: os segredos sobre o que move o comportamento humano do século XXI. Rio de Janeio: Afiliada, 2002.

09 julho, 2006

Abraham Maslow - Psicologia Humanística II (Contabilidade e Secretariado)

Abraham Maslow tinha formação em psicologia experimental e havia pesquisado o comportamento dominante nos primatas, mas num dado momento trocou o que julgava uma abordagem científica reducionista e estéril pela estratégia humanística mais holística. Depois de concluir um doutorado em 1934, ele foi para Nova York e acabou tornando-se professor do Brooklyn College, onde permaneceu até 1951, tendo então se transferido para a Brandeis University (perto de Boston) e permanecendo ali até o fim de sua carreira. Maslow é conhecido entre os alunos de psicologia geral por sua hierarquia das necessidades, modelo que propõe uma série de sistemas de necessidades que estavam abaixo, arrumada em forma de pirâmide, com as de níveis inferiores e mais primitivas em baixo e a auto-realização no topo. Para atingir a uto-realização, era necessário satisfazer todas as necessidades que estavam abaixo: necessidades fisiológicas, de segurança, de amor e entrosamento e de auto-estima, nessa ordem. Para Maslow, o estudo da auto-atualização, ao contrário das estratégias voltadas para os distúrbios psicológicos (como, por exemplo, a psicanálise de Freud), produziria uma psicologia mais saudável. Conforme disse num trecho citado muitas vezes, “o estudo de espécimes traumatizados, atrofiados, imaturos e doentios só pode produzir uma psicologia igualmente prejudicada. [...] O estudo de pessoas que se auto-atualizam deve constituir a base de uma ciência mais universal da psicologia” (Maslow, 1954, p.234). Maslow seguiu seu próprio conselho e analisou mais detidamente o conceito de auto-atualização, identificando pessoas reais cuja história levasse a crer que eram personagens auto-atualizados e, em seguida, buscando elementos comuns entre elas. O trabalho começou informalmente­­ e ele refletiu sobre duas pessoas que havia conhecido em Nova York, a antropóloga Ruth Benedicit e o psicólogo gestaltista Max Wertheimer. Maslow diria posteriormente que, enquanto estudava Benedicit e Wertheimer, percebeu que “ os dois padrões (dessas duas pessoas) poderiam ser generalizados. Eu estava falando sobre um tipo de pessoa, e não sobre dois indivíduos que não poderiam ser comparados. [...] Tentei descobrir se esse padrão poderia ser encontrado em outras pessoas” (Maslow, 1971, pp. 41-42). E podia. Usando de diversas técnicas, Maslow identificou várias pessoas que aparentemente compartilhavam alguns dos atributos de Benedicit e Wertheimer. Maslow descobriu que as pessoas que se auto-atualizavam percebiam a realidade com precisam, eram extremamente independentes e criativos, agiam de fôrma espontânea e natural com os demais, viam seu trabalho mais como uma carreira ou vocação, que como um emprego, possuíam um forte código moral e ocasionalmente tinham momentos de satisfação ou fruição intensas, aos quais denominou experiências de pico.
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Hierarquia das motivações (por ordem crescente):

1. Necessidades fisiológicas (água, luz solar, alimento, oxigênio, sexo, moradia);
2. Necessidades de segurança (estar livre do medo e das ameaças, de não depender de ninguém, de autonomia, de não estar abandonado, de proteção, de confidencialidade, de intimidade, de viver num ambiente equilibrado);
3. Necessidades de afeto ou de pertença (afiliação, afeto, companheirismo, relações interpessoais, conforto, comunicação, dar e receber amor);
4. Necessidades de prestígio e estima social (respeito pela própria dignidade pessoal, elogio merecido, auto-estima, individualidade, identidade sexual, identidade sexual, reconhecimento);
5. Cognitivas e de curiosidade, de conhecer o mundo (saber, inteligência, estudo, compreensão, estimulação, valia pessoal);
6. Estéticas (realização de possibilidades, autonomia pessoal, ordem, beleza, intimidade, verdade, objetivos espirituais);
7. Necessidades de auto-realização e criatividade (auto-expressão, utilidade, criatividade, produção, diversão e ócio).
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Fonte:
GOODWIN, C. James. História da psicologia moderna. Trad. de Marta Rosas. São Paulo: Cultrix, 2005. P. 456 - 457. (primeira parte)
Digitação de Simone Daiane A. Alves (Aluna da Turma 613 - Secretariado)

A psicologia Humanística I (Contabilidade e Secretariado)

A Abordagem Humanística da Psicologia
A Psicologia Humanística começou como uma rebelião. Conhecida como a “terceira força”, da psicologia, representava a rejeição ao suposto “establishment mecanicista, impessoal, hierárquico e elitista da psicanálise e [ao] behaviorismo, excessivamente cientificista, frio e distante”. Os psicólogos humanistas criticavam a idéia de que o comportamento humano pudesse ser reduzido a instintos biológicos recalcados ou a simples processos de condicionamento, rejeitavam a idéia de que a história pessoal limitasse as possibilidades futuras e negavam os pressupostos deterministas das duas outras “forças” da psicologia, a psicanálise e o behaviorismo. Em lugar disso, eles propunham que as qualidades que melhor caracterizavam os seres humanos era o livre-arbítrio e a sensação de responsabilidade e propósito, a busca eterna e progressista de sentido na vida e a tendência inata de crescer rumo à assim chamada auto-atualização. Auto-atualizar-se significa atingir seu potencial de vida em toda a sua plenitude. Os dois psicólogos norte-americanos que tiveram a maior associação com a psicologia humanística foram Abraham Maslow e Cal Rogers.

