03 julho, 2006

Desejo e mídia - Psicanálise VI

Muitos pressupostos da psicanálise podem também nos ajudar a compreender, ao menos em parte, estratégias empregadas pela mídia a fim de que determinadas propagandas e publicidades tenham resultado.

No ser humano existem inúmeros desejos, como desejos de consumo, desejo de afeto, etc. Vamos considerar dois pontos da abordagem psicanalítica que iluminam o caminho em direção à compreensão desses fenômenos. O primeiro refere-se aos processos mentais da ação mútua de forças que são originalmente da natureza de instintos (Freu,1980, vol.20)

Mas qual a importância de entender os instintos, a libido e suas fases para a comunicação? Reconhece Freud que todos os desejos, impulsos instintos, modalidades de reações e atitudes da infância acham-se ainda demonstravelmente presentes na maturidade e, em circunstância apropriada, podem mais uma vez surgir.

Comerciais de televisão podem auxiliar determinadas pessoas a encontrar uma fonte de satisfação para desejos que ficaram insatisfeitos na infância. Por exemplo, certo comercial de cerveja ilustra isso ao associar sua embalagem (símbolo fálico) a uma parte do corpo da mulher, colocando uma garrafa ao lado da outra, causando a impressão de que elas formam seios (símbolos orais).

O segundo ponto (...) refere-se ao princípio do prazer-desprazer. O desprazer estárelacionado com um aumento de excitação, e o prazer com uma redução. Como a satisfação de parte das necessidades dos seres humanos é regularmente frustrada pela realidade, procuramos encontrar algum outro meio de manejar nossos impulsos insatisfeitos. È justamente aí que está o perigo, pois sabendo que existe uma tendência interior a buscar sempre o prazer, e que a realidade não satisfaz sempre esse prazer, os comerciais tentam, então, suprir nossas carências de modo que o princípio do prazer sobrepuje seu rival.

Então comerciais que incitam busca de prazeres que são difíceis de ser conquistados podem acarretar conseqüências negativas para os próprios seres humanos.

Fonte:

JACQUES, Maria da Graça Corrêa. Psicologia social contemporânea. Petrópolis: Vozes, 2002. P. 149 a 150

O que é Doença Mental? - Psicanálise V

Popularmente há uma tendência em se julgar a sanidade da pessoa, de acordo com seu comportamento, de acordo com sua adequação às conveniências sócio-culturais como, por exemplo, a obediência aos familiares, o sucesso no sistema de produção, a postura sexual, etc.Cientificamente, entretanto, Doença Mental pode ser entendida como uma variação mórbida do normal, variação esta capaz de produzir prejuízo na performance global da pessoa (social, ocupacional, familiar e pessoal) e/ou das pessoas com quem convive.Organização Mundial de Saúde diz que o estado de completo bem estar físico, mental e social define o que é saúde, portanto, tal conceito implica num critério de valores (valorativo), já que, lida com a idéia de bem-estar e mal-estar.
Depressão
A depressão é uma doença "do organismo como um todo", que compromete o físico, o humor e, em conseqüência, o pensamento. A Depressão altera a maneira como a pessoa vê o mundo e sente a realidade, entende as coisas, manifesta emoções, sente a disposição e o prazer com a vida. Ela afeta a forma como a pessoa se alimenta e dorme, como se sente em relação a si próprio e como pensa sobre as coisas. A Depressão é, portanto, uma doença afetiva ou do humor, não é simplesmente estar na "fossa" ou com "baixo astral" passageiro. Também não é sinal de fraqueza, de falta de pensamentos positivos ou uma condição que possa ser superada apenas pela força de vontade ou com esforço.
Sinais da Depressão:
Insônia inicial (problemas para adormecer), insônia mediana (sono intercalado), insônia tardia (acordar de madrugada), dor nas costas, dor de cabeça, cansaço, diminuição da libido em pessoas mais velhas, além dos persistentes sentimentos de tristeza, ansiedade ou “vazio”, desesperança, pessimismo, culpa e falta de amor próprio são sintomas típicos da depressão. As reações podem variar do choro fácil até tentativas de suicídio. No idoso, os sintomas não se manifestam através da tristeza mas por queixas físicas, como apatia, fadiga e falta de motivação ao executar as tarefas do dia-a-dia. O tratamento da depressão varia de acordo com o grau da doença. As indicações vão de terapias com psicólogos nos casos diagnosticados como “leves” até tratamentos com antidepressivos e sedativos para os casos considerados graves.
Neurose

A palavra “neurótica”, da maneira como costuma ser usada hoje, tem sentido impróprio e pode ser ofensivo ou pejorativo. Pessoas que não entendem nada dessa parte da medicina podem usar a palavra "neurose" como sinônimo de "loucura". Mas isso não é verdade, de forma alguma.
Trata-se de uma reação exagerada do sistema nervoso em relação a uma experiência vivida (Reação Vivencial). Neurose é uma maneira da pessoa SER e de reagir à vida. A pessoa É neurótica e não ESTÁ neurótica. Essa maneira de ser neurótica significa que a pessoa reage à vida através de reações vivenciais não normais; seja no sentido dessas reações serem desproporcionais, seja pelo fato de serem muito duradouras, seja pelo fato delas existirem mesmo que não exista uma causa vivencial aparente.
Essa maneira exagerada de reagir leva a pessoa neurótica a adotar uma serie de comportamentos (evita lugares, faz atitudes para alívio da ansiedade... etc).
O neurótico, tem plena consciência do seu problema e, muitas vezes, sente-se impotente para modificá-lo. Exemplos: 1 - Diante de um compromisso social a pessoa neurótica reage com muita ansiedade, mais que a maioria das pessoas submetidas à mesma situação (desproporcional). Diante desse mesmo compromisso social a pessoa começa a ficar muito ansiosa uma semana antes (muito duradoura) ou, finalmente, a pessoa fica ansiosa só de imaginar que terá um compromisso social (sem causa aparente).2 - Num determinado ambiente (ônibus, elevador, avião, em meio a multidão, etc) a pessoa neurótica começa a passar mal, achando que vai acontecer alguma coisa (desproporcional). Ou começa a passar mal só de saber que terá de enfrentar a tal situação (sem causa aparente).
A Neurose é uma Doença Mental? Não, a Neurose não é sinônimo de loucura, assim como também, a pessoa neurótica não apresenta nenhum comprometimento de sua inteligência, nem de contato com a realidade. Seus sentimentos também são normais. Eles amam, sentem alegria, tristeza, raiva, etc., como qualquer pessoa.A diferença entre uma pessoa neurótica e uma normal é em relação à quantidade de emoções e sentimentos e não quanto à qualidade deles. Os neuróticos ficam mais ansiosos, mais angustiados, mais deprimidos, mais sugestionáveis, mais teatrais, mais impressionados, mais preocupados, com mais medo, enfim, eles têm as mesmas emoções que todos nós temos, porém, exageradamente. A Neurose, portanto, não é uma doença mental é, sobretudo, uma doença da personalidade. Tipos de Neuroses De modo geral, e didaticamente, as neuroses costumam ser classificadas através de seu sintoma mais proeminente. Isso não significa que todas elas possam ter uma série de sintomas comuns (todas têm ansiedade, por exemplo).Um dos tipos mais comuns, hoje em dia, é aquele cujo sintoma proeminente é a fobia (medo patológico), juntamente com ansiedade. O Transtorno Fóbico-Ansioso é uma neurose que se caracteriza, exatamente, pela prevalência da Fobia entre outros sintomas de ansiedade, ou seja, um medo anormal, desproporcional e persistente diante de um objeto ou situação específica.Dentro dos quadros fóbicos-ansiosos destacam-se três tipos:1 - Agorafobia (medo fóbico de lugares específicos);2 - Fobia Social (medo de ser avaliado por outras pessoas) e;3 - Fobia Específica (medo fóbido de determinados objetos).O Transtorno Ansioso é outro tipo de Neurose.
A Neurose tem cura?Antigamente se pensava que a neurose era sempre incurável e que se convertia, com o tempo, numa doença crônica e invalidante. Hoje em dia, felizmente, as pessoas que sofrem deste transtorno podem recuperar-se por completo e lavar uma vida normal como qualquer outra pessoa. A rigor, para as neuroses, recomenda-se um acompanhamento psicológico adequado, associado ao tratamento médico (com medicamentos) quando necessário, juntamente com a cooperação apropriada do próprio paciente e da sua família. Com essa conduta, felizmente, a grande maioria das neuroses podem ser perfeitamente controlada, proporcionando ao paciente uma melhor qualidade de vida e inegável bem estar.Em casos mais graves a medicação é inevitável, normalmente quando há componentes depressivos e ansiosos graves.
A família pode causar a neurose?Sim e não! Essa resposta depende da família e do neurótico. Mas, podemos dizer que para desenvolver uma neurose é preciso certa vulnerabilidade emocional e, para que esta se manifeste em sua plenitude, é preciso uma vivência desencadeadora.
Podemos dizer também que até o momento, as Neuroses são consideradas de natureza Constitucional e, algumas vezes, Genética.
Qual a importância social das neuroses?As neuroses são, indubitavelmente, o contingente mais importante de pacientes que procuram ajuda de psicólogos e psiquiatras. Seu quadro é extremamente variado, indo dos problemas psicossomáticos, sexuais, depressões, angústia, insôniao, etc, etc.As neuroses interferem e estão presentes também nos problemas de aprendizagem, no desenvolvimento da personalidade, no fracasso escolar, nos conflitos failiares e nas crisis conjugais. A psiquiatria considera as neuroses transtornos menores, em relação às psicoses. Isso se deve ao fato do neurótico conservar, de alguma maneira, critérios de avaliação da realidad semelhantes às pessoas consideradas normais. Entretanto, ao falarmos em “transtorno menor”, não estamos nos referindo a algum criterio de prognóstico. O mais comum é que a neurose tenha um curso crônico e, não tratada, pode até levar a algum grau de incapacidade social e/ou profissional. Retirado do site Psiq WEb
Psicoses
Por Geraldo José Ballone.
A psicose, de acordo com alguns autores, é uma doença mental caracterizada pela distorção do senso de realidade, uma inadequação e falta de harmonia entre o pensamento e a afetividade.
Classificação
As várias tendências de reflexão sobre a Doença Mental, notadamente sobre as Psicoses, embora provenientes de diversos momentos históricos do pensamento psicológico, estimulam a tônica das discussões acerca do tema. Entre os autores encontramos defensores do modelo Sociogênico, no qual a sociedade complexa e exigente é a responsável exclusiva pelo enlouquecimento humano, defensores do modelo Organogênico, diametralmente oposto ao anterior e onde os elementos orgânicos da função cerebral seriam os responsáveis absolutos pela Doença Mental e do modelo Psicogênico, onde a dinâmica psíquica é responsável exclusiva pela doença e as disposições constitucionais pessoais pouco importam. Finalmente há o modelo Organodinâmico, o qual compatibiliza os três anteriores num enfoque bio-psico-social.
Tem sido quase unanimemente aceito na psiquiatria clínica a associação de determinadas configurações de personalidade predispostas e a eclosão de psicoses. Estas personalidades são as chamadas Personalidades Pré-mórbidas, cujo conceito é abordado no capítulo sobre os Transtornos da Personalidade, tanto pela CID (Classificação Internacional das Doenças) quanto pela DSM (Manual de Diagnóstico e Estatística das Doenças Mentais). Trata-se de constituições de personalidades problemáticas que, por si só, acabam transtornando a vida do indivíduo, incapacitando um desenvolvimento pleno e, ainda, em certas circunstâncias, encerrando uma maior aptidão para o desenvolvimento de determinadas doenças psíquicas. A Constituição (Personalidade) Pré-mórbida é considerada pela psicopatologia como uma variação do existir humano e traduz uma possibilidade mais acentuada para o desenvolvimento de certa vulnerabilidade psíquica. Aqui o termo "possibilidade" deve ser considerado em toda sua plenitude, ou seja, trata-se de um caráter não-obrigatório mas que deve ser levado muito a sério.
Sintomas e Processos
Clinicamente e a grosso modo, podemos dizer que as neuroses diferenciam-se das psicoses pelo grau de envolvimento da personalidade, sendo sua desorganização e desagregação muito mais pronunciadas nas psicoses. O vínculo com a realidade é muito mais tênue e frágil nas psicoses que nas neuroses. Nestas últimas, a realidade não é negada, mas é vivenciada de maneira mais sofrível, é valorizada e percebida de acordo com as lentes de uma afetividade problemática e é representada de acordo com as exigências conflituais. Já nas psicoses, alguns aspectos da realidade são negados totalmente e substituídos por concepções particulares e peculiares que atendem unicamente às características da doença.
A sintomatologia psicótica se caracteriza, principalmente, pelas alterações a nível do pensamento e da afetividade e, conseqüentemente, todo comportamento e toda performance existencial do indivíduo serão comprometidos. Enquanto nas neuroses o pensamento, os sentimentos e a afetividade se encontram quantitativamente alterados, na psicose esses atributos psíquicos se apresentam qualitativamente doentes, tal como uma novidade patológica cronologicamente localizada na história de vida do paciente e que passa, desse momento em diante, a atuar morbidamente em toda sua performance psíquica.
O processo psicótico impõe ao paciente uma maneira patológica de representar a realidade, de elaborar conceitos e de relacionar-se com o mundo objectual. Não contam tanto aqui as variações quantitativas de apercepção do real, como pode ocorrer na depressão, por exemplo, mas um algo novo e qualitativamente diferente de todas as variações normalmente permitidas entre as pessoas normais, um algo essencialmente patológico, mórbido e sofrível.
A Esquizofrenia
A Esquizofrenia, representante mais característica das psicoses, é uma doença da Personalidade total que afeta a zona central do eu e altera toda estrutura vivencial. Culturalmente o esquizofrênico representa o estereotipo do "louco", um indivíduo que produz grande estranheza social devido ao seu desprezo para com a realidade reconhecida. Agindo como alguém que rompeu as amarras da concordância cultural, o esquizofrênico menospreza a razão e perde a liberdade de escapar às suas fantasias.
Aproximadamente 1% da população é acometido pela doença, geralmente iniciada antes dos 25 anos e sem predileção por qualquer camada sócio-cultural. O diagnóstico da doença ainda se baseia exclusivamente na história psicológica e no exame do estado mental, muito embora os meios de investigação por imagens funcionais estejam avançando a passos largos no sentido de estabelecer-se um diagnóstico mais preciso. É extremamente raro o aparecimento de esquizofrenia antes dos 10 ou depois dos 50 anos de idade e parece não haver nenhuma diferença na prevalência entre homens e mulheres.
Alguns sintomas, embora não sejam específicos da Esquizofrenia, são de grande valor para o diagnóstico. Seriam:
1- audição dos próprios pensamentos (sob a forma de vozes)
2- alucinações auditivas que comentam o comportamento do paciente
3- alucinações somáticas
4- sensação de ter os próprios pensamentos controlados
5- irradiação destes pensamentos 6- sensação de ter as ações controladas e influenciadas por alguma coisa do exterior.
Tentando agrupar a sintomatologia da esquizofrenia para sintetizar os principais tratadistas, teremos destacados três atributos da atividade psíquica morbidamente envolvidos: o comportamento, a afetividade e o pensamento. Os Delírios surgem como alterações do conteúdo do pensamento esquizofrênico e as alucinações como pertencentes à sensopercepção. Ambos acabam sendo causa e/ou conseqüência das alterações nas 3 áreas acometidas pela doença (comportamento, afetividade e pensamento).
Delírios
Os Delírios na Esquizofrenia podem sugerir uma interpretação falsa da realidade percebida. É o caso por exemplo, do paciente que sente algo sendo tramado contra ele pelo fato de ver duas pessoas simplesmente conversando. Trata-se, neste caso, de uma Percepção Delirante. Desta forma, a Percepção Delirante necessita de algum estímulo para ser delirantemente interpretado (no caso, duas pessoas conversando). Outras vezes não há necessidade de nenhum estímulo à ser interpretado, como por exemplo, julgar-se deus. Neste caso trata-se de uma Ocorrência Delirante. O Delírio mais freqüentemente encontrado na Esquizofrenia é do tipo Paranóide ou de Referência, ou seja, com temática de perseguição ou prejuízo no primeiro caso e de que todos se referem ao paciente (rádios, vizinhos, televisão, etc) no segundo caso. Na Esquizofrenia os Delírios surgem paulatinamente, sendo percebidos aos poucos pelas pessoas íntimas aos pacientes. Em relação ao Delírio de Referência, inicialmente os familiares começam à perceber uma certa aversão à televisão, aos vizinhos, etc.
Alucinações
As Alucinações mais comuns na Esquizofrenia são do tipo auditivas, em primeiro lugar e, em seguida, visuais. Conforme diz Schneider, "de valor diagnóstico extraordinário para o diagnóstico de uma Esquizofrenia são determinadas formas de ouvir vozes: ouvir os próprios pensamentos (pensar alto), vozes na forma de fala e respostas e vozes que acompanham com observações a ação do doente". Esta Sonorização do Pensamento, juntamente com alguns outros sintomas que envolvem alucinações auditivas e sensações de ter os próprios pensamentos influenciados por elementos externos, compõem a sintomatologia que Schneider considerou como sendo de Primeira Ordem. Um esquizofrênico pode estar ouvindo sua própria voz, dia e noite, sob a forma de comentários e antecipações daquilo que ele faz ou pretende fazer , como por exemplo: "ele vai comer" ou ainda, "o que ele está fazendo agora ? Está trocando de roupas". Outro sintoma importante no diagnóstico da esquizofrenia é a sensação de que o pensamento está sendo irradiado para o exterior ou mesmo sendo subtraído ou "chupado" por algo do exterior: Subtração e Irradiação do pensamento, também considerados de Primeira Ordem. Igualmente podemos encontrar a sensação de que os atos estão sendo controlados por forças ou influências exteriores.
Freud entendia a neurose como o resultado de um conflito entre o Ego e o Id, ou seja, entre aquilo que o indivíduo é (ou foi) de fato, com aquilo que ele desejaria prazerosamente ser (ou ter sido), ao passo que a psicose seria o desfecho análogo de um distúrbio entre o Ego e o Mundo.
Homossexualismo é Doença?
Atualmente o Homossexualismo é considerado uma "alteração" da orientação sexual. Primeiramente, "alteração" não pode ser considerado doença, como se faz, por exemplo com gravidez de gêmeos (alteração do número de fetos sem ser doença). Em segundo, "da orientação" significa se a pessoa está com sua sexualidade orientada para o sexo oposto ou para o mesmo sexo. Entretanto, o CID.10 (classificação internacional de doenças) recomenda que se considere o homossexialismo como fator agravante de outras alterações emocionais caso seja considerado Homossexialismo Ego Distônico, ou seja, em distonia com o ego da pessoa, produzindo conflitos pessoais. Caso seja considerado Homossexialismo Ego Sincrônico, ou seja, em concordância com o ego da pessoa, tratar-se-a apenas de uma opção comportamental.
Retirado do site PsiqWeb