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Fonte:
GOODWIN, C. James. História da psicologia moderna. Trad. de Marta Rosas. São Paulo: Cultrix, 2005. P. 456 - 457.
Digitação de Simone Daiane A. Alves (Aluna da Turma 613 - Secretariado)

Sensação e Percepção I

O que você vê?Uma pessoa?Ou a palavra LIAR???
Todos os dias utilizamos a palavra sensação. Mas o que é uma sensação?
A sensação é um processo fisiológico de ligação do organismo com o meio, através dos órgãos sensoriais, e consiste na transmissão de um influxo nervoso ( corrente elétrica que percorre os nossos nervos) desde o órgão sensorial até aos centros de decodificação. Realiza-se pela ação de um estímulo específico sobre um receptor que é apropriado para o receber. Assim, por exemplo, os olhos recebem estímulos luminosos, os ouvidos estímulos sonoros, etc.
Os nossos sensores são, assim, os órgãos dos sentidos que recebem e transmitem mensagens bioquímicas sob a forma de influxo nervoso que após serem decodificadas e interpretadas nos centros nervosos de conexão (espinal medula e encéfalo), desencadeiam uma resposta motora ou glandular.
Com efeito, a sensação consiste numa espécie de apresentação isolada das qualidades dos objetivos constituído a base da percepção, se bem que não se possa isolar dela. É, por conseguinte, a via através da qual entramos em contato com o meio e que está, portanto, na gênese do conhecimento, fornecendo-lhe os elementos imediatos e sensíveis que vão ser objetos de um processo de interpretação e organização a que chamamos de percepção.
Assim sendo, a percepção é uma configuração e organização desses elementos que a nossa mente integra nas nossas experiências passadas, ligando e unificando-os, isto é, filtrando-os através dos fatores de significação que a linguagem e as referências culturais de cada um já criaram.
É assim que, partindo de uma multiplicidade de informações presentes e passadas, a p percepção se constitui como uma construção individual, e é por isso que este processo, dependendo, por um lado, dos mecanismos sensoriais e, por outro, das vivências individuais, permite construir uma visão da realidade já muito complexa, a qua cada um pode atribuir um significado particular.
(...)
Tomemos como exemplo disso o testemunho de um cidadão americano que, em Paris, se dá conta desta seletividade da nossa percepção:

“Eu moro em Gaches (ele queria dizer Garches), nos arredores de Paris e
muitíssimas vezes tenho de voltar para casa de táxi; ordeno, então, ao condutor:
'Gaches', mas ele não compreende. Repito-lhe em todos os tons,
virando a pronúncia: Gaches, Gâches, Giches, Gêches, Gueches, Guches, Gûches,
Guiches, Gaiches... leva muito tempo a compreender... muitas vezes preciso de
monstrar-lhe Gaches no mapa...; enfim, quando o condutor acaba por me
compreender, responde peremptoriamente
(é o americano que fala): "Ah! Gaches! Porque não disse mais cedo?" Ora é certo que o condutor disse
Garches e não Gaches, mas o americano não ouviu o 'r' e, portanto,
não percebe a diferença entre Garches e Gaches, uma vez que subestima, despreza
e anula o 'r' de Garches.

Jean Fourastié, Idéias
para o Progresso Social e Científico, Livros do Brasil, pág. 139.

Costumamos acreditar que se vê com os olhos e que se ouve com os ouvidos, e que ver e ouvir são fenômenos objetivos e, por isso, pensamos que quando um som, por exemplo, é emitido também deve ser percebido objetivamente pelo ouvido humano.
Ora, pelo contrário, o que o exemplo acima citado demonstra é que:
a) o ouvido humano, neste caso particular, e os sentidos, de um modo geral, são apenas sensores para obter dados, que transmitem ao cérebro;
b) os sentidos nem sequer captam todos os dados (só os que se mostram adequados a cada tipo de sensores e que se apresentam com uma determinada intensidade, abaixo ou acima da qual não são captáveis);
c) o centro decodificador (o cérebro) só aprende e decodifica uma parte das informações que recebe.
Como é, então, que este centro decodificador processa a seleção dos dados? Fá-lo em função:
- do conteúdo anterior do pensamento;
- da estrutura dada à mente por experiências passadas;
- do interesse e da capacidade de fixar a atenção;
- da expectativa face a um determinado estímulo.
Se o cérebro foi educado para perceber um determinado som, percebe-o facilmente; de contrário, precisará de uma reaprendizagem. Temos todos tendência para supor que as nossas percepções (visuais, auditivas, tácteis...) são registros diretos da realidade e que os órgãos receptores e decodificadores a captam e percepcionam tal como ele é. Esta tendência, a que os filósofos chamam realismo ingênuo supõe que:
- o mundo que percebemos é idêntico ao mundo real;
- para perceber (ou percepcionar) o mundo real, é preciso apenas “abrir” os nossos sentidos, que nos darão dele uma representação adequada.
Parecem, porém, que a percepção dos objetos não se processa de modo análogo ao registro feito por uma máquina fotográfica. A própria ciência tem vindo a demostrar que o mundo é muito diferente daquilo que os nossos sentidos nos mostram. Desde Galileu que já não podemos confiar nos nossos sentidos, pois se os sentidos nos mostram que o sol se desloca num movimento diário de Oriente para Ocidente, a nossa razão diz-nos que isso é uma ilusão.
Por outro lado, há realidades que a ciência descobriu e que são invisíveis aos sentidos (os campos eletromagnéticos, as partículas atômicas, determinadas freqüências de som, ou comprimentos de onda da luz, etc.). Tudo isto nos leva à necessidade de considerar um outro elemento fundamental no processo do nosso relacionamento com a realidade. Esse elemento chama-se RAZÃO.
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Fonte:
ALVES, Fátima. AREDES, José. CARVALHO, José. A chave do Saber- Introdução à filosofia 11º ano. Lisboa: Texto Editora, 2002. P. 153 - 155.

O phi-fenômeno- A Gestalt III

O phi-fenômeno: ou a distinção entre fenômeno físico e psicológico
Wertheimer procurou demonstrar a veracidade deste princípio através da seguinte experiência.
Ele projetou sucessivamente dois pontos luminosos em uma tela; via-se um ponto surgir imóvel na primeira posição, desaparecer, voltar a aparecer imóvel na segunda posição, desaparecer, voltar a surgir na primeira etc. Mas, diminuindo o tempo de exposição, entre um e outro ponto, verificou que se passava a ver apenas um ponto que se movia de um lado a outro da tela. Diminuindo ainda mais o tempo de exposição entre a projeção dos pontos, percebiam-se então dois pontos imóveis vistos simultaneamente. A esse fenômeno – aparecimento de movimento quando não há movimento físico correspondente – Wertheimer denominou phi-fenômeno (ou fi-fenômeno). A razão de ser do nome foi evitar qualquer tipo de preconceito na explicação do fenômeno, mesmo através do nome (muitos davam a esse fenômeno a denominavam de movimento aparente um vez que o mesmo não ocorria no plano físico).
Como explicar esse efeito? (...)
A única possibilidade de solução foi encarar essa percepção como uma percepção original, que não é nem uma soma, nem uma síntese de sensações, nem uma interpretação por meio de crenças, mas apenas uma visão do movimento como tal, imediatamente dado. Essa visão não poderia, de modo algum, ser condicionada à experiência humana anterior como movimentos fisicamente reais, pois em termos psicológicos o movimento do tipo phi é tão real quanto qualquer movimento físico.