Mecanismos de defesa* - Psicanálise IV

Os principais Mecanismos de Defesa psicológicos descritos são: fantasia, repressão, negação, racionalização, formação reativa, isolamento, projeção, regressão e sublimação (Anna Freud, 1936; Fenichel, 1945). Todos estes mecanismos podem ser encontrados em indivíduos saudáveis, e sua presença excessiva é via de regra, indicação de possíveis sintomas neuróticos. Freud não pretendeu que suas observações sobre Mecanismo de Defesa fossem inteiramente originais. Ele citava outras observações sobre o tema.
A presença dos mecanismos é freqüente em indivíduos saudáveis, mas, em excesso é indicação de sintomas neuróticos ou, em alguns casos extremos, o excesso indicaria até sintomas psicóticos, como por exemplo e principalmente, o excesso dos mecanismos de projeção, negação da realidade e clivagem do ego (Dr. Vasco Soares).
Fantasia
"Mecanismo de defesa que proporciona uma satisfação ilusória para os desejos que não se podem realizar- o inconsciente cria uma satisfação-substituta que fica em lugar da realidade. É um mecanismo defensivo que alivia a tensão, permitindo uma liberação ilusória da realidade não-satisfeita, ou uma satisfação imaginária dos desejos, cuja satisfação real tenha sido proibida pela repressão. A fantasia é uma síntese integrada de idéias, sentimentos, interpretações e memória, predominando elementos instintivos e afetivos. Através da satisfação-substituta e omitindo a realidade, a fantasia pode ajudar a resolver os conflitos e prevenir a progressão da angústia. Freud demonstrou que os sonhos e a fantasia são processos que visam a avaliar a angústia.
Quando em doses moderadas a fantasia pode contribuir para a adaptação do indivíduo, já que proporciona a eliminação da angústia e permite que o indivíduo enfrente de novo o problema respectivo. Entretanto, uma dose constante e profunda de fantasia e devaneio pode fazer com que a pessoa se desvie da realidade, acostumando-se a um mundo irreal e quando ela "acordar para a vida" sentirá mais dificuldades para enfrentar os problemas concretos. Da mesma forma como a moderação e o exagero, na fantasia, podem ser benéfica e prejudicial respectivamente, também existem fantasias que poderiam ser classificadas de "positivas" (que permitem autodefesa e auto-afirmação), e fantasias "negativas" (que levam o indivíduo a imaginar prolongadamente aspectos contrários ou infelizes da vida, possibilidades de erros, dificuldades às vezes até impossíveis)." Trecho retirado do site Guia-Psi
Repressão
A essência da Repressão consiste em afastar uma determinada coisa do consciente, mantendo-a à distância (no inconsciente) (1915, livro 11, p. 60 na ed. bras.). A repressão afasta da consciência um evento, idéia ou percepção potencialmente provocadoras de ansiedade e impede, dessa forma, qualquer "manipulação" possível desse material. Entretanto, o material reprimido continua fazendo parte da psique, apesar de inconsciente, e que continua causando problemas.
Segundo Freud, a repressão nunca é realizada de uma vez por todas e definitivamente, mas exige um continuado consumo de energia para se manter o material reprimido. Para ele os sintomas histéricos com freqüência têm sua origem em alguma antiga repressão. Algumas doenças psicossomáticas, tais como asma, artrite e úlcera, também poderiam estar relacionadas com a repressão. Também é possível que o cansaço excessivo, as fobias e a impotência ou a frigidez derivem de sentimentos reprimidos.
Negação
Negação é a tentativa de não aceitar na consciência algum fato que perturba o Ego. Os adultos têm a tendência de fantasiar que certos acontecimentos não são, de fato, do jeito que são, ou que na verdade nunca aconteceram. Este vôo de fantasia pode tomar várias formas, algumas das quais parecem absurdas ao observador objetivo. A seguinte estória é uma ilustração da negação:Uma mulher foi levada à Corte a pedido de seu vizinho. Esse vizinho acusava a mulher de ter pego e danificado um vaso valioso. Quando chegou a hora da mulher se defender, sua defesa foi tripla: "Em primeiro lugar, nunca tomei o vaso emprestado. Em segundo lugar, estava lascado quando eu o peguei. Finalmente, Sua Excelência, eu o devolvi em perfeito estado".
A notável capacidade de lembrar-se incorretamente de fatos é a forma de negação encontrada com maior freqüência na prática psicoterápica. O paciente recorda-se de um acontecimento de forma vívida, depois, mais tarde, pode lembrar-se do incidente de maneira diferente e, de súbito, dar-se conta de que a primeira versão era uma construção defensiva.
Para exemplificar a Negação, Freud citou Darwin, que em sua autobiografia dizia obedecer a uma regra de ouro: sempre que eu deparava com um fato publicado, uma nova observação ou pensamento, que se opunha aos meus resultados gerais, eu imediatamente anotava isso sem errar, porque a experiência me ensinou que tais fatos e pensamentos fogem da memória com muito maior facilidade que os fatos que nos são totalmente favoráveis.
Racionalização
Racionalização é o processo de achar motivos lógicos e racionais aceitáveis para pensamentos e ações inaceitáveis. É o processo através do qual uma pessoa apresenta uma explicação que é logicamente consistente ou eticamente aceitável para uma atitude, ação, idéia ou sentimento que causa angústia. Usa-se a Racionalização para justificar comportamentos quando, na realidade, as razões para esses atos não são recomendáveis.
A afirmação cotidiana de que "eu só estou fazendo isto para seu próprio bem" pode ser a Racionalização do sentimento ou pensamento de que "eu quero fazer isto para você, eu não quero que me façam isto ou até mesmo, eu quero que você sofra um pouco". Também pode ser Racionalização a afirmação de que "eu acho que estou apaixonado por você". Na realidade poderia estar sentido que "estou ligado no teu corpo, quero que você se ligue no meu".
Racionalização é um modo de aceitar a pressão do Superego, de disfarçar verdadeiros motivos, de tornar o inaceitável mais aceitável. Enquanto obstáculo ao crescimento, a Racionalização impede a pessoa de aceitar e de trabalhar com as forças motivadoras genuínas, apesar de menos recomendáveis.
Formação Reativa
Esse mecanismo substitui comportamentos e sentimentos que são diametralmente opostos ao desejo real. Trata-se de uma inversão clara e, em geral, inconsciente do verdadeiro desejo. Como outros mecanismos de defesa, as formações reativas são desenvolvidas, em primeiro lugar, na infância. As crianças, assim como incontáveis adultos, tornam-se conscientes da excitação sexual que não pode ser satisfeita, evocam conseqüentemente forças psíquicas opostas a fim de suprimirem efetivamente este desprazer. Para essa supressão elas costumam construir barreiras mentais contrárias ao verdadeiro sentimento sexual, como por exemplo, a repugnância, a vergonha e a moralidade.
Não só a idéia original é reprimida, mas qualquer vergonha ou auto-reprovação que poderiam surgir ao admitir tais pensamentos em si próprios também são excluídas da consciência.Infelizmente, os efeitos colaterais da Formação Reativa podem prejudicar os relacionamentos sociais. As principais características reveladoras de Formação Reativa são seu excesso, sua rigidez e sua extravagância. O impulso, sendo negado, tem que ser cada vez mais ocultado.
Através da Formação Reativa, alguns pais são incapazes de admitir um certo ressentimento em relação aos filhos, acabam interferindo exageradamente em suas vidas, sob o pretexto de estarem preocupados com seu bem-estar e segurança. Nesses casos a superproteção é, na verdade, uma forma de punição. O esposo pleno de raiva contra sua esposa pode manifestar sua Formação Reativa tratando-a com formalidade exagerada: "não é querida..." A Formação Reativa oculta partes da personalidade e restringe a capacidade de uma pessoa responder a eventos e, dessa forma, a personalidade pode tornar-se relativamente inflexível.
Projeção
O ato de atribuir a uma outra pessoa, animal ou objeto as qualidades, sentimentos ou intenções que se originam em si próprio, é denominado projeção. É um mecanismo de defesa através do qual os aspectos da personalidade de um indivíduo são deslocados de dentro deste para o meio externo.
A ameaça é tratada como se fosse uma força externa. A pessoa com Projeção pode, então, lidar com sentimentos reais, mas sem admitir ou estar consciente do fato de que a idéia ou comportamento temido é dela mesma.
Alguém que afirma textualmente que "todos nós somos algo desonestos" está, na realidade, tentando projetar nos demais suas próprias características. Ou então, dizer que "todos os homens e mulheres querem apenas uma coisa, sexo", pode refletir uma Projeção nos demais de estar pessoalmente pensando muito a respeito de sexo. Outras vezes dizemos que "inexplicavelmente Fulano não gosta de mim", quando na realidade sou eu quem não gosta do Fulano gratuitamente.
Sempre que caracterizamos algo de fora de nós como sendo mau, perigoso, pervertido, imoral e assim por diante, sem reconhecermos que essas características podem também ser verdadeiras para nós, é provável que estejamos projetando.
Pesquisas relativas à dinâmica do preconceito mostraram que as pessoas que tendem a estereotipar outras também revelam pouca percepção de seus próprios sentimentos. As pessoas que negam ter um determinado traço específico de personalidade são sempre mais críticas em relação a este traço quando o vêem nos outros.
Regressão
Regressão é um retorno a um nível de desenvolvimento anterior ou a um modo de expressão mais simples ou mais infantil. É um modo de aliviar a ansiedade escapando do pensamento realístico para comportamentos que, em anos anteriores, reduziram a ansiedade. Linus, nas estórias em quadrinhos de Charley Brown, sempre volta a um espaço psicológico seguro quando está sob tensão. Ele se sente seguro quando agarra seu cobertor, tal como faria ou fazia quando bebê.
A regressão é um modo de defesa bastante primitivo e, embora reduza a tensão, freqüentemente deixa sem solução a fonte de ansiedade original.
Sublimação
A energia associada a impulsos e instintos socialmente e pessoalmente constrangedores é, na impossibilidade de realização destes, canalizada para atividades socialmente meritosas e reconhecidas. A frustração de um relacionamento afetivo e sexual mal resolvido, por exemplo, é sublimado na paixão pela leitura ou pela arte.
Deslocamento
É o mecanismo psicológico de defesa onde a pessoa substitui a finalidade inicial de uma pulsão por outra diferente e socialmente mais aceita. Durante uma discussão, por exemplo, a pessoa tem um forte impulso em socar o outro, entretanto, acaba deslocando tal impulso para um copo, o qual atira ao chão.
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* - baseado no livro "Teorias da Personalidade"- J. Fadiman, R. Frager - Harbra - 1980

30 junho, 2006

Teorias psicodinâmicas - Psicanálise III

Quais são as idéias que todas as teorias psicodinâmicas têm em comum?
As teorias psicodinâmicas vêem o comportamento como o produto de forças psicológicas que interagem dentro do indivíduo, freqüentemente fora de seu estado de consciência. Freud baseou-se na física de sua época para cunhar o termo psicodinâmica. Assim como a termodinâmica é o estudo do calor, da energia mecânica e da transformação de um em outro, a psicodinâmica é o estudo da energia psíquica e de sua transformação e manifestação no comportamento. Os teóricos dessa linha discordam entre si a respeito da natureza exata de tal energia psíquica. Alguns, como Freud, remontaram-na aos impulsos sexuais e agressivos; outros, como Karen Horney, consideram-na enraizada na luta do individuo em lidar com sua dependência. Todos eles, porem, compartilham a idéia de que os processos inconscientes determinam primariamente a personalidade e podem ser mais bem compreendidos dentro do contexto de desenvolvimento do ciclo vital.
Algumas partes da teoria psicodinâmica, especialmente a visão de Freud da sexualidade feminina estão ultrapassadas. Os cinco pontos a seguir, entretanto, são centrais a teorias psicodinâmicas e sobrevivem a todos os testes do tempo (Westen, 1998).

1. Muito da vida mental é inconsciente e, como resultado, as pessoas podem comportar-se de maneiras que elas próprias não entendem.
2. Os processos mentais, tais como emoções, motivações e pensamentos, agem paralelamente e podem, assim, ocasionar sentimentos conflitantes.
3. Não somente os padrões estáveis de personalidade começam a se formar na infância como as primeiras experiências também influenciam bastante o desenvolvimento desses padrões.
4. As representações mentais que fazemos de nos mesmos, de outros e de nossos relacionamentos tendem a orientar nossas interações com as outras pessoas.
5. O desenvolvimento da personalidade envolve aprender a regular sentimentos sexuais e agressivos assim como tornar-se socialmente interdependente em vez de dependente.

Como poderemos ver, esses cinco pontos estão implícitos no trabalho da maioria dos teóricos psicodinâmicos.
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Fonte:
MORRIS, Charles G. Introdução à Psicologia. Tradução de Ludmilla Lima e Maria S. Duarte Paptista. São Paulo: Prentice Hall, 2004. Pág. 344 a 348

Alunos responsáveis pela digitação: (Turma 511 Publicidade)
Rodrigo Oliczeski, Vanessa Guindani e William de Souza Ávila

Sigmund Freud e a Psicanálise II

Como se desenvolve a personalidade
A teoria de Freud do desenvolvimento da personalidade concentra-se na maneira como satisfazemos o instinto sexual no decorrer da vida. Freud considerava o instinto sexual de maneira ampla, como um forte desejo de obter todos os tipos de prazer sexual. Ele denominava a energia gerada pelo instinto sexual de libido. À medida que os bebês crescem, sua libido concentra-se em diferentes regiões sensíveis do corpo. Durante os primeiros 18 meses de vida, a fonte dominante de prazer sexual é a boca. Após os 18 meses, a sexualidade move-se para o ânus; e por volta dos três anos, move-se novamente, mas agora para os genitais. Para Freud, as experiências das crianças em cada uma dessas fases marcam sua personalidade com tendências que permanecem até sua fase adulta. Se uma criança é privada do prazer (ou lhe é permitido muita gratificação) da região do corpo que domina uma determinada fase, parte da sua energia sexual pode permanecer fixada àquela parte do corpo, em vez de seguir sua seqüência normal para permitir ao indivíduo uma personalidade inteiramente integrada. Isso chama-se fixação, a qual, como veremos, Freud acreditava levar a formas imaturas de sexualidade e a certos traços característicos de personalidade. Veremos mais atentamente as fases psicossexuais que Freud identificou e sua suposta relação com o desenvolvimento da personalidade.
Na fase oral (do nascimento até os 18 meses), os bebês, que dependem completamente de outras pessoas para satisfazer suas necessidades, aliviam sua tensão sexual ao sugar e engolir; quando nascem os primeiros dentes, eles sentem prazer oral ao mastigar e morder. De acordo com Freud, os bebês que recebem muita gratificação oral durante essa fase tornam-se adultos demasiadamente otimistas e dependentes. Aqueles que recebem muito pouca gratificação tornam-se pessimistas e hostis. A fixação nessa fase está relacionada a características de personalidade tais como falta de confiança, gula, sarcasmo e disposição para brigas.
Durante a fase anal (aproximadamente dos 18 meses aos três anos e meio), a fonte primária de prazer sexual passa para o ânus. Justamente quando as crianças aprendem a sentir prazer ao reter ou excretar fezes, começa o treino de toalete e elas devem aprender a regular esse novo prazer. Na visão de Freud, se os pais forem muito rígidos com o treino, algumas crianças começam a ter acessos de raiva e podem levar uma vida autodestrutiva quando adultos. Outras tornam-se obstinadas, avarentas e excessivamente organizadas. Se os pais são muito permissivos, seus filhos podem tornar-se desorganizados, desordenados e pouco asseados.
Quando as crianças entram na fase fálica (após os três anos), descobrem seus genitais e desenvolvem uma forte ligação com o genitor do sexo oposto, ao mesmo tempo em que sentem ciúme do genitor do mesmo sexo. Nos caso dos meninos, Freud chamou esse conflito de complexo de Édipo, em homenagem ao personagem da mitologia grega que matou seu pai e casou-se com a mãe. As meninas passam pelo equivalente complexo de Electra, que envolve o amor possessivo pelo pai e o ciúme da mãe. Um estudo recente encontrou sustentação na idéia de que, em crianças e jovens, demonstrações de afeto pelo genitor do sexo oposto e ciúme do genitor do mesmo sexo são mais comuns que a situação inversa ( Watson e Getz, 1990). A maioria das crianças finalmente resolve esses conflitos na identificação com o genitor do mesmo sexo. Entretanto, Freud sustentava que a fixação nessa fase leva à vaidade e ao egoísmo na idade adulta: os homens vangloriam-se de suas proezas sexuais e tratam as mulheres com desprezo, e as mulheres tornam-se levianas e promíscuas. A fixação fálica também pode gerar sentimentos de baixa auto-estima, timidez e desvalorização.
Freud acreditava que, no final da fase fálica, as crianças perdem o interesse pelo comportamento sexual e entram em um período de latência. Durante esse período, que começa por volta dos cinco ou seis anos e termina aos 12 ou 13, os meninos brincam com as meninas, as meninas brincam com os meninos, e nenhum dos sexos demonstra muito interesse pelo outro.
Na puberdade, o indivíduo entra em sua última fase psicossexual, a qual Freud chamou de fase genital. Nesse momento, os impulsos sexuais são novamente despertados. Ao fazer amor, o adolescente e o adulto são capazes de satisfazer desejos não realizados na infância. De maneira ideal, a gratificação imediata desses desejos leva à sexualidade madura, da qual fazem parte o adiamento da gratificação, o senso de responsabilidade e o cuidado por outras pessoas.
As feministas atacaram a visão fálica e machista de Freud do desenvolvimento da personalidade, especialmente pelo fato de ele ter formulado a hipótese de que todas as meninas se sentem inferiores por não possuir pênis. Muitas pessoas atualmente vêem a inveja do pênis como muito menos central ao desenvolvimento da personalidade do que Freud imaginava ( Gelman,1990). Na verdade, toda a idéia de que o desenvolvimento das personalidades masculina e feminina segue linhas similares está sendo contestada. Assim, se for o caso, as etapas de desenvolvimento singularmente femininas podem deixar as meninas com capacidades e habilidades importantes, subestimadas ou minimizadas na teoria freudiana.
As crenças de Freud, sobretudo sua ênfase na sexualidade, não foram totalmente endossadas nem pelos membros de sua própria escola psicanalítica. Carl Jung e Alfred Adler, dois dos primeiros colaboradores de Freud, acabaram rompendo com ele e formularam suas próprias teorias psicodinâmicas da personalidade. Jung expandiu o alcance do inconsciente muito além das satisfações egoístas do id. Adler acreditava que o ser humano tem objetivos positivos- e conscientes – que guiam seu comportamento. Outros teóricos psicodinâmicos enfatizam o ego e suas tentativas de dominar o mundo. Esses neofreudianos, principalmente Karen Horney e Erik Erikson, concentraram-se na influência da interação social sobre a personalidade.
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Fonte:
MORRIS, Charles G. Introdução à Psicologia. Tradução de Ludmilla Lima e Maria S. Duarte Paptista. São Paulo: Prentice Hall, 2004. Pág. 344-348