Entenda melhor o Phi-fenômeno Aqui.

06 julho, 2006

A Gestalt II

Leis gestaltistas da organização
A Teoria da Gestalt, em suas análises estruturais, descobriu certas leis que regem a percepção humana das formas, facilitando a compreensão das imagens e idéias. Essas leis são nada menos que conclusões sobre o comportamento natural do cérebro, quando age no processo de percepção. Os elementos constitutivos são agrupados de acordo com as características que possuem entre si, como semelhança, proximidade e outras que veremos a seguir. O fato de o cérebro agir em concordância com os princípios Gestálticos já poderia ser considerado a evidência fundamental de que a Lei da Pregnância* é verdadeira.
São estas, resumidamente, as Leis da Gestalt:
SEMELHANÇA: Ou “similaridade”, possivelmente a lei mais óbvia, que define que os objetos similares tendem a se agrupar. A similaridade pode acontecer na cor dos objetos, na textura e na sensação de massa dos elementos. Estas características podem ser exploradas quando desejamos criar relações ou agrupar elementos na composição de uma figura. Por outro lado, o mau uso da similaridade pode dificultar a percepção visual como, por exemplo, o uso de texturas semelhantes em elementos do “fundo” e em elementos do primeiro plano. (Veja imagem)
PROXIMIDADE: Os elementos são agrupados de acordo com a distância a que se encontram uns dos outros. Logicamente, elementos que estão mais perto de outros numa região tendem a ser percebidos como um grupo, mais do que se estiverem distante de seus similares.
BOA CONTINUIDADE: Está relacionada à coincidência de direções, ou alinhamento, das formas dispostas. Se vários elementos de um quadro apontam para o mesmo canto, por exemplo, o resultado final “fluirá” mais naturalmente. Isso logicamente facilita a compreensão. Os elementos harmônicos produzem um conjunto harmônico. (Veja imagem)
PREGNÂNCIA: A mais importante de todas, possivelmente, ou pelo menos a mais sintética. Diz que todas as formas tendem a ser percebidas em seu caráter mais simples: uma espada e um escudo podem tornar-se uma reta e um círculo, e um homem pode ser um aglomerado de formas geométricas. É o princípio da simplificação natural da percepção. Quanto mais simples, mais facilmente é assimilada: desta forma, a parte mais facilmente compreendida em um desenho é a mais regular, que requer menos simplificação. (veja imagem)
CLAUSURA: Ou “fechamento”, o princípio de que a boa forma se completa, se fecha sobre si mesma, formando uma figura delimitada. O conceito de clausura relaciona-se ao fechamento visual, como se completássemos visualmente um objeto incompleto. Ocorre geralmente quando o desenho do elemento sugere alguma extensão lógica, como um arco de quase 360º sugere um círculo. O conceito de boa continuidade está ligado ao alinhamento, pois dois elementos alinhados passam a impressão de estarem relacionados. (Veja imagem)
EXPERIÊNCIA PASSADA: Esta última relaciona-se com o pensamento pré-Gestáltico, que via nas associações o processo fundamental da percepção da forma. A associação aqui, sim, é imprescindível, pois certas formas só podem ser compreendidas se já a conhecermos, ou se tivermos consciência prévia de sua existência. Da mesma forma, a experiência passada favorece a compreensão metonímica: se já tivermos visto a forma inteira de um elemento, ao visualizarmos somente uma parte dele reproduziremos esta forma inteira na memória.
Veja todas as imagens aqui
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* O sistema tende espontaneamente à estrutura mais equilibrada, mais homogênea, mais regular, mais simétrica.
Fonte: Wikipédia.pt

A Gestalt I

A PSICOLOGIA DA FORMA
A Psicologia da Gestalt é uma das tendências teóricas mais coerentes e coesas da história da Psicologia. Seus articuladores se preocuparam em construir não só uma teoria consistente, mas também uma base metodológica forte, que garantisse a consistência teórica.
Gestalt é um termo alemão de difícil tradução. O termo mais próximo em português seria forma ou configuração, que não é muito utilizado por não corresponder exatamente ao seu real significado em Psicologia.
No final do século passado muitos estudiosos procuravam compreender o fenômeno psicológico em seus aspectos naturais (principalmente no sentido da mensurabilidade). A Psicofísica estava em voga.
Ernst Mach (1838-1916), físico, e Chrinstiam von Ehrenfels (1859-1932), filósofo e psicólogo, desenvolviam uma psicofísica com estudos sobre as sensações (o dado psicológico) de espaço-forma e tempo-forma (o dado físico) e podem ser considerados como os mais diretos antecessores da Psicologia da Gestalt.
Max Wertheimer, Wolfgang Köhler e Kurt Koffka, baseados nos estudos psicofísicos que relacionaram a forma e sua percepção, construíram as bases de uma teoria eminentemente psicológica.
Eles iniciaram seus estudos pela percepção e sensação do movimento. Os Gestaltistas estavam preocupados em compreender quais os processos psicológicos envolvidos na ilusão de ótica, quando o estímulo físico é percebido pelo sujeito com uma forma diferente do que ele é na realidade.
É o caso do cinema. Quem já viu uma fita cinematográfica sabe que ela é composta de fotogramas com imagens estáticas. O movimento que vemos na tela é uma ilusão de ótica causada pelo fenômeno da pós-imagem retiniana (qualquer imagem que vemos demora um pouco para se 'apagar' em nossa retina). As imagens vão se sobrepondo em nossa retina e o que percebemos é um movimento. Mas o que de fato é projetado na tela é uma fotografia estática, tal como uma seqüência de slides.
(...)
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Fonte:
BOCK, Ana; FURTADO, Odair e TEIXEIRA, Maria. Psicologias. Uma introdução ao estudo de Psicologia. São Paulo: Saraiva, 1997. pág. 53-54.