Alunos responsáveis pela digitação: (Turma 511 Publicidade)
Rodrigo Oliczeski, Vanessa Guindani e William de Souza Ávila

29 junho, 2006

Sigmund Freud e a Psicanálise I

Quando Freud propôs que o instinto sexual é base do comportamento, como ele estava definindo “instinto sexual?”
Até hoje, Sigmund Freud (1856-1939) é o mais conhecido e o mais influente de todos os teóricos psicodinâmicos. (...), Freud criou uma perspectiva inteiramente nova do estudo do comportamento humano. Até então, a psicologia havia se concentrado no consciente, isto é, os pensamentos e sentimentos dos quais estamos cientes. Em um movimento radical, Freud ressaltou o inconsciente — todas as idéias, os pensamentos e os sentimentos dos quais normalmente não temos consciência. As idéias de Freud formam a base da psicanálise, um termo que se refere tanto a teoria da personalidade como a forma de terapia que ele criou.
De acordo com Freud, o comportamento humano baseia-se nos instintos ou impulsos inconscientes. Alguns instintos são agressivos e destrutivos; outros, tais como fome, a autopreservacao e o sexo, são necessários a sobrevivência do individuo e da espécie. Ele utilizava o termo instintos sexuais para se referir não somente a sexualidade erótica, mas tambem ao desejo de obter praticamente qualquer forma de prazer. Nesse sentido mais amplo, Freud considerava o instinto sexual o fator mais critico no desenvolvimento da personalidade.
Como a personalidade é estruturada
Freud afirmou que a personalidade forma-se ao redor de três estruturas: o id, o ego e o superego. O id, a única estrutura presente no nascimento, é completamente inconsciente. Na visão de Freud, o id consiste de desejos e impulsos, que buscam expressar-se permanentemente. Ele age de acordo com o principio do prazer, isto é, procura obter prazer imediato e evitar a dor. Assim que surge o instinto, o id tenta satisfaze-lo. Entretanto, como não esta em contato com o mundo real, ele tem apenas duas maneiras de obter gratificação. Uma é por meio de ações reflexas, tais como tossir, que alivia uma sensação desagradável de maneira imediata. A outra é por meio de fantasia, ou o que Freud chamou de realizações de desejo. Uma pessoa forma uma imagem mental de um objeto ou uma situação que gratifica parcialmente o instinto e alivia a sensação de tensão. Esse tipo de pensamento ocorre com maior freqüência em sonhos e devaneios, mas pode tomar outras formas. Se alguém o insulta, por exemplo, e você passa a meia hora seguinte imaginando como poderia ter respondido a esse insulto de uma maneira inteligente, você esta em m processo de realização de desejo.
Imagens mentais dessa natureza oferecem alívio passageiro, mas não podem satisfazer a maioria das necessidades. Apenas pensar em estar com alguém que você ama não é um substituto à altura do estar de fato com essa pessoa. Portanto o id, não é por si só muito eficaz em satisfazer os instintos. Ele deve conectar-se à realidade se quiser aliviar sua tensão. O elo do id com a realidade é o ego.
Freud concebeu o ego como o mecanismo psíquico que controla todas as atividades de pensamento e raciocínio. O ego age de maneira parcialmente consciente, pré-consciente e inconsciente. (Pré-consciente refere-se ao conteúdo que não se encontra no nível do consciente mas pode ser facilmente recuperado.) O ego aprende a respeito do mundo externo por meio dos sentidos e procura satisfazer os impulsos do id no mundo externo. Porém, em vez de agir de acordo com o princípio do prazer, ele age de acordo com o princípio da realidade: por meio do raciocínio inteligente, o ego tenta adiar a satisfação dos desejos do id até poder fazê-lo de maneira segura e bem-sucedida. Se você tiver sede, por exemplo, seu ego tentará determinar a melhor maneira de matar a sua sede com segurança e eficiência.
Uma personalidade que consistisse somente do id e do ego seria totalmente egoísta. Iria se comportar de maneira eficaz, mas insociável. Um comportamento inteiramente adulto é governado não somente pela realidade, mas também pela moralidade, isto é, pela consciência do indivíduo ou pelos padrões morais que o indivíduo desenvolve na interação com seus pais e a sociedade. Freud chamou este “cão de guarda” de superego.
O superego não está presente ao nascermos. Na verdade, as crianças pequenas são amorais e fazem qualquer coisa que lhes dá prazer. Conforme amadurecemos, porém, assimilamos, ou adotamos como nossas, as opiniões de nossos pais a respeito do que é “bom” e do que é “mau”. Com o tempo, a repressão externa aplicada por nossos pais dá lugar a nossa própria auto-repressão. O superego, finalmente agindo como a consciência, assume a tarefa de observar e guiar o ego, o superego age consciente, pré-consciente e inconsciente.
De acordo com Freud, o superego também compara as ações do ego a um ideal do ego, um modelo de perfeição, e então gratifica ou pune o ego com base nessa comparação. Infelizmente, o superego às vezes é muito impiedoso em seu julgamento. Um artista dominado por um superego muito punitivo, por exemplo, pode perceber a possibilidade de jamais igualar-se a um Rembrandt e, em desespero, desistir de pintar.
De maneira ideal, o id, o ego e o superego trabalham em harmonia, com o ego satisfazendo as necessidades o id de maneira razoável moral e aprovada pelo superego. Estamos então livres para amar, odiar e expressar nossas emoções de modo sensato e sem culpa. Quando nosso id é dominante, nossos instintos ficam fora de controle e temos mais probabilidades de colocar a nós e à sociedade em perigo. Quando o superego é dominante, nosso comportamento é controlado de modo muito rigoroso e nos inclinamos a julgar a nós mesmos de maneira severa ou precipitada, o que prejudica mossa capacidade de agir por nossa própria conta e nos divertir.

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Fonte:
MORRIS, Charles G. Introdução à Psicologia. Tradução de Ludmilla Lima e Maria S. Duarte Paptista. São Paulo: Prentice Hall, 2004.
Alunos responsáveis pela digitação: (Turma 511 Publicidade)
Rodrigo Oliczeski, Vanessa Guindani e William de Souza Ávila

27 abril, 2006

Exemplos de reforço na vida diária

Reforço contínuo (aquele que ocorre toda vez que a resposta se manifesta)
Ex.: Colocar dinheiro na máquina do estacionamento a fim de evitar uma multa de trânsito.
Colocar moedas em uma máquina de vendas automáticas em troca de doces e refrigerantes.
Esquema de razão fixa ( reforçamento que ocorre após um determinado número de respostas)
Ser pago de acordo com a produção. Na indústria de vestuário, por exemplo, os trabalhadores devem receber determinado valor a cada cem peças de roupa costuradas.
Esquema de razão variável (reforçamento que ocorre após um determinado número variável de respostas)
Comissões de vendas. É necessário conversar com vários clientes antes de realizar uma venda, e nunca é possível saber se o próximo cliente é aquele que efetuará a compra. Se a venda é feita por telefone, é o número de chamadas telefônicas de vendas que você faz, e não o tempo transcorrido, que determina se seu comportamento será reforçado por uma venda - e esse número é variável.
Jogar em uma máquina caça-níqueis. A máquina está programada para fazer pagamentos após ter sido realizado um certo número de ações, mas esse número é sempre alterado. Esse tipo de plano cria um padrão constante de respostas, porque os jogadores sabem que, se jogarem durante muito tempo, ganharão um prêmio.
Esquema de intervalos fixos (reforçamento da primeira resposta após um período fixo de tempo)
Esquema de intervalos variáveis (reforçamento da primeira resposta após períodos de tempo variáveis)

Jarbas Cardoso, fotos.

Jarbas Cardoso e Ana Luisa, Coimbra, Portugal, abril, 2016. Jarbas cardoso, jarbas cardoso, jarbas cardoso

Jarbas Cardoso e Melissa Bergmann, POA, 2006.
Jarbas Cardoso e Ana Luisa, Giruá, 2010.
Jarbas Cardoso, professora na Escola Técnica Irmão Pedro, POA,  abril de 2006.

Jarbas Cardoso, Jarbas Cardoso, Jarbas Cardoso, Jarbas Cardoso, Jarbas Cardoso, professor, professor, Jarbas Cardoso, professor, Jarbas Cardoso, Jarbas Cardoso, professor, filosofia, filosofia, filosofia, sociologia, sociologia.
Ja

25 abril, 2006

Falando sobre o Behaviorismo...


"Somos, de fato, cutucados ou aguilhoados pela vida afora"
Clark Hull
(Por Jarbas F. Cardoso)
Fica claro na interpretação behaviorista que se não todos, mas grande parte de nossos comportamentos são influenciados por estímulos (não específicos) advindos de nosso meio. No Behaviorismo radical, Skinner define o comportamento como respondente e operante. O comportamento respondente é por este psicólogo classificado como sendo aquele que pode ser identificado como automático, ou melhor, involuntário, como p.ex., a contração da pupila quando olhamos para uma luz forte (Pisani, 1981, p124.) ou quando sentimos frio, o arrepio. Já o comportamento operante (que constitui a grande maioria) é considerado como não automático e não influenciado por questões especificas, mas que possui e busca gerar sempre conseqüências. Podemos considerar o comportamento operante os sentimentos, o ato de raciocinar e de fantasiar.
Um exemplo simplório, mas objetivo, que usei nas aulas é o ato de cantar tomando banho. Pois mesmo este ato simples demanda algum tipo de interesse quando praticado de nossa parte, como no caso, penso eu, o da satisfação do cantor (conseqüência).
É exatamente o comportamento operante (CO) que o B. explora (em suas pesquisas) com a tentativa de desenvolver técnicas precisas de controle. Lembro é claro, que para os behavioristas, (não sendo aqui repetitivo) é possível prever e controlar nossos comportamentos através de estímulos (reforço para Skinner). Cabe aqui, neste ponto, fazermos uma analise sobre os nossos comportamentos. Perceberemos que de fato esses (na maioria) são movidos sim por razões de estímulos, ou melhor, pela busca de satisfação.
É cabível, portanto, a afirmação de que tendo o dominho de produzir estímulos, tem-se o melhor controle do comportamento. Até aqui, o caminho é muito fácil. Mas é de grande desafio desenvolver e procurarmos colocar em prática os chamados mecanismos de reforços*.
Portanto, é preciso, a partir de agora ser pensador e empreendedor. Como posso em meu meio (tanto no secretariado, na publicidade ou na contabilidade) explorar a ciência behaviorista? Quais seriam as técnicas de estímulos (positivos ou negativos) para condicionar ou (simplesmente estimular) minha motivação? A venda de algum produto, minha equipe ou a aceitação de uma idéia? Algum esperto diria, - dinheiro. Tudo bem, mas excluindo essa opção, qual outra? O que vocês acham?!
Bem amigos, o desafio está lançado. Estarei recompensando muito bem os alunos que apresentarem boas idéias sobre este problema.
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* São programas ou maneiras de organizar o reforçamento. Tanto reforços positivos ou negativos condicionados ou não.
Bibliografia
GOODWIN, C. James. História da psicologia moderna. São Paulo: Cultrix, 2005.
MORRIS, Charles G. MARISTO, Alberto A. Introdução à Psicologia. Trad. de Ludmilla Lima, Marina Sobreira D. Batista. São Paulo: Pretice Hall, 2004.
PISANI, Elaine Maria. Psicologia Geral. Caxias do Sul: EDUCS, 1981.

20 abril, 2006

Sobre Skinner


O psicólogo norte-americano Frederic B. Skinner foi aluno de Watson. Sua principal contribuição ao behaviorismo foi o estabelecimento do conceito de condicionamento operante. Para Skinner, todo comportamento seria sujeito a mecanismos de controle por meio de contingências de reforço de estímulos capazes de provocar uma determinada ação como resposta. Em seu livro The Behavior of Organism (O Comportamento dos Organismos, de 1938), ele relatou suas primeiras experiências de condicionamento de animais em laboratório. Sua maior preocupação era mostrar como alguns princípios básicos do ensino podem explicar todas formas de comportamento humano. Em Tecnologia do Ensino, de 1968, Skinner apresentou suas máquinas de aprendizagem como uma aplicação prática de suas idéias para socialização, educação e terapia do comportamento.
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Os pressupostos de sua teoria:
( Por Jairo Ferreira)
1- o comportamento é aquilo que pode ser objetivamente estudado;
2- a personalidade é uma coleção de comportamentos objetivamente analisáveis;
3- as idéias de liberdade, autonomia, dignidade e criatividade são ficções sobre comportamento sem valor explicativo e científico, na medida em que apenas expressam tipos variados de condicionamento;
4- o comportamento pode ser modelado através da administração de reforços positivos e negativos, o que implica também numa relação causal entre reforço (causa) e comportamento (efeito);

Os reforços
a) o programa experimental de Skinner é o da utilização sistemática de um reforço, privando ou não o sujeito do mesmo conforme um comportamento rigosamente pretendido;
b) a eficácia do reforço depende da proximidade temporal e espacial em relação ao comportamento que se que pretende modelar, sob pena de incidir sobre outro que não esteja em questão;
c) um reforço positivo fortalece a probabilidade do comportamento pretendido que segue. O seu registro é a presença (positividade) de uma recompensa;
d) um reforço negativo enfraquece um determinado comportamento em proveito de outro que faça cessar o desprazer com uma situação. Portanto, o seu registro é a ausência (retirada) de um estímulo que cause desprazer após a resposta pretendida;
e) ambos, entretanto, incidem após a emergência de um comportamento pretendido pelo experimentador.

A punição
A punição é diferente do reforço negativo. Em termos conceituais, a punição se refere a um desprazer (estímulo) que se faz presente após um determinado comportamento não pretendido por aquele que a aplica, enquanto que o reforço negativo se caracteriza pela ausência (retirada) do desprazer após a ocorrência de um comportamento pretendido por aquele que o promove. Skinner ilustra assim o aspecto anti-pedagógico da punição:
"O pai reclama do filho até que cumpra uma tarefa: ao cumpri-la, o filho escapa às reclamações (reforçando o comportamento do pai). ...Um professor ameaça seus alunos de castigos corporais ou de reprovação, até quem resolvam prestar atenção à aula; se obedecerem estarão afastando a ameaça de castigo (e reforçam seu emprego pelo professor). De um ou outra forma, o controle adverso intencional é o padrão de quase todo o ajustamento social - na ética, na religião, no governo, na economia, na educação, na psicoterapia e na vida familiar" (Skinner, 1974, pp. 26-27)
A punição, neste sentido, não modifica o comportamento de quem a promove, nem - a longo prazo - de quem a recebe (por exemplo, a punição de ser preso não modifica o comportamento anteriormente condicionado e operante do punido).

Ilustrações
REFORÇO POSITIVO - alimentos para um sujeito dados após ele responder com determinado comportamento pretendido
REFORÇO NEGATIVO - choques elétricos que cessam após o sujeito responder com um determinado comportamento pretendido
PUNIÇÃO - choques elétricos aplicados após um comportamento não pretendido

O condicionamento operante
1- o condicionamento operante se refere aos estímulos que seguem a resposta, isto é posterior a ela, ao contrário do condicionamento respondente (ver Watson) em que o estímulo antecende a resposta;
2- o condicionamento operante permite modelar um determinado comportamento pretendido através da administração dos reforços;
a) há várias formas de modelagem através do condicionamento operante:
b) o sujeito possui um repertório de condicionamento operante, o qual em grande podem ter sido gerados em situações incontigentes.

Tipos de programas experimentais
programa incontigente -> comportamento supersticioso
administração de reforços de forma temporal e espacial aleatória gera respostas também aleatória por parte do sujeito
programa contigentes
administração de reforços frequenciais de forma temporal e espacial definida gera respostas também previsíveis por parte do sujeito

A mensagem: a promessa de reforços
a sistematimatização feita por Skinner permite compreender a força da publicidade sob o prisma da promessa de reforço, subjacente às suas mensagens;
por um lado, a promessa de reforço negativo, caso o receptor passe a consumir determinada marca/produto, na medida em que uma determinada situação de insatistação cessa;
por outro lado, a promessa de reforço positivo, caso o receptor passe a consumir determinada marca/produto, na medida em que terá novas satistações (mulheres, praias, conforto, corpo atlético, etc...);
eventualmente, a publicidade remete ao produto concorrente como aquele que mantém a insatisfação;
em todos os casos, o reforço é uma promessa e como tal é uma possibilidade não materializada.
Bibliografia
GOODWIN, C. James. História da psicologia moderna. São Paulo: Cultrix, 2005.
SKINNER, B.F. Ciência e comportamento. São Paulo. Editora da Universidade de São Paulo, 1974.