04 julho, 2006

Teste sua aprendizagem


"A psicanalise propõe mostrar que o EU não somente não é senhor na sua própria casa, mas também está reduzido a contentar-se com informações raras e fragmentadas daquilo que se passa fora da consciência, no restante da vida psíquica..." (Freud, Cinco ensaios sobre a psicanálise)
1. Segundo Freud como se caracteriza o comportamento humano?
2. O que Freud descobriu de importante sobre a sexualidade?
3. Qual a função e como operam os mecanismos de defesa do ego?
4. Descreva as idéias de Freud quanto à sexualidade infantil.
5. Qual é a importância do ID para nossas vidas?
6. Diferencie principio da realidade de principio do prazer
7. Quais as funções e como operam os mecanismos de defesa do ego?
8. Tome como exemplo uma propaganda ou um programa de TV e explique como as imagens podem manipular nosso inconsciente.
9. Relacione os seguintes termos de Freud com suas definições apropriadas:
( ) inconsciente a. energia que deriva do instinto sexual
( ) superego b. mediador entre a realidade, o superego e o id
( ) id c. impulsos inconscientes buscando expressar-se
( ) ego d. idéias e sentimentos dos quais não estamos normalmente conscientes
( ) libido e. guardião moral do ego

CLIPAGEM

Clipagem de textos complementares:

Empatia e produtividade

Excepcionais, medianos ou mediocres

Em vez do comercial, um show

Eles dizem o que você vai consumir

03 julho, 2006

Sigmund Freud e a Psicanálise VII

Textos Originais:

O Mal-estar na Civilização

O Futuro de uma Ilusão

Psicologia das Massas e a Análise do eu

A Interpretação dos Sonhos I

A Interpretação dos Sonhos II

Sobre a psicopatologia da vida cotidiana

Totem e Tabu

Desejo e mídia - Psicanálise VI

Muitos pressupostos da psicanálise podem também nos ajudar a compreender, ao menos em parte, estratégias empregadas pela mídia a fim de que determinadas propagandas e publicidades tenham resultado.

No ser humano existem inúmeros desejos, como desejos de consumo, desejo de afeto, etc. Vamos considerar dois pontos da abordagem psicanalítica que iluminam o caminho em direção à compreensão desses fenômenos. O primeiro refere-se aos processos mentais da ação mútua de forças que são originalmente da natureza de instintos (Freu,1980, vol.20)

Mas qual a importância de entender os instintos, a libido e suas fases para a comunicação? Reconhece Freud que todos os desejos, impulsos instintos, modalidades de reações e atitudes da infância acham-se ainda demonstravelmente presentes na maturidade e, em circunstância apropriada, podem mais uma vez surgir.

Comerciais de televisão podem auxiliar determinadas pessoas a encontrar uma fonte de satisfação para desejos que ficaram insatisfeitos na infância. Por exemplo, certo comercial de cerveja ilustra isso ao associar sua embalagem (símbolo fálico) a uma parte do corpo da mulher, colocando uma garrafa ao lado da outra, causando a impressão de que elas formam seios (símbolos orais).

O segundo ponto (...) refere-se ao princípio do prazer-desprazer. O desprazer estárelacionado com um aumento de excitação, e o prazer com uma redução. Como a satisfação de parte das necessidades dos seres humanos é regularmente frustrada pela realidade, procuramos encontrar algum outro meio de manejar nossos impulsos insatisfeitos. È justamente aí que está o perigo, pois sabendo que existe uma tendência interior a buscar sempre o prazer, e que a realidade não satisfaz sempre esse prazer, os comerciais tentam, então, suprir nossas carências de modo que o princípio do prazer sobrepuje seu rival.

Então comerciais que incitam busca de prazeres que são difíceis de ser conquistados podem acarretar conseqüências negativas para os próprios seres humanos.

Fonte:

JACQUES, Maria da Graça Corrêa. Psicologia social contemporânea. Petrópolis: Vozes, 2002. P. 149 a 150

O que é Doença Mental? - Psicanálise V

Popularmente há uma tendência em se julgar a sanidade da pessoa, de acordo com seu comportamento, de acordo com sua adequação às conveniências sócio-culturais como, por exemplo, a obediência aos familiares, o sucesso no sistema de produção, a postura sexual, etc.Cientificamente, entretanto, Doença Mental pode ser entendida como uma variação mórbida do normal, variação esta capaz de produzir prejuízo na performance global da pessoa (social, ocupacional, familiar e pessoal) e/ou das pessoas com quem convive.Organização Mundial de Saúde diz que o estado de completo bem estar físico, mental e social define o que é saúde, portanto, tal conceito implica num critério de valores (valorativo), já que, lida com a idéia de bem-estar e mal-estar.
Depressão
A depressão é uma doença "do organismo como um todo", que compromete o físico, o humor e, em conseqüência, o pensamento. A Depressão altera a maneira como a pessoa vê o mundo e sente a realidade, entende as coisas, manifesta emoções, sente a disposição e o prazer com a vida. Ela afeta a forma como a pessoa se alimenta e dorme, como se sente em relação a si próprio e como pensa sobre as coisas. A Depressão é, portanto, uma doença afetiva ou do humor, não é simplesmente estar na "fossa" ou com "baixo astral" passageiro. Também não é sinal de fraqueza, de falta de pensamentos positivos ou uma condição que possa ser superada apenas pela força de vontade ou com esforço.
Sinais da Depressão:
Insônia inicial (problemas para adormecer), insônia mediana (sono intercalado), insônia tardia (acordar de madrugada), dor nas costas, dor de cabeça, cansaço, diminuição da libido em pessoas mais velhas, além dos persistentes sentimentos de tristeza, ansiedade ou “vazio”, desesperança, pessimismo, culpa e falta de amor próprio são sintomas típicos da depressão. As reações podem variar do choro fácil até tentativas de suicídio. No idoso, os sintomas não se manifestam através da tristeza mas por queixas físicas, como apatia, fadiga e falta de motivação ao executar as tarefas do dia-a-dia. O tratamento da depressão varia de acordo com o grau da doença. As indicações vão de terapias com psicólogos nos casos diagnosticados como “leves” até tratamentos com antidepressivos e sedativos para os casos considerados graves.
Neurose