16 abril, 2006

O Behaviorismo

O Behaviorismo, ou teoria comportamental, surge em um momento em que a humanidade está maravilhada de sua consciência objetiva, logo, de seu conhecimento científico “aplicado” na totalidade da vida humana.
No início do século XX assistia-se a uma mudança notável na maneira como um vasto número de pessoas vivia, como resultado de inovações tecnológicas, médicas, sociais, ideológicas e políticas.
Na questão social p.ex., tem-se a idéia de uma sociedade constituída por um estado mecanicista em que todos seus componentes funcionam como se estivessem na linha de montagem de uma grande fábrica e que os resultados esperados no geral são lineares e positivos. Na medicina, doenças (como a tuberculose que até então aterrorizava a humanidade) estavam sendo combatidas eficazmente com a descoberta de novos medicamentos e ações de higiene correta. Na tecnologia, o telégrafo mostrava-se eficiente no campo da comunicação em uma realidade que até então era tida como impossível e de encurtamento de distâncias. A economia, a indústria e política pareciam ir muito bem com o firmamento de idéias liberais (utópicas ainda hoje) materializadas na nova potência, os Estados Unidos da América.
É, portanto, neste clima de positivação sublime da razão humana sobre forças da natureza que surge o Behaviorismo. De fato, seu propósito era firmar de vez o conhecimento sobre o quesito do comportamento humano .
Diante disso, o Behaviorismo teve um bom recebimento, afinal, a maioria das pessoas gosta ou gostaria de saber como predizer e controlar o comportamento dos outros, isto é, levar vantagens sobre os outros. Eu não.
Jarbas Felicio Cardoso
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Características do Behaviorismo
Influências:
O reflexionismo de Ivan Pavlov
A Filosofia positivista de Auguste Comte
O Pragmatismo norte americano
Definições:
Termo: behavior é um termo inglês, que traduzido para português, quer dizer comportamento.
Da Psicologia: A Psicologia é a ciência do comportamento, e não a ciência da mente. Psicologia é “a divisão das ciências naturais que toma o comportamento humano – o fazer e o dizer, aprendido ou não, das pessoas, como seu objeto”. A psicologia analisa o comportamento humano em elementos reflexos, estuda as leis de conexão destes elementos e mostra a natureza de sua dependência das funções nervosas.
Objeto de estudo: O comportamento
- pode ser descrito e explicado sem recorrer aos esquemas mentais ou aos esquemas psicológicos internos.
– consiste em “respostas”, “reações” ou “ajustamentos” de um organismo a certos eventos antecedentes – “estímulos” ou “situações-estímulo”.
A fonte dos comportamentos é o ambiente (que pode ser inclusive os órgãos internos) e não a "mente" interna individual.
Método geral: observação objetiva.
Métodos específicos:
1. Observação sistemática com ou sem controle experimental ou experimento – sempre que possível usar os “instrumentos de latão”, aparelhos e técnicas refinadas, estudos de laboratório devem suplementar os estudos de campo;
2. Reflexos condicionados – técnicas originadas no laboratório do fisiólogo russo, PAVLOV. O estímulo, substituto do estímulo “natural”, causa uma resposta modificada ou adquirida. Reflexos condicionados dependem da:
2a acuidade da sensitividade do sujeito

OBS.: “Reflexos incondicionados” – o estímulo causa uma resposta “natural”.
3. Relato-verbal – o experimentador watsoniano faz uma descrição das respostas do sujeito no estruturalismo: o experimentador observa o observador titcheneriano, que descreve sua “experiência”.
OBS.: a) O comportamentismo criou outra terminologia; b)O método do relato-verbal é o substituto watsoniano para o método da introspecção.
4. Testes científicos – o interesse real do psicólogo está no “desempenho” (verbal, manual ou outro) do sujeito. Maior ênfase deve ser colocada sobre os testes não-lingüísticos.
Formula: E → R (para cada estimulo se tem uma resposta)
Problema: predição e controle do comportamento humano
1o predizer as situações ou estímulos causais prováveis de uma resposta;
2o dada a situação, predizer a resposta.

John B. Watson estende o significado dos termos fisiológicos com o fim de cobrir eventos mais complexos e integrados. “Estímulo” – coisas simples e mensuráveis como raios de luz e ondas sonoras. “Resposta” - atividades restritas aos movimentos de um músculo ou grupo de músculos. “Situação-estímulo” e “ajustamento” – eventos mais complexos: teoricamente analisáveis em componentes mais simples. O interesse primordial é o fator resposta.
Tipos de respostas fisiológicas:
1. Respostas dos músculos:
1o
“efetores” músculos esqueléticos: movimentos externos;
2o “efetores” músculos lisos – ajustamentos internos do organismo.
2. Repostas das glândulas: as secreções.
Principais classes psicológicas das respostas fisiológicas:
1. Respostas habituais explícitas – Maioria das reações dos músculos esqueléticos.
2. Repostas habituais implícitas – Reações de músculos lisos e glândulas que estabelecemos em nós mesmos através de certo grau de treino: corar na presença do bem-amado, suar ao som da broca do dentista.
3. Respostas hereditárias explícitas – “Reações instintivas e emocionais observáveis como, por exemplo, espirrar, piscar, bocejar, mamar, fechar os punhos, esquivar o corpo, e no medo, na raiva e no amor”. Instintos é o mesmo que reflexos!
4. Respostas hereditárias implícitas – emoções, várias secreções glandulares, modificações circulatórias e outras.
“Explícito” = “aberto ou observável” e “Implícito” = “coberto ou não-observável”.
Abordagem “genética” ou do desenvolvimento estuda toda a influência ambiental no comportamento humano desde o nascimento, através do uso incansável de procedimentos experimentais. Para distinguir respostas hereditárias de adquiridas (ou habituais), WATSON traçou o desenvolvimento das reações do recém-nascido passo a passo e catalogou as respostas não aprendidas das crianças durante os primeiros meses (em alguns casos, anos) de vida:
1. Atividades reflexas (espirrar, chorar, fechar os punhos, piscar etc.) que apareciam em seqüência bem definida durante os primeiros dias da infância;
2. Emoções fundamentais da natureza humana através de estudos genéticos e experimentais:
1a medo: tomar respiração, fechar apertadamente as pálpebras, movimentos intermitentes de fechar os punhos, chorar ou abrochar os lábios etc.
2a raiva: enrijecimento do corpo, agitação de mãos e braços, prender a respiração.

3a amor: sorrir, palrar e balbuciar e, em crianças mais velhas, no estender os braços.
Respostas emocionais mais complicadas do comportamento humano, “timidez”, “vergonha”,ódio”, “orgulho”, “ciúme”, “angústia”, são combinações e permutações dos três padrões de respostas elementares.
Mecanismo de condicionamento: os padrões não aprendidos na infância promovem emoções mais coordenadas e especializadas nos adultos. Medo de animais, de escuro, é um medo aprendido na convivência, principalmente com babás.
Mecanismo de transferência da reação emocional a um grande número de outros estímulos.
Respostas emocionais, presumivelmente condicionadas, podem ser removidas tão bem quanto implantadas? O procedimento empregado (para o descondicionamento) assemelhava-se de certo modo ao usado na sua fixação. Um menino portador de medo exagerado de ratos brancos, coelhos, casacos de pele etc.
Experimento (exemplo):
Foi colocado na extremidade de uma sala de cerca de 12 m de comprimento, onde tinha o costume de tomar um lanche de leite e bolachas todas as tardes, e, ao mesmo tempo, um coelho, em uma gaiola, foi mostrado à criança, “suficientemente longe para não perturbar a refeição”. Em dias sucessivos, o coelho foi colocado cada vez mais perto do menino até perto do “ponto perturbador”. Eventualmente a criança veio a comer.
Bibliografia:
Fotos da rede...o resto coloco amanhã...o texto está em construção, abraços..

Entendendo a su(a)bjetividade...

Subjetividade: o objeto de estudo da Psicologia
A Psicologia colabora para o estudo da subjetividade: é essa a sua forma particular de contribuição para a compreensão da totalidade da vida humana.
O que se entende por subjetividade?
A subjetividade é a síntese singular e individual que cada um de nós vai constituindo conforme vamos nos desenvolvendo e vivenciando as experiências da vida social e cultural; é uma síntese que nos identifica, de um lado, por ser única, e nos iguala, de outro lado, na medida em que os elementos que a constituem são vividos no campo comum da objetividade social. (BOCK,2000,p.23)

A subjetividade, portanto, é o mundo de idéias, significados e emoções construído internamente pelo sujeito a partir de suas relações sociais, de suas vivências e de sua constituição biológica; é também, fonte de suas manifestações afetivas e comportamentais. O mundo social e cultural vivenciado por nós nos permite a construção de um mundo interior, à medida que vamos atribuindo sentido às nossa experiências.

A subjetividade, essa forma de expressão que temos feita de componentes visíveis (comportamentos) e invisíveis (sentimentos), é, em suma, nossa maneira de sentir, pensar, fantasiar, sonhar, amar e fazer de cada um. É o que constitui o nosso modo de ser, o que nos confere nossa identidade, o modo como nos vemos, nossa singularidade.

Homem: metamorfose ambulante
Um sujeito constrói sua singularidade aos poucos, apropriando-se do material do mundo social e cultural, e faz isso ao mesmo tempo em que atua sobre este mundo, ou seja, criando e transformando o mundo (externo), o homem constrói e transforma a si mesmo. Assim como o mundo objetivo está em permanente mudança sobre a ação do homem, também o mundo subjetivo está em movimento permanente porque os indivíduos estão se apropriando de novas matérias-primas para constituírem suas subjetividades.

A produção de subjetividade
Podemos dizer que estudar a subjetividade, nos tempos atuais, é tentar compreender a produção de novos modos de ser, isto é, as subjetividade emergentes, cuja fabricação é social e histórica. O estudo dessas novas formas de subjetividades vai desvendando as relações do cultural, do político, do econômico e do histórico na produção do mais íntimo e do mais observável no homem – aquilo que o captura, submete-o ou mobiliza-o para sentir, pensar e agir sobre o efeito das formas de submissão, de persuasão, de manipulação, de sedução, enfim, sob o efeito da interação e da comunicação entre os homens.