A palavra “neurótica”, da maneira como costuma ser usada hoje, tem sentido impróprio e pode ser ofensivo ou pejorativo. Pessoas que não entendem nada dessa parte da medicina podem usar a palavra "neurose" como sinônimo de "loucura". Mas isso não é verdade, de forma alguma.
Trata-se de uma reação exagerada do sistema nervoso em relação a uma experiência vivida (Reação Vivencial). Neurose é uma maneira da pessoa SER e de reagir à vida. A pessoa É neurótica e não ESTÁ neurótica. Essa maneira de ser neurótica significa que a pessoa reage à vida através de reações vivenciais não normais; seja no sentido dessas reações serem desproporcionais, seja pelo fato de serem muito duradouras, seja pelo fato delas existirem mesmo que não exista uma causa vivencial aparente.
Essa maneira exagerada de reagir leva a pessoa neurótica a adotar uma serie de comportamentos (evita lugares, faz atitudes para alívio da ansiedade... etc).
O neurótico, tem plena consciência do seu problema e, muitas vezes, sente-se impotente para modificá-lo. Exemplos: 1 - Diante de um compromisso social a pessoa neurótica reage com muita ansiedade, mais que a maioria das pessoas submetidas à mesma situação (desproporcional). Diante desse mesmo compromisso social a pessoa começa a ficar muito ansiosa uma semana antes (muito duradoura) ou, finalmente, a pessoa fica ansiosa só de imaginar que terá um compromisso social (sem causa aparente).2 - Num determinado ambiente (ônibus, elevador, avião, em meio a multidão, etc) a pessoa neurótica começa a passar mal, achando que vai acontecer alguma coisa (desproporcional). Ou começa a passar mal só de saber que terá de enfrentar a tal situação (sem causa aparente).
A Neurose é uma Doença Mental? Não, a Neurose não é sinônimo de loucura, assim como também, a pessoa neurótica não apresenta nenhum comprometimento de sua inteligência, nem de contato com a realidade. Seus sentimentos também são normais. Eles amam, sentem alegria, tristeza, raiva, etc., como qualquer pessoa.A diferença entre uma pessoa neurótica e uma normal é em relação à quantidade de emoções e sentimentos e não quanto à qualidade deles. Os neuróticos ficam mais ansiosos, mais angustiados, mais deprimidos, mais sugestionáveis, mais teatrais, mais impressionados, mais preocupados, com mais medo, enfim, eles têm as mesmas emoções que todos nós temos, porém, exageradamente. A Neurose, portanto, não é uma doença mental é, sobretudo, uma doença da personalidade. Tipos de Neuroses De modo geral, e didaticamente, as neuroses costumam ser classificadas através de seu sintoma mais proeminente. Isso não significa que todas elas possam ter uma série de sintomas comuns (todas têm ansiedade, por exemplo).Um dos tipos mais comuns, hoje em dia, é aquele cujo sintoma proeminente é a fobia (medo patológico), juntamente com ansiedade. O Transtorno Fóbico-Ansioso é uma neurose que se caracteriza, exatamente, pela prevalência da Fobia entre outros sintomas de ansiedade, ou seja, um medo anormal, desproporcional e persistente diante de um objeto ou situação específica.Dentro dos quadros fóbicos-ansiosos destacam-se três tipos:1 - Agorafobia (medo fóbico de lugares específicos);2 - Fobia Social (medo de ser avaliado por outras pessoas) e;3 - Fobia Específica (medo fóbido de determinados objetos).O Transtorno Ansioso é outro tipo de Neurose.
A Neurose tem cura?Antigamente se pensava que a neurose era sempre incurável e que se convertia, com o tempo, numa doença crônica e invalidante. Hoje em dia, felizmente, as pessoas que sofrem deste transtorno podem recuperar-se por completo e lavar uma vida normal como qualquer outra pessoa. A rigor, para as neuroses, recomenda-se um acompanhamento psicológico adequado, associado ao tratamento médico (com medicamentos) quando necessário, juntamente com a cooperação apropriada do próprio paciente e da sua família. Com essa conduta, felizmente, a grande maioria das neuroses podem ser perfeitamente controlada, proporcionando ao paciente uma melhor qualidade de vida e inegável bem estar.Em casos mais graves a medicação é inevitável, normalmente quando há componentes depressivos e ansiosos graves.
A família pode causar a neurose?Sim e não! Essa resposta depende da família e do neurótico. Mas, podemos dizer que para desenvolver uma neurose é preciso certa vulnerabilidade emocional e, para que esta se manifeste em sua plenitude, é preciso uma vivência desencadeadora.
Podemos dizer também que até o momento, as Neuroses são consideradas de natureza Constitucional e, algumas vezes, Genética.
Qual a importância social das neuroses?As neuroses são, indubitavelmente, o contingente mais importante de pacientes que procuram ajuda de psicólogos e psiquiatras. Seu quadro é extremamente variado, indo dos problemas psicossomáticos, sexuais, depressões, angústia, insôniao, etc, etc.As neuroses interferem e estão presentes também nos problemas de aprendizagem, no desenvolvimento da personalidade, no fracasso escolar, nos conflitos failiares e nas crisis conjugais. A psiquiatria considera as neuroses transtornos menores, em relação às psicoses. Isso se deve ao fato do neurótico conservar, de alguma maneira, critérios de avaliação da realidad semelhantes às pessoas consideradas normais. Entretanto, ao falarmos em “transtorno menor”, não estamos nos referindo a algum criterio de prognóstico. O mais comum é que a neurose tenha um curso crônico e, não tratada, pode até levar a algum grau de incapacidade social e/ou profissional. Retirado do site Psiq WEb
Psicoses
Por Geraldo José Ballone.
A psicose, de acordo com alguns autores, é uma doença mental caracterizada pela distorção do senso de realidade, uma inadequação e falta de harmonia entre o pensamento e a afetividade.
Classificação
As várias tendências de reflexão sobre a Doença Mental, notadamente sobre as Psicoses, embora provenientes de diversos momentos históricos do pensamento psicológico, estimulam a tônica das discussões acerca do tema. Entre os autores encontramos defensores do modelo Sociogênico, no qual a sociedade complexa e exigente é a responsável exclusiva pelo enlouquecimento humano, defensores do modelo Organogênico, diametralmente oposto ao anterior e onde os elementos orgânicos da função cerebral seriam os responsáveis absolutos pela Doença Mental e do modelo Psicogênico, onde a dinâmica psíquica é responsável exclusiva pela doença e as disposições constitucionais pessoais pouco importam. Finalmente há o modelo Organodinâmico, o qual compatibiliza os três anteriores num enfoque bio-psico-social.
Tem sido quase unanimemente aceito na psiquiatria clínica a associação de determinadas configurações de personalidade predispostas e a eclosão de psicoses. Estas personalidades são as chamadas Personalidades Pré-mórbidas, cujo conceito é abordado no capítulo sobre os Transtornos da Personalidade, tanto pela CID (Classificação Internacional das Doenças) quanto pela DSM (Manual de Diagnóstico e Estatística das Doenças Mentais). Trata-se de constituições de personalidades problemáticas que, por si só, acabam transtornando a vida do indivíduo, incapacitando um desenvolvimento pleno e, ainda, em certas circunstâncias, encerrando uma maior aptidão para o desenvolvimento de determinadas doenças psíquicas. A Constituição (Personalidade) Pré-mórbida é considerada pela psicopatologia como uma variação do existir humano e traduz uma possibilidade mais acentuada para o desenvolvimento de certa vulnerabilidade psíquica. Aqui o termo "possibilidade" deve ser considerado em toda sua plenitude, ou seja, trata-se de um caráter não-obrigatório mas que deve ser levado muito a sério.