Exercícios
“O importante e bonito do mundo é isso: que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas, mas que elas vão sempre mudando. Afinam e desafinam.”
GUIMARÃES ROSA
Comente a frase de Guimarães Rosa, procurando relacionar as idéias nela contidas com o conceito de subjetividade.

Encontre um exemplo que ilustre como a Publicidade, ou os meios de comunicação em geral, podem tomar parte da produção de novas formas de ser, da produção de subjetividades.
Nesta peça publicitária vemos que a noção de identidade é a idéia central do argumento persuasivo do texto.


Faça um comentário sobre o anúncio e o poder que a publicidade tem como instrumento de produção de subjetividade.
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OBS.: o texto sofreu algumas adaptações de minha parte mas não é meu. Desculpa, mas ignoro sua origem.

12 abril, 2006

Questões para debate

" Se quisermos ter resultados de laboratório que não sejam artificiais, meras curiosidades cientificas, devemos submetê-los a interpretação por meio de uma aproximação gradual às condições da vida." John Dewey, 1990.

1. O que caracteriza o Funcionalismo, o Associacionismo e o Estruturalismo?

2. Quais as diferenças entre a Psicologia como um ramo da Filosofia e a Psicologia científica?

3. Como a produção do conhecimento está relacionada com as condições materiais do momento histórico em que ela se dá? Exemplifique.


obs.: para os alunos interessados em aprofundar a leitura sobre estes conteudos (Funcionalismo, Estruturalismo e Associacionismo) a dica que dou é: História da Psicologia Moderna de C. James Goodwin. O livro encontra-se a disposição na biblioteca do Irmão Pedro.

O ASSOCIACIONISMO

O principal representante do Associacionismo é Edward L. Thorndike, sua importância está em ter sido o formulador de uma primeira teoria de aprendizagem na Psicologia. Sua produção de conhecimento pautava-se por uma visão de utilidade deste conhecimento, muito mais do que por questões filosóficas que perpassam a Psicologia.
O termo associacionismo origina-se da concepção de que a aprendizagem se dá por um processo de associação das idéias – das mais simples às mais complexas. Assim, para aprender uma coisa complexa, a pessoa precisaria primeiro aprender as idéias mais simples, que a ela estariam associadas.
Thorndike formulou a Lei do Efeito, que seria de grande utilidade para a Psicologia Comportamentalista. De acordo com essa lei, todo o comportamento de um organismo vivo (um homem, um pombo, um rato etc.) tende a se repetir, se nós o recompensarmos (efeito) assim que ele o emitir. Por outro lado, o comportamento tenderá a não acontecer, se o organismo for castigado (efeito) após sua ocorrência. È pela lei de efeito, que o organismo irá associar essas situações com outras semelhantes.
Exemplo: se ao apertarmos um dos botões de um rádio e formos “premiados” com música e, bem como, em outras oportunidades apertarmos o mesmo botão e novamente isso ocorrer, generalizaremos essa aprendizagem para outros aparelhos semelhantes, como toca - CD, DVD e etc.
Tanto o Funcionalismo, Estruturalismo e Associacionismo são perspectivas que relacionam nossas ações a eventos que ocorrem dentro do corpo, particularmente no cérebro e sistema nervoso. Portanto consideradas como fisiologistas.
Fonte:
KELLER, Fred Simmons, 1899-. A definicão da psicologia. São Paulo, Herder, p.159p., 1970-1974.

11 abril, 2006

Primórdios da Psicologia Experimental: Funcionalismo e Estruturalismo


Para falarmos sobre as correntes responsáveis pelo surgimento da psicologia experimental como o Funcionalismo, Estruturalismo e até mesmo o Associacionismo precisamos primeiro fundamentar sobre outro movimento, ou melhor, sobre o significado de um termo, a saber, o pragmatismo.
O pragmatismo é uma doutrina filosófica que a tese central busca constatar que a validade de uma doutrina, consiste no fato de que ela seja útil e propicie alguma espécie de êxito ou satisfação. Por outras palavras, as idéias devem ser instrumentos de ação. As idéias só são válidas, se produzirem efeitos práticos. Logo, diz-se então que, algo é pragmático quando é relativo aos atos que se devem praticar, quando é referente às aplicações práticas e voltadas para a ação.
É exatamente está procura de tornar e valorizar como úteis às coisas práticas, a responsável em fazer surge na psicologia a necessidade de ter um conhecimento maior sobre a psique e o comportamento humano no sentido de melhor controle e exploração prática.

O funcionalismo
O funcionalismo teve como um de seus criadores o filósofo e professor Willian James (1842-1910) e como berço os Estados Unidos do fim do século XIX e início XX que começa firmar-se definitivamente como uma sociedade capitalista e industrial e mais do que nunca tinha forte apreço pelo prático.
Para o funcionalismo importa responder, “o que fazem os homens” e “por que o fazem”, “qual o papel da mente para o êxito dos organismos ou animais na luta pela existência”. Para responder isso, os psicólogos funcionalistas elegem a consciência como o centro de suas preocupações e buscam a compreensão de seu funcionamento, na medida em que o homem a usa para adaptar-se ao meio. Para W. James, a mente evoluiu com o propósito de dirigir um sistema nervoso levado a tal complexidade que já não pode regular suas atividades por si próprio.
Foi a 1a psicologia “sistemática”: definição + métodos + problemas + classificação dos resultados.
Definição: a psicologia é “a ciência da experiência imediata, consciência ou processo mental”. Experiência: sensações, percepções, sentimentos, emoções etc.
Características:
Anti-estruturalistas;
Ênfase à função e não a estrutura. Dar respostas às perguntas: o que é que os processos mentais realizam? Como trabalha, os processos mentais?;
Ênfase aos valores do bom senso e à prática;
Ênfase à biologia darwiniana;
Inclusão de psicologia animal, da criança, do anormal, diferencial e outras;
Objeto de estudo:
A atividade mental no sentido de pensar, sentir, imaginar, perceber mas voltada para a função de funcionamento do organismo humano. A atividade mental é atividade psicofísica, envolvendo estruturas físicas: sentidos, músculos e nervos.
Problema: Qual a relação entre organismo e meio ambiente? 1o como se exerce a atividade mental, 2o o que ela desempenha e 3o por que tem lugar. Os assuntos psicológicos incluem o conceito de “arco reflexo” e o conceito de “comportamento adaptativo”.
Métodos:
Observação subjetiva ou introspecção: apreensão das próprias operações mentais do observador. Neste caso é o próprio cientista o objeto de estudo.
2o Observação objetiva: apreensão de operações mentais de um outro indivíduo na medida em que se refletem no seu comportamento, de animais, crianças, primitivos e insanos e testes “mentais” (na verdade testes “comportamentais”).Os funcionalistas foram além do indivíduo humano, normal e adulto.
Classificação de resultados:
“todos os estímulos sensoriais exercem certo efeito sobre a atividade do organismo”;
“toda a atividade ... é iniciada por estímulos sensoriais” – é muito difícil, senão impossível, descobrir o estímulo iniciador de muitas respostas. Estas podem ser devidas à estimulação vinda de dentro do organismo, por exemplo, fome, sede e dores internas.
“há um processo contínuo de interação entre estímulos sensoriais e respostas motoras” – toda resposta altera a situação sensorial e assim determina, em parte, a natureza das respostas subseqüentes.
comportamento adaptativo: um estímulo motivador, uma situação sensorial e uma resposta que altere a situação de modo a satisfazer as condições motivadoras. “O motivo é sempre um estímulo” – geralmente interno - e praticamente idêntico ao que alguns psicólogos chamam “necessidades orgânicas”, “impulsos”, “carências”. “Um estímulo relativamente persistente que domina o comportamento do indivíduo até que reaja de maneira a não mais ser afetado por ele”. Um organismo reage à “situação sensorial” como um todo enquanto se adapta a um único aspecto dela. As respostas de um comensal faminto, à mesa, fornecem uma boa ilustração. Finalmente, o comportamento adaptativo supõe uma resposta que modifique a situação sensorial e satisfaça as condições motivadoras.
O funcionalismo afastou-se da visão da psicologia como estudo da mente ou experiência, para se aproximar da visão biológica como o estudo das reações do organismo.

O estruturalismo
O estruturalismo está preocupado com a compreensão do mesmo fenômeno que o Funcionalismo: a consciência. Mas, diferentemente de W. James, Edward Bradford Titchener (um dos criadores) irá estudá-la em seus aspectos estruturais, isto é, os estados elementares da consciência como estruturas do sistema nervoso central.
Definição: Psicologia é a ciência da mente, aquela que pode ser descrita em termos de fatos observados, mas não como um serzinho insubstancial dentro de nossas cabeças.
O método: é baseado na observação de introspecção, e os conhecimentos psicológicos produzidos são eminentemente experimentais, isto é, produzidos a partir do laboratório.
Há um experimentador e um observador nos estudos de laboratório. O experimentador estabelece as condições essências e o observador relata sua “experiência” relatório que é registrado, naturalmente, pelo experimentador. a) atitude em relação à própria experiência; b) experienciar ele próprio; c) relato adequado da experiência em palavras.
Fonte:
KELLER, Fred Simmons, 1899-. A definicão da psicologia. São Paulo, Herder, p.159p., 1970-1974.