Sintomas e Processos
Clinicamente e a grosso modo, podemos dizer que as neuroses diferenciam-se das psicoses pelo grau de envolvimento da personalidade, sendo sua desorganização e desagregação muito mais pronunciadas nas psicoses. O vínculo com a realidade é muito mais tênue e frágil nas psicoses que nas neuroses. Nestas últimas, a realidade não é negada, mas é vivenciada de maneira mais sofrível, é valorizada e percebida de acordo com as lentes de uma afetividade problemática e é representada de acordo com as exigências conflituais. Já nas psicoses, alguns aspectos da realidade são negados totalmente e substituídos por concepções particulares e peculiares que atendem unicamente às características da doença.
A sintomatologia psicótica se caracteriza, principalmente, pelas alterações a nível do pensamento e da afetividade e, conseqüentemente, todo comportamento e toda performance existencial do indivíduo serão comprometidos. Enquanto nas neuroses o pensamento, os sentimentos e a afetividade se encontram quantitativamente alterados, na psicose esses atributos psíquicos se apresentam qualitativamente doentes, tal como uma novidade patológica cronologicamente localizada na história de vida do paciente e que passa, desse momento em diante, a atuar morbidamente em toda sua performance psíquica.
O processo psicótico impõe ao paciente uma maneira patológica de representar a realidade, de elaborar conceitos e de relacionar-se com o mundo objectual. Não contam tanto aqui as variações quantitativas de apercepção do real, como pode ocorrer na depressão, por exemplo, mas um algo novo e qualitativamente diferente de todas as variações normalmente permitidas entre as pessoas normais, um algo essencialmente patológico, mórbido e sofrível.
A Esquizofrenia
A Esquizofrenia, representante mais característica das psicoses, é uma doença da Personalidade total que afeta a zona central do eu e altera toda estrutura vivencial. Culturalmente o esquizofrênico representa o estereotipo do "louco", um indivíduo que produz grande estranheza social devido ao seu desprezo para com a realidade reconhecida. Agindo como alguém que rompeu as amarras da concordância cultural, o esquizofrênico menospreza a razão e perde a liberdade de escapar às suas fantasias.
Aproximadamente 1% da população é acometido pela doença, geralmente iniciada antes dos 25 anos e sem predileção por qualquer camada sócio-cultural. O diagnóstico da doença ainda se baseia exclusivamente na história psicológica e no exame do estado mental, muito embora os meios de investigação por imagens funcionais estejam avançando a passos largos no sentido de estabelecer-se um diagnóstico mais preciso. É extremamente raro o aparecimento de esquizofrenia antes dos 10 ou depois dos 50 anos de idade e parece não haver nenhuma diferença na prevalência entre homens e mulheres.
Alguns sintomas, embora não sejam específicos da Esquizofrenia, são de grande valor para o diagnóstico. Seriam:
1- audição dos próprios pensamentos (sob a forma de vozes)
2- alucinações auditivas que comentam o comportamento do paciente
3- alucinações somáticas
4- sensação de ter os próprios pensamentos controlados
5- irradiação destes pensamentos 6- sensação de ter as ações controladas e influenciadas por alguma coisa do exterior.
Tentando agrupar a sintomatologia da esquizofrenia para sintetizar os principais tratadistas, teremos destacados três atributos da atividade psíquica morbidamente envolvidos: o comportamento, a afetividade e o pensamento. Os Delírios surgem como alterações do conteúdo do pensamento esquizofrênico e as alucinações como pertencentes à sensopercepção. Ambos acabam sendo causa e/ou conseqüência das alterações nas 3 áreas acometidas pela doença (comportamento, afetividade e pensamento).
Delírios
Os Delírios na Esquizofrenia podem sugerir uma interpretação falsa da realidade percebida. É o caso por exemplo, do paciente que sente algo sendo tramado contra ele pelo fato de ver duas pessoas simplesmente conversando. Trata-se, neste caso, de uma Percepção Delirante. Desta forma, a Percepção Delirante necessita de algum estímulo para ser delirantemente interpretado (no caso, duas pessoas conversando). Outras vezes não há necessidade de nenhum estímulo à ser interpretado, como por exemplo, julgar-se deus. Neste caso trata-se de uma Ocorrência Delirante. O Delírio mais freqüentemente encontrado na Esquizofrenia é do tipo Paranóide ou de Referência, ou seja, com temática de perseguição ou prejuízo no primeiro caso e de que todos se referem ao paciente (rádios, vizinhos, televisão, etc) no segundo caso. Na Esquizofrenia os Delírios surgem paulatinamente, sendo percebidos aos poucos pelas pessoas íntimas aos pacientes. Em relação ao Delírio de Referência, inicialmente os familiares começam à perceber uma certa aversão à televisão, aos vizinhos, etc.
Alucinações
As Alucinações mais comuns na Esquizofrenia são do tipo auditivas, em primeiro lugar e, em seguida, visuais. Conforme diz Schneider, "de valor diagnóstico extraordinário para o diagnóstico de uma Esquizofrenia são determinadas formas de ouvir vozes: ouvir os próprios pensamentos (pensar alto), vozes na forma de fala e respostas e vozes que acompanham com observações a ação do doente". Esta Sonorização do Pensamento, juntamente com alguns outros sintomas que envolvem alucinações auditivas e sensações de ter os próprios pensamentos influenciados por elementos externos, compõem a sintomatologia que Schneider considerou como sendo de Primeira Ordem. Um esquizofrênico pode estar ouvindo sua própria voz, dia e noite, sob a forma de comentários e antecipações daquilo que ele faz ou pretende fazer , como por exemplo: "ele vai comer" ou ainda, "o que ele está fazendo agora ? Está trocando de roupas". Outro sintoma importante no diagnóstico da esquizofrenia é a sensação de que o pensamento está sendo irradiado para o exterior ou mesmo sendo subtraído ou "chupado" por algo do exterior: Subtração e Irradiação do pensamento, também considerados de Primeira Ordem. Igualmente podemos encontrar a sensação de que os atos estão sendo controlados por forças ou influências exteriores.
Freud entendia a neurose como o resultado de um conflito entre o Ego e o Id, ou seja, entre aquilo que o indivíduo é (ou foi) de fato, com aquilo que ele desejaria prazerosamente ser (ou ter sido), ao passo que a psicose seria o desfecho análogo de um distúrbio entre o Ego e o Mundo.
Homossexualismo é Doença?
Atualmente o Homossexualismo é considerado uma "alteração" da orientação sexual. Primeiramente, "alteração" não pode ser considerado doença, como se faz, por exemplo com gravidez de gêmeos (alteração do número de fetos sem ser doença). Em segundo, "da orientação" significa se a pessoa está com sua sexualidade orientada para o sexo oposto ou para o mesmo sexo. Entretanto, o CID.10 (classificação internacional de doenças) recomenda que se considere o homossexialismo como fator agravante de outras alterações emocionais caso seja considerado Homossexialismo Ego Distônico, ou seja, em distonia com o ego da pessoa, produzindo conflitos pessoais. Caso seja considerado Homossexialismo Ego Sincrônico, ou seja, em concordância com o ego da pessoa, tratar-se-a apenas de uma opção comportamental.
Retirado do site PsiqWeb

Mecanismos de defesa* - Psicanálise IV

Os principais Mecanismos de Defesa psicológicos descritos são: fantasia, repressão, negação, racionalização, formação reativa, isolamento, projeção, regressão e sublimação (Anna Freud, 1936; Fenichel, 1945). Todos estes mecanismos podem ser encontrados em indivíduos saudáveis, e sua presença excessiva é via de regra, indicação de possíveis sintomas neuróticos. Freud não pretendeu que suas observações sobre Mecanismo de Defesa fossem inteiramente originais. Ele citava outras observações sobre o tema.
A presença dos mecanismos é freqüente em indivíduos saudáveis, mas, em excesso é indicação de sintomas neuróticos ou, em alguns casos extremos, o excesso indicaria até sintomas psicóticos, como por exemplo e principalmente, o excesso dos mecanismos de projeção, negação da realidade e clivagem do ego (Dr. Vasco Soares).
Fantasia
"Mecanismo de defesa que proporciona uma satisfação ilusória para os desejos que não se podem realizar- o inconsciente cria uma satisfação-substituta que fica em lugar da realidade. É um mecanismo defensivo que alivia a tensão, permitindo uma liberação ilusória da realidade não-satisfeita, ou uma satisfação imaginária dos desejos, cuja satisfação real tenha sido proibida pela repressão. A fantasia é uma síntese integrada de idéias, sentimentos, interpretações e memória, predominando elementos instintivos e afetivos. Através da satisfação-substituta e omitindo a realidade, a fantasia pode ajudar a resolver os conflitos e prevenir a progressão da angústia. Freud demonstrou que os sonhos e a fantasia são processos que visam a avaliar a angústia.
Quando em doses moderadas a fantasia pode contribuir para a adaptação do indivíduo, já que proporciona a eliminação da angústia e permite que o indivíduo enfrente de novo o problema respectivo. Entretanto, uma dose constante e profunda de fantasia e devaneio pode fazer com que a pessoa se desvie da realidade, acostumando-se a um mundo irreal e quando ela "acordar para a vida" sentirá mais dificuldades para enfrentar os problemas concretos. Da mesma forma como a moderação e o exagero, na fantasia, podem ser benéfica e prejudicial respectivamente, também existem fantasias que poderiam ser classificadas de "positivas" (que permitem autodefesa e auto-afirmação), e fantasias "negativas" (que levam o indivíduo a imaginar prolongadamente aspectos contrários ou infelizes da vida, possibilidades de erros, dificuldades às vezes até impossíveis)." Trecho retirado do site Guia-Psi
Repressão
A essência da Repressão consiste em afastar uma determinada coisa do consciente, mantendo-a à distância (no inconsciente) (1915, livro 11, p. 60 na ed. bras.). A repressão afasta da consciência um evento, idéia ou percepção potencialmente provocadoras de ansiedade e impede, dessa forma, qualquer "manipulação" possível desse material. Entretanto, o material reprimido continua fazendo parte da psique, apesar de inconsciente, e que continua causando problemas.
Segundo Freud, a repressão nunca é realizada de uma vez por todas e definitivamente, mas exige um continuado consumo de energia para se manter o material reprimido. Para ele os sintomas histéricos com freqüência têm sua origem em alguma antiga repressão. Algumas doenças psicossomáticas, tais como asma, artrite e úlcera, também poderiam estar relacionadas com a repressão. Também é possível que o cansaço excessivo, as fobias e a impotência ou a frigidez derivem de sentimentos reprimidos.
Negação
Negação é a tentativa de não aceitar na consciência algum fato que perturba o Ego. Os adultos têm a tendência de fantasiar que certos acontecimentos não são, de fato, do jeito que são, ou que na verdade nunca aconteceram. Este vôo de fantasia pode tomar várias formas, algumas das quais parecem absurdas ao observador objetivo. A seguinte estória é uma ilustração da negação:Uma mulher foi levada à Corte a pedido de seu vizinho. Esse vizinho acusava a mulher de ter pego e danificado um vaso valioso. Quando chegou a hora da mulher se defender, sua defesa foi tripla: "Em primeiro lugar, nunca tomei o vaso emprestado. Em segundo lugar, estava lascado quando eu o peguei. Finalmente, Sua Excelência, eu o devolvi em perfeito estado".
A notável capacidade de lembrar-se incorretamente de fatos é a forma de negação encontrada com maior freqüência na prática psicoterápica. O paciente recorda-se de um acontecimento de forma vívida, depois, mais tarde, pode lembrar-se do incidente de maneira diferente e, de súbito, dar-se conta de que a primeira versão era uma construção defensiva.
Para exemplificar a Negação, Freud citou Darwin, que em sua autobiografia dizia obedecer a uma regra de ouro: sempre que eu deparava com um fato publicado, uma nova observação ou pensamento, que se opunha aos meus resultados gerais, eu imediatamente anotava isso sem errar, porque a experiência me ensinou que tais fatos e pensamentos fogem da memória com muito maior facilidade que os fatos que nos são totalmente favoráveis.
Racionalização
Racionalização é o processo de achar motivos lógicos e racionais aceitáveis para pensamentos e ações inaceitáveis. É o processo através do qual uma pessoa apresenta uma explicação que é logicamente consistente ou eticamente aceitável para uma atitude, ação, idéia ou sentimento que causa angústia. Usa-se a Racionalização para justificar comportamentos quando, na realidade, as razões para esses atos não são recomendáveis.
A afirmação cotidiana de que "eu só estou fazendo isto para seu próprio bem" pode ser a Racionalização do sentimento ou pensamento de que "eu quero fazer isto para você, eu não quero que me façam isto ou até mesmo, eu quero que você sofra um pouco". Também pode ser Racionalização a afirmação de que "eu acho que estou apaixonado por você". Na realidade poderia estar sentido que "estou ligado no teu corpo, quero que você se ligue no meu".
Racionalização é um modo de aceitar a pressão do Superego, de disfarçar verdadeiros motivos, de tornar o inaceitável mais aceitável. Enquanto obstáculo ao crescimento, a Racionalização impede a pessoa de aceitar e de trabalhar com as forças motivadoras genuínas, apesar de menos recomendáveis.
Formação Reativa
Esse mecanismo substitui comportamentos e sentimentos que são diametralmente opostos ao desejo real. Trata-se de uma inversão clara e, em geral, inconsciente do verdadeiro desejo. Como outros mecanismos de defesa, as formações reativas são desenvolvidas, em primeiro lugar, na infância. As crianças, assim como incontáveis adultos, tornam-se conscientes da excitação sexual que não pode ser satisfeita, evocam conseqüentemente forças psíquicas opostas a fim de suprimirem efetivamente este desprazer. Para essa supressão elas costumam construir barreiras mentais contrárias ao verdadeiro sentimento sexual, como por exemplo, a repugnância, a vergonha e a moralidade.
Não só a idéia original é reprimida, mas qualquer vergonha ou auto-reprovação que poderiam surgir ao admitir tais pensamentos em si próprios também são excluídas da consciência.Infelizmente, os efeitos colaterais da Formação Reativa podem prejudicar os relacionamentos sociais. As principais características reveladoras de Formação Reativa são seu excesso, sua rigidez e sua extravagância. O impulso, sendo negado, tem que ser cada vez mais ocultado.
Através da Formação Reativa, alguns pais são incapazes de admitir um certo ressentimento em relação aos filhos, acabam interferindo exageradamente em suas vidas, sob o pretexto de estarem preocupados com seu bem-estar e segurança. Nesses casos a superproteção é, na verdade, uma forma de punição. O esposo pleno de raiva contra sua esposa pode manifestar sua Formação Reativa tratando-a com formalidade exagerada: "não é querida..." A Formação Reativa oculta partes da personalidade e restringe a capacidade de uma pessoa responder a eventos e, dessa forma, a personalidade pode tornar-se relativamente inflexível.
Projeção
O ato de atribuir a uma outra pessoa, animal ou objeto as qualidades, sentimentos ou intenções que se originam em si próprio, é denominado projeção. É um mecanismo de defesa através do qual os aspectos da personalidade de um indivíduo são deslocados de dentro deste para o meio externo.
A ameaça é tratada como se fosse uma força externa. A pessoa com Projeção pode, então, lidar com sentimentos reais, mas sem admitir ou estar consciente do fato de que a idéia ou comportamento temido é dela mesma.
Alguém que afirma textualmente que "todos nós somos algo desonestos" está, na realidade, tentando projetar nos demais suas próprias características. Ou então, dizer que "todos os homens e mulheres querem apenas uma coisa, sexo", pode refletir uma Projeção nos demais de estar pessoalmente pensando muito a respeito de sexo. Outras vezes dizemos que "inexplicavelmente Fulano não gosta de mim", quando na realidade sou eu quem não gosta do Fulano gratuitamente.
Sempre que caracterizamos algo de fora de nós como sendo mau, perigoso, pervertido, imoral e assim por diante, sem reconhecermos que essas características podem também ser verdadeiras para nós, é provável que estejamos projetando.
Pesquisas relativas à dinâmica do preconceito mostraram que as pessoas que tendem a estereotipar outras também revelam pouca percepção de seus próprios sentimentos. As pessoas que negam ter um determinado traço específico de personalidade são sempre mais críticas em relação a este traço quando o vêem nos outros.
Regressão
Regressão é um retorno a um nível de desenvolvimento anterior ou a um modo de expressão mais simples ou mais infantil. É um modo de aliviar a ansiedade escapando do pensamento realístico para comportamentos que, em anos anteriores, reduziram a ansiedade. Linus, nas estórias em quadrinhos de Charley Brown, sempre volta a um espaço psicológico seguro quando está sob tensão. Ele se sente seguro quando agarra seu cobertor, tal como faria ou fazia quando bebê.
A regressão é um modo de defesa bastante primitivo e, embora reduza a tensão, freqüentemente deixa sem solução a fonte de ansiedade original.
Sublimação
A energia associada a impulsos e instintos socialmente e pessoalmente constrangedores é, na impossibilidade de realização destes, canalizada para atividades socialmente meritosas e reconhecidas. A frustração de um relacionamento afetivo e sexual mal resolvido, por exemplo, é sublimado na paixão pela leitura ou pela arte.
Deslocamento
É o mecanismo psicológico de defesa onde a pessoa substitui a finalidade inicial de uma pulsão por outra diferente e socialmente mais aceita. Durante uma discussão, por exemplo, a pessoa tem um forte impulso em socar o outro, entretanto, acaba deslocando tal impulso para um copo, o qual atira ao chão.
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* - baseado no livro "Teorias da Personalidade"- J. Fadiman, R. Frager - Harbra - 1980